Pesquisar
Pesquisar
Close this search box.
Pesos-pesados do mercado traçam cenário da renda variável em 2024
Conheça a visão de André Caldas, da Clave Capital, Bruno Garcia, da Truxt Investimentos, Carlos Eduardo Rocha, da Occam, e Laércio Henrique, da BTG Pactual Asset
Bolsa, Pesos-pesados do mercado traçam cenário da renda variável em 2024, Capital Aberto

Quais as perspectivas para a bolsa neste ano? Quais os principais riscos? Como a inteligência artificial deve afetar o desempenho das empresas? As perguntas foram respondidas nessa quarta (7), em evento do BTG Pactual, por quatro craques da renda variável: André Caldas, sócio-fundador da Clave Capital; Bruno Garcia, sócio-fundador da Truxt Investimentos; Carlos Eduardo Rocha, CEO da Occam; e Laércio Henrique, sócio da BTG Pactual Asset Management. Confira abaixo o depoimento dos gestores. Antes, um spoiler: a bolsa está barata e deve se beneficiar da queda global dos juros e inflação, mas há também ameaças no horizonte, tanto internamente como uma eventual crise maior na China.

 Quais as perspectivas para a bolsa?

 Laércio Henrique, sócio da BTG Pactual Asset

“Se você olhar os últimos três anos pós-Covid, o que aconteceu na indústria de ações brasileiras foi realmente um desastre. A gente veio de um ritmo de resgate na indústria de fundo de ações em 2022 da ordem de 60, R$ 65 bilhões. Em 2023, esse resgate continuou, na ordem de R$ 40 bilhões. É quase 20% de redução de recursos no período. E tinha o aspirador dos juros ligado. A gente saiu dos juros de 2% em 2021 para 13,75%, o que realmente tirou muita liquidez do sistema. Isso explica parte desse shift de alocação de portfólio para renda fixa.

Mas aqui no Brasil, a gente teve ainda um efeito potencializador dessa migração, que foram os incentivados, que provocam uma dinâmica perversa na nossa indústria.

Para vocês terem uma ideia, o estoque de LCI, LCA, CRI, CRA e LIG estava em torno de R$ 300 bilhões por cinco anos, até 2021. E esse negócio mais que triplicou em dois anos e meio, com o estoque hoje por volta de R$ 1 trilhão. Não tem como competir. Isso fez com que nossa vida se tornasse muito difícil. Há boas casas que conseguiram atravessar esse grande tsunami da indústria, mas outras assets ficaram pelo caminho.

Mas o lado positivo é que os juros começam a cair. Não só no Brasil, é um fenômeno global. O cenário externo é benigno. A gente tem uma inflação cadente. O CPI core americano já está rodando em 2%. O Fed está decidindo quando cair, mas não se ele vai cair.

Isso traz um ambiente para risco muito propício. A normatização dessas arbitragens dos créditos incentivados, que foi muito bem atacada pelo Banco Central, traz uma janela de oportunidade muito positiva, olhando um, dois, três anos à frente para a nossa indústria.

Então, eu acho que a gente está no início de um grande ciclo de investimento para ativos de risco. A Bolsa está muito barata sim. Eu acho que quem ficar de fora vai se arrepender. Você vê, o ano passado foi um grande exemplo. A Bolsa ficou praticamente de lado do mês de janeiro até outubro. Em dois meses, ela praticamente fez todo o rally. E só pegou quem estava investindo, só pegou quem estava na dor.”


Conheça nosso curso CVM 175 e Fiscalização de Fundos


A bolsa está barata?

 Bruno Garcia, Truxt Investimentos

“A bolsa está barata? Essa é uma discussão longa, com várias vertentes. Se você tentar entrar pela parte do PL, a gente está mais ou menos um ponto padrão abaixo da média histórica. Ok, é um número barato. Se pegarmos a relação do Brasil com os mercados, a gente está mais ou menos um desvio padrão abaixo da média histórica, e os mercados desenvolvidos também. Então, é como se a bolsa estivesse um desvio padrão abaixo da média histórica. Mas isso diz pouco. Quando você olha para o passado, a bolsa vem de estado abaixo da média histórica há um bom tempo.

E vem sendo um velho trap [armadilha]. É o barato que fica caro. Isso basicamente porque a gente passou, ao longo dos últimos anos, por um processo importante de revisões de lucro para baixo. E eu acho que esse é o fato principal que está mudando agora. A partir do segundo trimestre do ano, terceiro trimestre, a gente começou a ver um ponto de inflexão no mercado.

Os lucros começaram a melhorar. As empresas passaram pelo pior, fizeram ajustes e se adaptaram para um cenário um pouco mais difícil. E temos um PIB melhor no Brasil, um ambiente internacional melhor, um processo deflacionário acontecendo de forma importante e a renda das pessoas crescendo. Isso faz com que com que o mercado, ao olhar para frente, para 2024, comece a projetar lucros crescentes.

Então, o primeiro ponto é que o Brasil está barato, desde que esse cenário seja verdade e que a gente tenha passado por um ponto de inflexão de lucros.

Outro ponto que é importante é que o Brasil representa mais ou menos 0,4% das ações mundiais. Então, se tiver uma crise externa muito grande, seja porque os Estados Unidos aceleraram, seja porque teve uma crise na China muito grave – e eu estou um pouco preocupado com a China –, acho que vamos acabar arrastados para baixo, mesmo estando baratos.

E, por fim, a posição técnica, análise qualitativa e quantitativa do posicionamento dos investidores comprados e vendidos em um determinado ativo. Quando há posição técnica boa, o cenário externo melhor, múltiplos baratos, lucro passando por um ponto de inflexão e juros caindo, dá um conforto de que 2024 deve ser um ano melhor para a Bolsa.”

Quais são os riscos para este ano?

 Carlos Eduardo Rocha, Occam

“A primeira consideração importante ao falar sobre risco é que normalmente o que você elege como o maior normalmente não se apresentará como o maior risco. Os maiores problemas são os desconhecidos, que afetam a gestão. Então, todo mundo talvez vai chamar a atenção para a China, esse é um risco conhecido. Isso não impede, mesmo achando [em muitos casos] uma má ideia apostar contra a China, que eu esteja underrated como eu estou no setor de mineração e de siderurgia, porque eu acho que é um provável um pouco de queda e arrefecimento do mercado [por conta de eventual redução no consumo chinês.

Tem também o risco fiscal não só pela expansão do próprio governo federal, mas assim, o próprio Legislativo, o próprio Judiciário estão em um processo de expansão preocupante. Acho que a meta de inflação vai ser mudada pelo ministro Fernando Haddad, que está fazendo um belo trabalho, o mais tarde possível.

Sobre a sucessão do Banco Central, a gente já teve boas notícias em relação a isso com a indicação de pessoas técnicas para o BC, então eu acho que isso vai ser mais tranquilo do que se imagina.

Mas, infelizmente, quando discutimos queda de juros, falamos aqui dos juros irem para 8%, 9% no final desse ciclo. E com uma inflação cadente também aqui no Brasil, nós estamos também baixando as projeções, abaixo de 4%.

Ou seja, a gente está falando aí de juros reais de 4%, 5%. Acho isso frustrante ainda. A gente deveria estar discutindo aqui que 8%, 9% seria o teto de juros, não o pico de juros.

A taxa de juros é brutal, porque, se a taxa de juros é mais baixa, eu acho que nós, bons gestores, e a história brasileira confirma isso, conseguimos suplantar até o adicional que você ganha da incentivada.

Enfim, a bolsa brasileira está barata. Essa é uma condição necessária, mas às vezes não suficiente, porque os riscos do Brasil sempre são acima da média.”

Quem podem ganhar e perder com a inteligência artificial?

 André Caldas, Clave Capital

“Essa é uma pergunta de trilhões de dólares. Mas acho que lá fora as grandes empresas de tecnologia são bons lugares para se apostar, inclusive cloud e infraestrutura. Hoje, se eu olhar a Microsoft, eu não quero adivinhar. Em 2000, ninguém queria falar de Microsoft. Só era Google. Passaram 24 anos e seus números são fantásticos. E, mesmo com a venda de computadores caindo, o lucro da Microsoft não para de crescer.

O que a gente observa, e isso que é o lado interessante, é que a tecnologia ou a AI estão equalizando o campo. Com isso, às vezes, para a empresa que era muito boa no setor dela, vai trazer uma vantagem competitiva menor.

Vou dar um exemplo. Com tecnologia, a gente viu a Renner, depois de muitos anos, perder market share. Com tecnologia, o cara compra um business, um AI e consegue fazer uma logística melhor. Então, tem um aspecto positivo, ganho de produtividade e eficiência. Quem vai capturar isso na cadeia, não está tão claro ainda.”

Leias mais:

Papéis isentos de IR prejudicam concorrência, afirma gestor


Para continuar lendo, cadastre-se!
E ganhe acesso gratuito
a 3 conteúdos mensalmente.


Ou assine a partir de R$ 34,40/mês!
Você terá acesso permanente
e ilimitado ao portal, além de descontos
especiais em cursos e webinars.


Você está lendo {{count_online}} de {{limit_online}} matérias gratuitas por mês

Você atingiu o limite de {{limit_online}} matérias gratuitas por mês.

Faça agora uma assinatura e tenha acesso ao melhor conteúdo sobre mercado de capitais


Ja é assinante? Clique aqui

mais
conteúdos

APROVEITE!

Adquira a Assinatura Superior por apenas R$ 0,90 no primeiro mês e tenha acesso ilimitado aos conteúdos no portal e no App.

Use o cupom 90centavos no carrinho.

A partir do 2º mês a parcela será de R$ 48,00.
Você pode cancelar a sua assinatura a qualquer momento.