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Crédito privado é a bola da vez das gestoras
Num ambiente econômico cada vez mais restritivo, por conta dos juros altos, os títulos de créditos privados, como debêntures e certificados de recebíveis, têm ganhado cada vez mais espaço no portfólio dos investidores
Alexandre Coutinho, sócio do Patria Investimentos. Crédito: Patria Investimentos
Alexandre Coutinho, sócio do Patria Investimentos.
Crédito: Patria Investimentos

O cenário de juros elevados por mais tempo tem freado a liquidez em ativos de risco, como a Bolsa, por exemplo. Com isso, as empresas buscam alternativas de crédito para financiar projetos ou pagamentos de dívidas. Na dianteira da corrida de risco/retorno, o crédito privado tem sido a preferência das gestoras.

Num ambiente econômico cada vez mais restritivo, os títulos de créditos privados, como debêntures e certificados de recebíveis, têm ganhado cada vez mais espaço no portfólio dos investidores.

Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que o volume de ofertas em renda fixa soma R$ 239,61 bilhões no acumulado de 2024, levando em consideração até o mês de maio.


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Do total, a maior demanda é por debêntures, que apenas em maio totalizou R$ 49,4 bilhões, o que comprova que as empresas têm buscado alternativas aos bancos, diante dos juros altos, já que neste tipo de operação os títulos são lançados com custo muito mais baixo.

Para a presidente da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP), Priscila Rodrigues, a vantagem do crédito privado é que ele pode ser um instrumento híbrido, ou seja, features de equity, features de dívida. “O crédito privado consegue pegar um pouco da originação das empresas que estão buscando alternativas para sua estrutura de capital, ou alocação. Então, o ambiente de negócios passa a ser muito propício para crédito privado”.

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Priscila explica que a iniciativa por parte das companhias é ótima porque ajuda a desenvolver a indústria de crédito privado no Brasil, que ainda é muito incipiente quando comparado a outros países.

“Dentro da classe de capital privado, que gente tem no resto do mundo, tem muito caminho para andar. Então, não à toa, tem gente que continua levantando fundo. Tem gente que continua apostando bastante nessa estratégia (crédito privado)”, diz a presidente da ABVCAP. 

Indagada sobre se algum produto pode se destacar no crédito privado, seja debênture ou certificados de recebíveis, Priscila ressaltou que a penetração desse segmento é tão baixa que ainda não há nenhum subsegmento que esteja maturado.

Como a roda gira

Durante evento da ABVCAP, realizado na semana passada, o CEO da Vinci, Alexandre Horta, disse que a gestora está apostando alto no mercado de crédito privado, que movimenta mais de US$ 1 trilhão em todo o mundo.

Segundo ele, uma gestora brasileira precisa se colocar na dianteira no crédito privado, já que o Brasil representa 60% desse mercado na América Latina. “É natural que uma empresa brasileira lidere esse processo. É necessária uma associação para quem traz uma referência local, por isso a nossa parceria com a Compass é importante”, comenta Horta.

Recentemente, como forma de ganhar musculatura nesse segmento, a Vinci anunciou duas parcerias. Uma é com a americana Ares, que passou a deter 15% de uma das maiores gestoras independente do país. Já a outra parceria, anunciada em março deste ano, foi a fusão com a Compass, uma gestora americana especializada em operações na América Latina.

“Acreditamos numa continuidade de crescimento de consolidação da indústria. O mercado é muito difícil, por isso a importância de parcerias”, ressaltou o executivo durante o evento. Na visão de Horta, o crédito privado é uma oportunidade também por causa das questões regulatórias e de toda a tecnologia que está por trás.

O CEO da Vinci fez questão de ressaltar que não basta ter uma estratégia de diversificação, mas que o retorno é fundamental para a perpetuidade do negócio. “O mercado de crédito privado oferece as melhores oportunidades, mas a nossa oportunidade é na América Latina. O Brasil tem uma concentração de ativos nos bancos que é grande, por isso acreditamos nessa oportunidade. Não dá para especificar a modalidade. No meio do caminho tem absolutamente tudo.”

Já o Patria Investimentos, que possui R$ 5,9 bilhões em crédito privado na América Latina, e é focado neste segmento, vê nesse ambiente global de juros altos uma oportunidade de expansão, segundo o sócio da gestora, Alexandre Coutinho.

De acordo com o executivo, o setor do agronegócio apresenta uma grande oportunidade, em função da queda das commodities e pela expectativa de uma retomada lenta. “Nessa distorção do juro alto, principalmente aqui, acaba criando uma oportunidade no mercado de dívida privada. Não podemos considerar crédito para as nossas próprias empresas, mas conseguimos usar uma estrutura e proporcionar o risco retorno muito acentuado, já que houve queda de spreads”, explica Coutinho.

Além do mercado interno, o sócio do Patria também vê oportunidades no mercado mundial como um todo, embora reconheça que a atratividade maior do crédito esteja internamente. “Eu diria que, hoje em dia, é mais fácil investir em crédito estruturado do que no mercado líquido, apesar da dificuldade de convencer o investidor de comprar barato e vender caro. Ele (investidor) gosta de investir quando a Bolsa está lá em cima, quando o mercado está hiper líquido”.

A mudança da indústria  

Apesar de o juro alto ser um atrativo e tanto para o crédito privado, o CEO da Sparta, Ulisses Nehmi, lembra que as mudanças regulatórias recentes, como as carências mínimas maiores para Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) ajudaram no desenvolvimento desse mercado.

Leia também: Mudanças nas regras de LCIs e LCAs tem pouco efeito para investidor

“Tinha muita gente que estava usando reserva de liquidez nesse tipo de título. A partir do momento que você não tem mais essa possibilidade, ou que fica mais complicado ter esse tipo de título, a gente começa a ver uma migração em massa, como uma redução de estoque de LCI e LCA e um aumento significativo dos recursos aplicados em fundos, principalmente aqueles D0, D1, D5, que são os fundos com liquidez imediatas”, afirma Nehmi.

O CEO da Sparta, que possui quase R$ 14 bilhões sob gestão, praticamente tudo alocado em crédito privado, ressalta que o mercado de debêntures incentivadas, por exemplo, teve uma compressão significativa nos spreads, principalmente com rating triplo A, que é onde os fundos compram mais.

Por outro lado, Nehmi diz que as debêntures com rating duplo A, duplo A-, de maneira geral, estão com spreads bastante atrativos, inclusive com uma diferença grande na comparação com rating triplo A.

“Para os gestores mais especialistas, que conseguem tomar um pouquinho mais de risco de crédito, que tem estrutura para isso, você tem muito mais oportunidades nesse mercado. Então, é uma coisa que a gente está bem animado, exatamente por causa dessa diferença grande, que é onde a gente entende que consegue agregar valor para os investidores”, conta Nehmi.

Por causa desse cenário, a Sparta tem optado por alocar mais em ratings um pouco menores porque é onde tem uma vantagem maior, onde não tem um fluxo de manada distorcendo o preço. “Obviamente, quando a gente vai para ratings um pouco menores, os prazos também não são tão longos assim. Com isso, você toma um pouco mais de risco de crédito, mas com prazos mais curtos você compensa isso”, finaliza o CEO da Sparta.


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