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Mercados sucumbem ao pessimismo com inflação americana
Indicador CPI acima do esperado derruba bolsas, eleva dólar e juro futuro e faz economistas questionarem próximos cortes na Selic
Inflação nos EUA, Mercados sucumbem ao pessimismo com inflação americana, Capital Aberto

A reação imediata dos mercados aos dados da inflação americana, medida pelo CPI (Consumer Price Index) divulgado nesta quarta-feira (10), não poderia ter sido pior com recuo no mercado acionário, alta do dólar e da curva de juros no mercado futuro. Nem mesmo o IPCA de março, em linha com a mediana das expectativas, conseguiu acalmar os ânimos e impedir um contágio imediato das expectativas. A cautela do Banco Central (BC) expressa na ata da última reunião em que a Selic caiu meio ponto, a 10,75% ano, deve ser reforçada, avaliam economistas. Projeções de uma taxa terminal na casa dos 9% ao final de 2024 também deve passar por revisão. A inflação americana adicionou incerteza à trajetória projetada para o juro doméstico.

O IPCA de março, divulgado pelo IBGE, ficou em 0,16%, melhor do que as expectativas do mercado. A surpresa positiva, comenta Lucas Barbosa, economista da AZ Quest, foi o setor de serviços. “A alta de 0,10% de serviços em março, contra 0,17% da nossa projeção, é importante, com destaque para a parte do serviço subjacente que veio 0,45%, também abaixo dos 0,56% que esperávamos”, comenta.


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O CPI dos EUA subiu 0,4% em março, acima de 0,3%, que era o consenso do mercado. Em 12 meses, a inflação agora acumula alta de 3,5%, acelerando frente aos 3,2% do mês anterior. O chamado Supercore (Núcleo de Serviços excluindo a inflação de housing/moradia) foi o item que mais surpreendeu negativamente. “O número efetivo veio em 0,65% no mês, levando a média móvel de 3 meses de 6,85% para 8,16% em termos anuais. Esse componente é o mais preocupante da inflação americana por conter itens de mão de obra intensiva e mais intimamente ligados ao mercado de trabalho”, explica Juliano Camargo, também economista da AZ Quest. “De forma geral, a narrativa das duas últimas reuniões do FED de que o processo de normalização monetária (queda de juros) poderia começar ainda no primeiro semestre não foi corroborada pelos indicadores de inflação e mercado de trabalho, e tal queda nos juros deve ser postergada para o segundo semestre – se é que aconteça ainda esse ano.”

O economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Gonçalves, resume o sentimento que tomou conta de diversos mercados com a resiliência da inflação americana. “É ruim para a gente porque os juros deles é que mandam.” Com um cenário mais nebuloso para os fed funds, às 13 horas o Ibovespa recuava 1,29%, aos 128 mil pontos. No mercado americano, Dow Jones caia 1,22%, e S&P 500, recuava 1,16%. 

Sobre os dados do CPI divulgados nesta quarta, Gonçalves chama a atenção para um indicador em especial, o de aluguel, que representa perto de 35% do indicador e está em queda. “Se mesmo com a queda doa aluguel, que tem peso tão elevado, a inflação continua andando, é porque os demais componentes estão avançando e muito, o que é preocupante”, explica o economista-chefe do Fator. Sobre o IPCA, Gonçalves também é cauteloso citando a queda nos preços industriais pode não se manter. “Política monetária restritiva por mais tempo vai elevar a curva de juros lá fora, que reflete na taxa de câmbio, com alta do dólar e encarece produtos aqui, sem falar ainda na defasagem no preço da gasolina que terá que ser resolvido.”

No pregão, os contratos de juros futuros (DIs) fecharam em alta, ignorando o IPCA menor e olhando para o CPI americano. As taxas dos contratos para 2025 ganharam mais de 2 pontos-base, a 10,02% e os DIs para 2027, subiram mais de 2 pontos também, a 10,51%. O dólar futuro encerrou em alta de 1,15%, a R$ 5,06. “Todos vão fazer seus ajustes em virtude do novo cenário. Na próxima reunião um corte de meio ponto na Selic deve ocorrer, depois talvez um de 25 pontos, mas, além disso não dá para visualizar.”


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