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Mercado de trabalho e consumo das famílias explicam Selic mantida em 10,50%, diz ata do Copom
O colegiado elevou a taxa de juro real neutra, que promove crescimento sem gerar inflação, e voltou a jogar luz sobre a desencorajem das expectativas
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Após interromper o ciclo de corte dos juros básicos da economia (Selic) na reunião do dia 19 de junho, o Comitê de Política Monetária (Copom) divulgou nesta terça-feira (25) os motivos da Selic mantida em 10,50% ao ano. A ata da reunião trouxe detalhes sobre as razões que levaram o colegiado a interromper o ciclo de corte do juro, iniciado em agosto do ano passado. Há menção ao mercado de trabalho e à atividade econômica fortes, que têm surpreendido, citando em particular o consumo das famílias.

O documento afirma que o cenário “mais desafiador” foi o motivo que levou o Copom a interromper o ciclo de corte. “Diferentemente do cenário usando projeções de mercado (novos cortes na taxa de juros no próximo ano), este cenário alternativo coloca o IPCA perto da meta em 2025, de 3,1%”, comenta Caio Megale, economista-chefe da XP, após analisar a ata do Copom. “Vale mencionar que o Comitê utilizou uma hipótese de taxa de juros real neutra mais alta (4,75% contra 4,50% anteriormente). Incorporando essa hipótese em nossos modelos, nós (XP) chegamos a previsões ligeiramente mais elevadas.” Na análise de Megale, trata-se de um indício de que o Copom não quer sinalizar altas de juros adiante. Outra evidência na mesma direção é que a maioria dos membros decidiu manter o balanço de riscos simétrico nessa reunião.


Leia também: Em votação unânime, Copom mantém Selic em 10,50% e reforça cautela com cenário externo


Em outros trechos da ata, o Copom joga luz sobre a força da economia local maior do que o esperado e avalia que o hiato do produto está “agora em torno da neutralidade”, contra algo “ligeiramente negativo” na reunião anterior, o que sugere piora nas expectativas.

O nível de juros, informa a ata do Copom, precisa ser mantido em patamar que consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno das metas. “O Comitê se manterá vigilante e relembra, como usual, que eventuais ajustes futuros na taxa de juros serão ditados pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta”. E acrescenta: “O Comitê avalia que a redução das expectativas requer uma atuação firme da autoridade monetária, bem como o contínuo fortalecimento da credibilidade e da reputação tanto das instituições como dos arcabouços fiscal e monetário que compõem a política econômica brasileira. O Comitê não se furtará de seu compromisso com o atingimento da meta de inflação e entende o papel fundamental das expectativas na dinâmica da inflação.”

Na última reunião do Copom, a decisão de manter o juro estável foi tomada com unanimidade pelos membros do colegiado, o que acalmou parte do mercado financeiro. No encontro anterior, o corte de 0,25 ponto percentual foi decidido com divisão no colegiado e voto de minerva, em favor da redução menor, feito pelo presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, questionado por jornalistas nesta manhã comentou a ata do Copom. “Eu não tenho nada de muito diferente do comunicado, o que é bom e transmite a ideia de que está havendo uma interrupção para avaliar o cenário interno e externo para que o Copom fique à vontade para tomar decisões a partir de novos dados”, comenta Haddad. Quando questionado por jornalistas sobre a possibilidade de que, se necessário, os juros podem subir, afirmou: “O que está dito ali é que houve uma interrupção. Eventuais ajustes se for necessário sempre vão acontecer. O que é importante frisar é que a diretoria fala numa interrupção do ciclo e me parece que essa é uma diferença importante a ser salientada.

Sobre a pressão inflacionária, Haddad reconheceu que há “uma pequena pressão inflacionária em função do que aconteceu no Rio Grande do Sul, que está afetando”, mas que não muda a expectativa. “Essa é uma inflação que afeta o curto prazo, o horizonte do Banco Central é de médio e longo prazo. Não faz muito sentido levar em consideração o que está acontecendo em função do Rio Grande do Sul para fins de política monetária, porque o juro de hoje está afetando 12, 18 meses para frente, quando a questão do Rio Grande do Sul todos nós estamos trabalhando para que ela seja superada.”


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