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Preços agrícolas baixos derrubam desempenho dos Fiagros
Queda da Selic é outro fator que tem pressionado os fundos, apesar da depreciação do real nos últimos meses ter contribuído positivamente para o setor
Fiagros, Preços agrícolas baixos derrubam desempenho dos Fiagros, Capital Aberto

Assim como os fundos multimercados, que estão muito pressionados este ano por conta do cenário macroeconômico global, os fundos do agronegócio, conhecidos como Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais (Fiagros), também estão sofrendo em 2024.

O desempenho fraco desta classe está associado a dois principais motivos, de acordo com especialistas ouvidos pela Capital Aberto: o preço baixo das commodities agrícolas, que eleva o risco de inadimplência no segmento, e a queda da Selic, já que a maioria dos fundos é indexado ao CDI, que segue de perto a taxa de juros.


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Importante ressaltar, no entanto, que esse desempenho fraco é relativamente recente, uma vez que os juros no Brasil começaram a ser reduzidos em meados de 2023. Antes disso, com a taxa elevada, os fundos estavam com excelente desempenho.

Para o head de Research da Guide Investimentos, Fernando Siqueira, os preços das principais commodities produzidas no Brasil estão em níveis baixos, embora a depreciação do real nos últimos meses contribua positivamente para o setor. “Contudo, os preços ainda são baixos e o impacto para os produtores agrícolas tende a demorar. Em resumo, os preços baixos dos grãos implicam que o risco de crédito no setor agrícola permanece elevado”, explica em relatório.

Fiagros, Preços agrícolas baixos derrubam desempenho dos Fiagros, Capital Aberto

Atualmente, os Fiagros têm sido utilizados para financiar projetos de longo prazo, que não tinham tanto funding do Plano Safra, como projetos de irrigação, de silos e infraestruturas agrícolas.

“Os Fiagros têm ajudado bastante a financiar esses projetos com um prazo maior do que a própria safra em si”, diz o sócio da InvestSmartXP, Felipe Martins Passero, acrescentando que a iniciativa também tem servido para financiar tudo aquilo que não é máquina e equipamento que os bancos já financiam.

O dado mais recente, publicado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) na semana passada, mostra que a captação líquida (diferença entre aportes e resgates) dos Fiagros atingiu R$ 88,4 milhões em maio. No acumulado do ano, os aportes superam os saques em R$ 652,3 milhões.

Por outro lado, as emissões caíram em maio, atestando a pressão nos fundos. No período, cinco ofertas de Fiagros levantaram R$ 137,1 milhões, volume 78,2% menor na comparação anual, distribuídos em Fiagros-FIDC (R$ 105,8 milhões) e Fiagros-FII (R$ 31,3 milhões).

Fiagros em situações especiais

Apesar do cenário adverso, a quantidade de fundos que apresentaram problemas de crédito é baixa, de acordo com o analista da Guide, embora ainda seja cedo para dizer que o pior já passou. Na visão de Siqueira, a tragédia no Rio Grande do Sul teve um impacto negativo nos fundos, mas que foi marginal.

No relatório, o executivo cita cinco Fiagros em situações especiais. Com base em dados do Clube Fii, todos os fundos possuem rentabilidade negativa no ano até maio. O AAZQ11, da AZ Quest, por exemplo, com CRA da Agro North, que está em recuperação judicial, mas continua adimplente, tem performance negativa de 21,08%.

Fiagros, Preços agrícolas baixos derrubam desempenho dos Fiagros, Capital Aberto

O AGRX11, da Exes Araguaia, com exposição líquida ao RS, mas sem operações afetadas pela tragédia, possui performance negativa de 11,52%. Já o VGIA11, da Valora, tem um CRA como plano de liquidação para a quitação das dívidas, com performance negativa de 11,35% no ano.

O RURA11, da Itaú Asset, é um dos fundos que mais sofrem este ano, com rentabilidade negativa acumulada de 15,22%. Por fim, o CTPR11, da Capitânia, entre os fundos aqui citados é o que menos acumula performance negativa, com 9,39%.

“Atualmente, a maioria dos fundos paga proventos superiores a 12% (ou seja, 1% ao mês ou mais). Parte do yield elevado se deve aos juros altos da carteira dos fundos (ao redor de CDI +4%) e parte se deve à queda nas cotas”, explica Siqueira.

Passero ressalta que este tipo de fundo é relativamente novo no mercado, por isso todo mundo ainda está aprendendo a fazer. “Eu acho que lançaram vários fundos com essa tese. Não sei se todo mundo tinha tanta experiência com crédito agro. O crédito do Fiagro é diferente do crédito que o banco faz”.

Segundo ele, a diferença entre o Fiagro e o crédito bancário é o prazo. Geralmente, os bancos fazem a operação ligada ao Plano Safra, com um prazo um pouco mais curto para os produtores, com o pagamento coincidindo com as safras.

“Os juros são maiores? São. Mas o prazo tende a ser maior. Porém, você tem que conseguir casar o prazo dos créditos para ter fluxo de pagamento mensal. Então, o produtor precisa ter um pouquinho mais de capital de giro para conseguir operar com Fiagros”, comenta o sócio da InvestSmartXP.

Recentemente, inclusive, constatando a tese de que tudo é muito novo, a Polícia Federal (PF) descobriu uma fraude em crédito de carbono na Amazônia atrelado ao Fiagro. De acordo com a PF, a suspeita é que a organização criminosa vendeu R$ 180 milhões em crédito de carbono de áreas da União invadidas.

“Lidar com fraude dentro de um cartório também é uma novidade para o investidor acostumado com investimentos mais de carpete, padronizados da Faria Lima, que envolvem garantias que estão em grandes cidades”, finaliza Passero. Todos os fundos citados foram procurados pela reportagem. A Itaú Asset disse que o fundo tem exposição reduzida ao efeito climático no RS e não sofreu consequências adversas. A AZ Quest, por sua vez, informou que está em período de silêncio. O restante não respondeu até o fechamento da matéria.


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