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Gestoras passam por rigorosa avaliação para atender fundos de pensão
Além dos requisitos mínimos de patrimônio, tempo de atuação e desempenho, as fundações recorrem a análises minuciosas da equipe, filosofia e forma de trabalho das instituições
Rainielson dos Santos Faustino, gerente executivo de Fundos de Fundos e Macroalocação da Petros
Rainielson dos Santos Faustino, gerente executivo de Fundos de Fundos e Macroalocação da Petros

Muito cobiçados pelas gestoras devido ao seu grande volume de recursos, crescimento sustentável e diversificação de investimentos, boa parte dos fundos de pensão terceiriza parte de sua gestão no âmbito dos investimentos, compartilhando a administração de seus recursos e/ou a decisão do quanto alocar em cada tipo ou segmento.

É o que revela o Diagnóstico de Investimentos das Fundações, elaborado pela Mercer. Segundo o estudo, em 2023 mais da metade (54%) das Fundações que responderam ao levantamento contratam gestoras para a administração de recursos. Já quanto ao asset allocation, 57% delas ainda concentram a decisão de alocação de maneira interna.

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Entre as instituições que mantêm o asset allocation interno está a Vivest, fundo de pensão multipatrocinado com cerca de R$ 38 bilhões sob gestão, cuja estratégia é feita por meio dos comitês da entidade. Em contrapartida, aproximadamente 3% desse patrimônio fica alocado em diferentes tipos de ativos que são gerenciados externamente por gestoras.


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“Nossa alocação externa é relativamente baixa. Desses R$ 38 bilhões: temos um produto que compra cotas de multimercado, e nessa estratégia temos aproximadamente R$ 400 milhões; temos estratégias no exterior e renda fixa, que também compra cota de fundo lá fora, aproximadamente uns R$ 300 milhões; em renda variável também aproximadamente uns R$ 300 milhões, e temos terceirização em fundos imobiliários também”, comenta o diretor de Investimentos da Vivest Jorge Simino.

Jorge Simino Junior, diretor de Investimentos da Vivest
Jorge Simino Junior, diretor de Investimentos da Vivest

A entidade possui um fundo imobiliário feito “in house”, em treinamento, e um fundo imobiliário exclusivo que compra cotas de outros fundos. “Se a gente somar todas essas terceirizações, elas vão dar aproximadamente R$ 1 bilhão, R$ 1,2 bilhão. O resto é gestão ‘in house’”, diz Simino.

Enquanto isso, outros fundos de pensão de grande porte como a Petros apostam na terceirização em ambos os casos, estratégia de alocação e gestão de recursos. “Na gestão terceirizada, atuamos tanto pela seleção direta de gestoras pela Petros quanto pela escolha de alocadores que serão responsáveis pela seleção das gestoras”, diz Rainielson dos Santos Faustino, gerente executivo de Fundos de Fundos e Macroalocação da Petros. Atualmente, aproximadamente R$ 8 bilhões dos recursos estão alocados em gestão terceirizada, o que representa cerca de 7% do patrimônio total da Fundação, de R$ 130 bilhões. “A maior parcela dos investimentos é, portanto, gerida internamente na Petros, que conta com uma sólida estrutura de governança de investimentos, composta por processos robustos e equipe qualificada e experiente”, acrescenta Faustino.

A estratégia parece render bons frutos à entidade que, em 2023, registrou o melhor resultado dos investimentos desde 2019, com rentabilidade de 12,6%, quase três pontos percentuais acima do objetivo médio, de 9,7%, considerando o consolidado de todos os planos que administra.

“Reconhecemos a complementaridade entre estratégias de gestão passiva, gestão ativa, gestão interna e gestão terceirizada na busca dos melhores resultados para os investimentos”, comenta o gerente executivo de Fundos de Fundos e Macroalocação da Petros.

Segmentos terceirizados

Faustino afirma que a Petros conta com a expertise de gestores externos na busca dos melhores resultados para os investimentos. Ou seja, compartilha a gestão e definição da distribuição dessa parcela de recursos do fundo entre diferentes classes de ativos. “Além disso, nas estratégias de investimentos no exterior e multimercado estruturado, contamos com a expertise de seis alocadores responsáveis pela seleção das gestoras. Acreditamos no processo de transferência de conhecimento com esses alocadores, o que fortalece nossos processos internos.”

A Petros direciona aos alocadores apenas seus investimentos no exterior e os fundos multimercado com foco em expansão. “Esses produtos são complementares às estratégias com ações, crédito, renda fixa e multimercado, seja da nossa gestão ativa interna ou externa”, diz o gerente executivo de Fundos de Fundos e Macroalocação.

A entidade acredita que a diversificação de estratégias, gestores e alocadores contribui para a construção de portfólios equilibrados e que, no longo prazo, constitui uma relevante geração de alfa. Além disso, segundo Faustino, a seleção de alocadores permite o acesso a diferentes estratégias e gestores qualificados e com processos robustos.

Para a Vivest, que terceiriza a gestão de multimercados, fundos imobiliários, e renda fixa e renda variável com exposição ao exterior, a terceirização é uma questão de produto e momento. “Por exemplo, há 10 anos, tínhamos muita terceirização em renda variável. Depois, diminuímos a alocação e então chegamos à conclusão que talvez o montante que a gente tinha não era relevante para o terceirizado”, aponta Simino. “Porque, para nós, quando fazemos uma terceirização é importante não simplesmente capturar o retorno, nós encaramos como parceria. Claro, dentro dos limites de conflitos de interesse e tudo mais.”

Em relação aos segmentos, para os multimercados, a terceirização é uma questão de legislação, relacionada à Resolução CMN n° 4.994. “Se você quiser investir em um multimercado estruturado, que é de roll mais alto, se bem que a gente limita aqui, ele tem que ser produto aberto, então, a terceirização é inevitável”, comenta o diretor de investimentos da Vivest. Já com relação aos FIIs, a questão é a praticidade, já que há uma gama enorme de produtos para acompanhar e a equipe interna é enxuta. Já para os investimentos no exterior, a terceirização é inevitável porque não compram ativos direto lá fora, e sim a cota de um fundo de um gestor que passou por todo esse processo. “É muito complicado escolher ativo por ativo lá fora, então, qual é a solução? A gente escolhe o gestor, dado o seu histórico, e fim. Inclusive, para isso, temos uma consultoria que acompanha os produtos que a gente quer lá fora”, aponta Simino.

Embora haja a contratação de uma consultoria, ela atua apenas para o investimento no exterior, fornecendo uma gama de dados, enquanto a Vivest mantém as decisões de maneira mais interna. “A gente contrata não para ela dar recomendação A ou B. Ela nos fornece os dados e a decisão é nossa”, conta o diretor de investimentos.

A escolha e os requisitos

Para a Petros, os critérios de seleção aplicados variam conforme as estratégias, mas entre os pontos relevantes para o início da avaliação, estão o patrimônio e o histórico de desempenho da gestora, geralmente dos últimos 4 anos. A fundação conta com uma política de seleção de gestores terceirizados de fundos de investimentos baseada em critérios quantitativos e qualitativos, operacionalizada pela área de investimentos. O processo de seleção envolve também as áreas de Riscos, Compliance, Controles Internos e Jurídico das gestoras, do administrador e da Petros.

“No âmbito qualitativo, destacamos como fatores relevantes a estrutura do passivo, a equipe da gestora, a filosofia de trabalho e o processo de investimentos. Dada a relevância do nosso porte e o tamanho dos mandatos internos, todas as gestoras contratadas passam ainda por aprovação obrigatória da Diretoria Executiva, com avaliação do nosso Comitê de Investimentos, que conta, inclusive, com membros independentes”, comenta Faustino.

Segundo o executivo, a equipe interna é responsável por um acompanhamento bastante aprofundado do que é implementado, tanto na produção de relatórios internos quanto na condução das reuniões periódicas de resultado e de cenário. “Procuramos extrair o máximo dos gestores sobre todas as posições relevantes detidas pelos fundos”, diz.

Já para fazer parte do processo da Vivest, primeiramente, é preciso ter um histórico de pelo menos três anos e um patrimônio acima de R$ 500 milhões.

O processo de escolha das gestoras é feito pela equipe da entidade e está atrelado a uma série de critérios mais qualitativos do que referentes a preço. Primeiro, há uma avaliação quantitativa feita pela área de risco, que reporta diretamente ao presidente, em relação a risco, retorno, volatilidade e outros indicadores, gerando uma nota vai pesar 30% na avaliação do gestor; posteriormente, a área que está fazendo a terceirização, seja renda fixa ou variável, faz uma análise qualitativa com a aplicação de um questionário que permite analisar a equipe, como ela trabalha, há quanto tempo trabalha junto, e outros aspectos mais relativos ao processo decisório, resultando em uma nota que terá peso de 70% na decisão final. Após o fechamento das notas, os concorrentes que tiverem bons resultados são procurados pelo fundo de pensão.

“Nós vamos pedir preço só pra quem tem a nota acima da média. Qual é a lógica desse processo? Se eu o fiz de forma adequada, todos que têm uma nota acima da média, a princípio, estão aptos a me prestar um bom serviço. Então, para esses, pedimos preço, porque aí é que a precificação vai fazer diferença. Mas ela faz diferença só depois do processo da avaliação”, aponta Simino.

Enfim, há a questão da governança. Um relatório sobre a intenção de terceirização de determinada área e todos as análises realizadas é enviado à diretoria executiva, ou seja, o presidente, o diretor administrativo, a diretora de Seguridade, e a proposta é aprovada.


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