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ETFs de gestão ativa avançam nos EUA, mas seguem distantes do Brasil
Duas décadas após o primeiro ETF na B3, diversificação dos produtos é ponto alto, mas uma maior sofisticação deve vir em outro momento
Gabriela Shibata, gerente de Produtos Cash Equities da B3
Gabriela Shibata, gerente de Produtos Cash Equities da B3

Os fundos de índices (ETFs), negociados em bolsa, somam duas décadas no mercado brasileiro com avanços principalmente na diversificação dos produtos. Desde que o primeiro ETF chegou à B3 pelas mãos da Itaú Asset em 2004, com o tíquete PIBB11, o leque de opções foi sendo ampliado e inclui ETF de renda variável, renda fixa, criptoativos, commodities, de fundos imobiliários e a novidade deste ano, os que pagam dividendos. Todos são ETFs de gestão passiva, de baixo custo e que seguem um índice de referência, sem muito trabalho para o gestor. No mercado americano, os ETFs que ganham espaço são os de gestão ativa, uma novidade sem prazo para desembarcar no país.  

O leque de diferentes tipos de ETFs na B3 vem sendo constantemente ampliado, mas é ainda muito distante da sofisticação e do tamanho do mercado americano. Na B3, há um total de 98 ETFs listados e de 232 BDRs de ETFs. Entre 2019 e 2023, o número de investidores multiplicou por cinco, chegando a 500 mil. O volume médio diário negociado, na mesma base de comparação, foi de R$ 600 milhões para R$ 1,4 bilhão. Em janeiro deste ano, o volume sob gestão estava em R$ 48 bilhões, somando ETFs e BDR de ETF.


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Apesar do expressivo avanço, há um longo caminho a percorrer. No mercado americano, segundo dados da Bolsa de Nova York (Nyse), são 3.407 ETFs com US$ 8,4 trilhões de ativos sob gestão ao final de 2023. A diversificação é muito maior também, com os ETFs ativos ganhando espaço, assim como outros produtos complexos, como os ETFs que simulam, ou acompanham, posições vendidas em bolsa (long).

“Desde que o primeiro ETF saiu, temos trabalhado para divulgar o produto e autorizar novos modelos, sempre ampliando o leque de ofertas”, comenta Gabriela Shibata, gerente de Produtos Cash Equities da B3. “Acompanhamos as tendências de mercado, necessidades dos investidores e, se falta algo em nossa prateleira, estimulamos a oferta por algum emissor.” O movimento mais recente da B3 em parceria com a Nu Asset, do Nubank, foi lançar o primeiro ETF que paga dividendo do mercado brasileiro, o Nu Renda Ibov Smart Dividendos (NDIV11). “É assim que temos trabalhado, olhando o apetite do mercado e, em conjunto com os players, estimulado a diversificação.”

Sobre a possibilidade de que os ETFs de gestão ativa cheguem ao Brasil, Gabriela pondera que há algo semelhante na B3. “Quando a gente olha no mercado americano, isso acaba gerando uma certa confusão. Eles chamam de ETFs uma gama maior de produtos, que não são necessariamente apenas os fundos de índices. Fazendo um paralelo, o ETF ativo no mercado americano se assemelha aos nossos fundos (FIA) listados, com gestão ativa, porém fechados”, explica Gabriela. “Estamos sempre olhando outros mercados, como o americano, que é mais maduro, tem uma jornada mais longa na linha do tempo. É preciso entender em que momento podemos incorporar estruturas diferentes, se tem demanda. São discussões que a gente acaba sempre tendo com a indústria e com os reguladores para entendermos o timing”, comenta a executiva da B3 se referindo à possibilidade de ETFs ativos no Brasil.

O CEO da Picea Value Investors, um family office baseado em Nova York, Norberto Zaiet, explica que no mercado americano a segmentação dos ETFs é muito grande e que, neste momento, os de gestão ativa são os que chamam a atenção. “São ETFs que seguem ou estão vinculados a uma série de regras, com movimentos de mercado a serem feitos já definidos. Se está planejado que a queda ou alta de determinado grupo de ações exigirá compra ou venda de certos papéis, ele vai ativamente executar”, explica Zaiet. “Tem fundos ETFs ativos que replicam a estratégia de fundos mútuos, fechados, e movimentam a carteira, diferente de um produto passivo, mas replicando movimentos de outro fundo.” O executivo lembra que, neste caso, o ETF de gestão ativa se beneficia ao replicar os movimentos do outro fundo, mas com custos muito menores, característica dos ETFs.

“É um mercado muito diferente do brasileiro, pela diversificação enorme de ETFs e pelo volume também. Os ETFs que replicam estratégias, e não índices, fazem gestão ativa e ganham espaço por aqui”, comenta Zaiet. “No mercado americano sempre surge um ETF novo, a SEC está constantemente aprovando novos veículos e formatos. É muito dinâmico. Os ETFs passivos têm mais liquidez e um volume maior, mas os ativos são os que mais crescem.” No final de 2023, os ativos sob gestão para ETFs ativos aumentaram 55% em relação ao ano anterior. Cerca de 75% de todos os novos ETFs lançados em 2023 foram geridos ativamente.

Na visão de Marcelo Arnosti, estrategista-chefe de Multimercados, Renda Variável e Offshore da BB Asset, a indústria do ETF no Brasil tem espaço para crescimento ainda importante. “Teve evolução nestes 20 anos, mas há um belo caminho a ser percorrido”, comenta Arnosti. “Em um ambiente com condições macro mais estáveis, juros mais baixos, a maturidade dos investidores do mercado de capitais se eleva e os ETFs vão ganhar espaço nos portfólios, particularmente nos investidores institucionais.”

A BB Asset tem hoje oito ETFs listados na B3, sendo dois de renda fixa e o restante de renda variável, replicando índices de setores como agro, milho, e o mais recente, o BB ETF IDIVERSA B3 IS, que acompanha o índice de diversidade da bolsa. Sobre a ampliação no leque de ofertas, Arnosti diz que é importante identificar se há demanda para novas estruturas. “Estamos constantemente buscando verificar quais são aqueles temas que podem ter interesse para o nosso cliente, para a pessoa física, tentando identificar o que falta no mercado. É hoje muito difícil comparar com a experiência internacional, que tem uma quantidade de ETFs de temas específicos enormes.”

Sobre a possibilidade de que os ETFs de gestão ativa cheguem ao Brasil, o executivo da BB Asset comenta que em uma reunião na gestora o tema já foi falado, mas que não há nada de concreto. “A verdade é que do ponto de vista estratégico, acho que a gente precisa ainda evoluir os ETFs passivos, mais tradicionais. O conjunto de ETFs ainda tem que crescer bastante para depois completar esse quadro e pensar em ETFs mais complexos, como os de gestão ativa”, comenta. Marcelo Arnosti cita como exemplo de sofisticação, ETFs que ficam vendidos em determinados papéis ou índices, replicando um lado de posições Long & Short, mencionando o ETF SDS – 1X short S&P500 ou o SQQQ – 3x short Nasdaq 100. “É um outro mercado, mais complexo. Mas na BB Asset estamos sempre avaliando possibilidades, identificando demanda para lançar produtos que façam sentido ao mercado local.”


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