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Cautela interna impede recuperação do real e garante câmbio volátil no curto prazo
Com a moeda americana rondando R$ 5,40 e com tendência de alta, volta do Banco Central (BC) ao mercado é uma possibilidade via swap ou venda de reservas
Câmbio, Cautela interna impede recuperação do real e garante câmbio volátil no curto prazo, Capital Aberto

Depois de ultrapassar a barreira dos R$ 5,40 no pregão de quarta-feira (12), com uma alta de 0,86%, e de devolver parte do ganho ontem, atingindo R$ 5,367, o dólar opera com certa estabilidade neste fechamento de semana. A relativa calmaria é ainda reflexo das falas dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, sobre estudos para cortes nos gastos. Na visão de operadores de câmbio, a melhora pontual não muda a tendência de volatilidade e de alta na cotação ao longo de 2024.

O pacote que impede uma recuperação do real e sustenta a cotação elevada do dólar inclui fatores internos e externos. “Na minha visão, o dólar está muito esticado (alto), mas a perspectiva continua sendo de valorização da moeda com os juros americanos mantidos, que atrai capital para os Estados Unidos, e uma desconfiança com a disciplina fiscal do governo local, mesmo após as falas dos ministros Haddad e Tebet”, comenta Elson Gusmão, diretor de Câmbio da Ourominas.


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No ano, até 13 de junho, o dólar acumula alta de 8,85% frente ao real. Levantamento da Elos Ayta colocava o real, até dia 11, na terceira posição entre as moedas que mais perderam valor frente ao dólar, perdendo apenas para o peso argentino, em primeiro, e iene, do Japão, no segundo lugar entre as moedas que mais perderam valor no acumulado do ano.

A alta volatilidade da moeda americana, que atrapalha o planejamento das empresas que não têm hedge cambial, é destacada por Diego Costa, head de câmbio para o Norte e Nordeste da B&T Câmbio. “Na quarta-feira, foi um dia de alta volatilidade, impulsionado pelo otimismo internacional com a inflação ao consumidor abaixo do esperado nos EUA. No entanto, o real não conseguiu seguir essa tendência positiva devido às incertezas políticas e fiscais locais”. Apesar da queda do dólar após as falas dos ministros, Costa lembra que a cautela diante do cenário político e fiscal interno ainda prevalece, limitando a valorização da moeda. “O governo precisa se articular melhor nesse sentido, já que a ideia de resolver o problema do déficit por meio da expectativa de redução da Selic, estimulando o consumo e aumentando a arrecadação de impostos, não foi bem recebida.”

Para o head de câmbio da B&T, o restante de 2024 deve ser de volatilidade. “Em primeiro lugar, o cenário internacional ainda é incerto, com o Fed mantendo uma postura cautelosa. No Brasil, a instabilidade política e as questões fiscais continuam a ser fontes de preocupação. A promoção da pauta fiscal será fundamental para diminuir a incerteza e estabilizar a moeda”, ressalta Costa, acrescentando que eventos geopolíticos e flutuações nos preços das commodities também contribuirão para a continuidade da volatilidade.

Intervenção do Banco Central

A única intervenção do BC no câmbio no atual governo Lula ocorreu em abril com a venda de contratos de swap, que ajudam a segurar a cotação. Caso a cotação do dólar registre forte valorização frente ao real, na avaliação dos especialistas, o BC pode voltar ao mercado. “A intervenção do Banco Central no câmbio, seja através de swaps cambiais ou venda de reservas, deve ser uma ferramenta para situações de alta volatilidade ou crises”, explica Costa. “ No contexto atual, considerando a persistente incerteza política e fiscal, é possível que o BC precise atuar novamente para evitar movimentos bruscos na moeda.”

O uso de swaps cambiais, na avaliação do especialista da B&T, é preferível em muitos casos porque permite ao BC influenciar o mercado sem reduzir as reservas internacionais. “No entanto, a venda direta de reservas pode ser considerada em situações extremas onde há uma necessidade urgente de liquidez no mercado.” As reservas cambiais estão na casa dos R$ 355 bilhões.

“Com reservas elevadas, em momentos de muito estresse, o Banco Central pode usar esta prerrogativa e jogar dólar no mercado, por meio de leilões de linhas, que tem mais efeito do que o swap”, analisa Gusmão. “Hoje, se nada mudar, a tendência do dólar é de alta, mesmo eu achando a cotação atual, perto de R$ 5,40 muito esticada.”


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