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Papéis high grade reduzem spreads e gestores de crédito reforçam cautela
Ordem é manter duration menor das carteiras, permanecer nos papéis de melhor rating, fazer caixa aguardando oportunidades e segurar o orçamento de risco
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O primeiro semestre foi marcado por surpresas relacionadas tanto ao juro americano, com o adiamento do início do corte na taxa, quanto à Selic, cuja previsão de chegar a um dígito no final do ano foi descartada pelo mercado. A inflação, por sua vez, converge para as metas, mas a um ritmo menor do que o desejado e com soluções preocupantes. Por outro lado, após um 2023 difícil, houve a retomada das emissões no mercado de capitais, que pode ser recorde. É neste cenário complexo que navegam os gestores de crédito privado.

A palavra cautela marca os discursos de executivos ouvidos pela Capital Aberto que veem uma enxurrada de recursos chegarem aos fundos de crédito e precisam dar um destino – seguro e rentável. Só no primeiro semestre, segundo dados da Anbima, fundos RF captaram em termos líquidos R$ 192,5 bilhões. O resultado é uma duration menor das carteiras, papéis high grade no foco, mesmo com retornos comprimidos, e a predileção por papéis corrigidos pela inflação e/ou CDI. Só mais recentemente, os títulos prefixados, voltaram a fazer algum sentido.

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Depois de um 2023 de secura, após o episódio das Lojas Americanas, este ano os mercados primário e o secundário de papéis privados voltaram a crescer e apresentar alternativas para a alocação dos gestores. Só no mercado secundário, que concentra boa parte das movimentações das assets neste ano, a movimentação das debêntures em junho bateu recorde com R$ 70 bilhões. Em debêntures incentivadas, isentas de imposto, foram mais de R$ 20 bilhões.


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“Este ano, estamos batendo recordes de fluxo positivo para os fundos de crédito, privilegiando produtos mais líquidos e de curto prazo, o que nos impõe o desafio de alocar os recursos”, comenta Henri Rysman, gestor e responsável pela área de Crédito Privado e Especialista em ESG do BNP Paribas, acrescentando que embora as emissões no mercado primário venham aumentando, o principal canal é o secundário. “Em junho, foram R$ 59 bilhões de emissões, mas a conta não fecha por que só 37% do volume chega a ser distribuído a mercado, o restante fica encarteirado. Tem uma seletividade maior dos alocadores, dos fundos, dos próprios investidores institucionais”, comenta. Em fevereiro, o percentual distribuído a mercado chegava a 74%. “Emissores e bancos coordenadores tentam alongar prazos e diminuir os spreads, mas tem um limite para aceitação.”

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Henri Rysman, gestor e responsável pela área de Crédito Privado e Especialista em ESG do BNP Paribas

Como o mercado primário não tem sido suficiente para atender a todo o fluxo de recursos que chega aos fundos de crédito, sobra o secundário que, em junho, teve o maior mês de sua história. Se na ponta compradora estão as assets, na vendedora estão as tesourarias que aproveitam o momento para se desfazer de ativos a um preço ainda interessante e abrir espaço para outros encarteiramentos. Na asset do BNP Paribas, uma alternativa para os fundos tem sido os ativos bancários, também com spreads apertados, porém seguros. “Tem cautela geral, até quem era high yield virou high grade, mas tem emissões vindo abaixo do mínimo, do break even. Somos uma casa super high grade e continuamos assim, mesmo com os desafios atuais para gerar retorno”, comenta Henri Rysman. Na visão do gestor, o momento é de ficar defensivo, reduzir a duration dos fundos, algo perto de 20%, e fazer caixa para aproveitar oportunidades mais à frente.

Cautela também marca os portfólios da XP como um todo, que estão usando somente 60% de seu orçamento de risco, segundo informou Artur Wichmann, diretor executivo de Investimentos da XP e presidente do Comitê de Alocação da XP Advisory Brasil, ponderando que “isso não significa baixo retorno, já que os ativos relativamente conservadores têm prêmio de risco alto”.

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Artur Wichmann, diretor executivo de Investimentos da XP

A predileção da casa, destaca Wichmann, é por alocações em renda fixa corrigida pela inflação mais juros. “O maior destruidor de portfólios é a inflação. Esses títulos satisfazem as duas condições, retorno e proteção”, disse o executivo durante apresentação do relatório “Onde investir”. Segundo o diretor executivo, historicamente, investimentos em papéis com esta característica apresentam retornos positivos e acima do CDI em 85% das janelas nos últimos dez anos.

Para o segundo semestre, afirmaram os executivos da XP no evento, a renda fixa brasileira segue como um porto seguro e rentável. A elevação do grau de risco dos portfólios deve ser gradual. Mayara Rodrigues, analista de Renda Fixa da XP, acrescenta que os prefixados, que eram os “patinhos feios” da renda fixa há alguns meses, são vistos como oportunidade pela casa. E que “os títulos que oferecem taxas próximas a 12% ao ano para duration de até dois anos são prêmios interessantes para esse indexador”. A XP não tem a alta de juros doméstico como cenário-base. Quando o assunto é especificamente papéis de crédito privado, a XP tem visão neutra devido aos spreads comprimidos. “Entendemos ser ideal optar por títulos de empresas com boa qualidade de crédito”, diz em relatório.

Na visão da Sparta, casa especializada em renda fixa e crédito privado,  as perspectivas do mercado seguem favoráveis, com o retorno real dos ativos indexados ao CDI ou ao IPCA na linha de frente. Em termos de preço, a gestora pondera que os ativos não estão uma barganha, mas também não estão distorcidos. “Com a grande demanda por fundos de crédito privado dos últimos meses, os spreads estão menores. Atualmente, não vemos compressões de spread expressivas, de forma generalizada, no curto prazo. Podem existir oportunidades em nomes ou casos específicos”, comenta Ulisses Nehmi, CEO da Sparta.

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Ulisses Nehmi, CEO da Sparta

Na busca por retorno para os fundos de crédito privado, a casa tem sido menos conservadora na análise dos papéis do que outras assets. Nehmi cita que a diferença de remuneração entre emissores com rating A e AAA está num nível bastante elevado. “No rating A, tem que tomar mais cuidado, mas podem ter boas oportunidades, e ainda estamos no high grade – empresas sólidas, com boa governança e musculatura financeira”, comente ao CEO. “Entendemos que o high yield costuma ter ratings menores que BBB e/ou remunerações acima de 3,0% sobre o soberano. Atualmente preferimos a relação de retorno/risco do high grade.” Sobre os prazos, informa que na margem, estão sendo reduzidas as durations. “Com os níveis de spreads atuais, não vemos uma relação de retorno/risco atrativa para alongar prazos.”

Na visão da gestora, há um equilíbrio entre oferta e demanda, o que  proporciona um carrego adequado das carteiras por mais tempo. Em relatório, a Sparta afirma que segue observando a certa distância as emissões primárias, sobretudo com rating AAA e prazos mais longos. “Tipicamente, as ofertas primárias com rating AAA, independente do instrumento, estão com spreads mais baixos do que gostaríamos, e não temos alocado. Temos visto boas oportunidades nos ratings AA e A, tanto no primário como no secundário”, comenta o CEO.


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