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Acesso mais restrito a papeis isentos e Selic em queda redirecionam investimentos
Poupança segue perdendo recursos enquanto fundos de investimentos, puxados ainda pela categoria renda fixa, ensaiam recuperação
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O movimento de queda da taxa Selic, cuja previsão é encerrar o ano próxima de 9%, ao mesmo tempo em os mercados retardam a previsão de corte no juro americano, tem tido dois efeitos no mercado brasileiro. Na renda variável, com a saída de recursos estrangeiros, os papeis têm um desempenho abaixo da expectativa inicial para a bolsa. Na indústria de fundos, que perdeu patrimônio nos últimos anos, o começo de 2024 sugere recuperação, puxada pelos fundos de renda fixa.

“A Selic está em queda, mas ainda é alta. Além disso, há fundos de crédito privado com bons papeis e outros de gestão ativa que buscam incrementar o retorno ao acionista. É o que está puxando a indústria de fundos até aqui”, comenta Marilia Morais, head de Produtos da SulAmérica Investimentos. Outro ponto importante no movimento de recursos na direção de fundos, pontua Marilia, é o aperto das regras para a emissão de papeis incentivados, como LCI, LCA, CRI e CRA. “Com menos papeis livres de imposto disponíveis, o investidor busca alternativas e a indústria de fundos é uma opção.”

Depois de um 2023 de perda de patrimônio, principalmente pelos multimercados, os fundos de investimento registraram captação líquida positiva de R$ 34,2 bilhões em fevereiro, ante perda de R$ 16 bilhões em igual período do ano passado, segundo dados da Anbima. No acumulado de janeiro e fevereiro, o ingresso líquido de recursos nos fundos chega a R$ 85 bilhões, frente a um desempenho negativo de R$ 38,4 bilhões no mesmo período do ano passado.

No boletim da Anbima, Pedro Rudge, vice-presidente da entidade, associa juros em queda, mas ainda altos, e as novas regras dos incentivados ao início da recuperação dos fundos. “Os resultados de fevereiro mostram que, apesar da trajetória descendente da taxa de juros, o atual patamar da Selic mantém os fundos de renda fixa atrativos para o investidor”, comenta Rudge. “Mudanças regulatórias recentes que aumentaram a simetria tributária entre os produtos de investimento também tendem a beneficiar esses fundos. Com uma menor oferta de títulos isentos, é natural que o investidor avalie outras opções de alocação de recursos e os fundos de renda fixa podem ser uma alternativa interessante que proporciona liquidez.”

A categoria renda fixa foi a que impulsionou o desempenho da indústria em fevereiro, com captação líquida positiva de R$ 42,7 bilhões. O destaque negativo segue com os fundos multimercados, que tiveram resgates líquidos de R$ 5,9 bilhões em fevereiro, após saídas liquidas  bem mais expressivas em janeiro, de R$ 16,5 bilhões

Gestoras puxam o freio

Um dos efeitos negativos dos últimos anos, segundo o Mapa dos Fundos no Brasil, elaborado pela plataforma de informações financeiras Nelogica/Comdinheiro, é a queda na criação de fundos de investimentos. Dois anos de captações negativas colaboraram para que gestoras puxassem o freio. Com o cenário menos favorável, foram criados 3.244 novos fundos em 2023, uma queda de 9,26% na comparação com o ano anterior.


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“Vindo de anos difíceis e taxa de juros elevada, o investidor acaba ficando mais acomodado nos produtos tradicionais como CDBs e tesouro direto, por exemplo, e deixa de buscar por alternativas mais sofisticadas como os fundos multimercados”, explica Filipe Ferreira, diretor da Nelogica, provedora de tecnologia para investimentos da América Latina, que em 2022 adquiriu a Comdinheiro.

“Os juros mais altos desencorajam os gestores a criarem fundos. A gente viu uma queda bastante expressiva na criação de multimercados, de 2.314, em 2022, para 1.963, em 2023. Por outro lado, os fundos de renda fixa aumentaram de 577 novos produtos, em 2022, para 721 no ano passado.

Saída de recursos da poupança

Dados divulgados pelo Banco Central (BC) confirmam a continuidade dos saques líquidos da caderneta de poupança. Em fevereiro de 2024, a perda líquida foi de R$ 3,8 bilhões, após um janeiro no vermelho, com saídas de R$ 20,1 bilhões. Os números, na visão de Marília Morais, da SulAmérica, não estão ligados apenas à necessidade de recursos para pagar dívidas, mas também a uma mudança estrutural. “Os números deste ano mostram desaceleração nos saques, mas eles devem continuar. O brasileiro vem aprendendo sobre alternativas de investimento, tendo acesso a produtos mais baratos e às facilidades das plataformas. Os saques não são pontuais, mostram uma tendência.”

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Em 2023, as saídas de recursos da poupança já haviam superado as entradas em R$ 87,8 bilhões. Nos últimos doze meses, até fevereiro, em apenas dois meses a poupança obteve mais aplicações do que resgates –  junho e dezembro.  “Consideramos que a tendência de saída da poupança permanece, com a sua menor rentabilidade oferecida frente a outros tipos de investimentos bem como para atender às necessidades financeiras dos brasileiros, que ainda seguem endividados no cenário atual”, consta de relatório da XP Investimentos.

Como resultado, o saldo dos depósitos em poupança encerrou fevereiro em R$ 969,6 bilhões (que inclui R$ 5,3 bilhões de rendimentos). O estoque já chegou a ultrapassar R$ 1 trilhão em 2020 e 2021, quando começou a ser reduzido pelos saques dos investidores superando as aplicações. Na visão da XP, considerando a taxa Selic em 11,25%, a aplicação em caderneta de poupança é menos atraente em relação a outros investimentos.


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