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“A gente tem no nosso DNA ser a Interdealer Broker e continuar independente sem conflito de interesse com empresa bancária.”
Alexandre Jahnecke, diretor de Operações Digitais da CM Capital
Alexandre Jahnecke, diretor de Operações Digitais da CM Capital

Que o mercado de capitais brasileiro evoluiu muito nos últimos anos não há dúvida, que o perfil do investidor e os parâmetros para investir também não. Mas o que isso quer dizer? Que a exigência aumentou tanto para quem oferece produtos quanto para aqueles que buscam as novas formas de investir. Neste novo ambiente de alta competitividade, uma empresa tradicional vem se destacando. Com mais de 40 anos de mercado, sendo 30 apenas no Brasil, a CM Capital, de origem espanhola é a maior corretora independente do Brasil e tem hoje no mercado institucional e no varejo suas principais linhas de negócio.

De acordo com o diretor de Operações Digitais da corretora, Alexandre Jahnecke, apesar de o momento conturbado do ponto de vista macroeconômico, a empresa está otimista com o Brasil, mas com os pés no chão.

“Quem olha a CM Capital, mais ou menos um ano atrás e observa hoje vê muitas mudanças. No último mês, se não me engano, foram 15 emissores que nós trouxemos. Não foram quaisquer emissores. São bons emissores em que a gente acredita que, apesar da indústria de fundos não estar tendo um bom desempenho em 2024, esses emissores são ótimos”, diz o executivo.

Na entrevista à Capital Aberto, além do momento da empresa, Jahnecke falou sobre o investidor estrangeiro, Banco Central (BC), eleições americanas e o Novo Mercado da B3.

Alexandre Jahnecke, “A gente tem no nosso DNA ser a Interdealer Broker e continuar independente sem conflito de interesse com empresa bancária.”, Capital Aberto

Como a CM Capital foi criada??

Somos uma empresa de quase 40 anos de existência, há mais ou menos 30 anos com uma unidade brasileira. Ela é a maior Interdealer Broker na Europa. No Brasil, é a maior corretora independente. Quando a gente pega rankings de volumes a gente vê, principalmente no segmento de derivativos, que muitas corretoras ligadas a bancos em primeiro, em segundo, ou terceiro colocado. A CM Capital é a primeira que figura ali entre as corretoras independentes e vai se manter assim. A gente tem no nosso DNA ser a Interdealer Broker e continuar independente sem conflito de interesse com empresa bancária.

Alexandre Jahnecke, “A gente tem no nosso DNA ser a Interdealer Broker e continuar independente sem conflito de interesse com empresa bancária.”, Capital Aberto

Qual o foco da empresa no Brasil?

Nós focamos em dois segmentos, o varejo digital e o institucional. Essas são as nossas duas principais áreas de negócio. O institucional sempre foi bastante reconhecido, mas faz mais ou menos uns cinco, seis anos que a CM Capital abriu o braço de varejo no Brasil. Nós não somos uma carteira eletrônica, um meio de pagamento, a gente está se configurando mesmo como uma casa que oferta os melhores investimentos para o investidor. A gente não quer ser aquela casa que vai ter todos os fundos disponíveis na plataforma A gente quer ter aqueles que realmente se configuram como sendo aquilo que a gente acredita serem os melhores investimentos. Não queremos ter certos títulos ou certos fundos que não estão, sob o nosso critério, trazendo o melhor benefício para o investidor.

Alexandre Jahnecke, “A gente tem no nosso DNA ser a Interdealer Broker e continuar independente sem conflito de interesse com empresa bancária.”, Capital Aberto

Como a CM Capital vê o mercado de capitais no Brasil?

A gente é otimista, mas também pé no chão. Não fazemos loucuras. Os nossos investimentos são bastante criteriosos. Não estamos pessimistas, mas, ao mesmo tempo, a gente não tem mais aquela propensão de investir da forma como a gente acreditava até o final do ano passado. Há uma expectativa queda de juros. Mas as últimas quedas não foram aquelas que a gente estava imaginando, que era de 0,50% p.p, e agora está em 0,25% p.p. Ao mesmo tempo, estamos realizando grandes investimentos. Quem olha a CM Capital, mais ou menos um ano atrás e observa hoje, vê muitas mudanças. No último mês, se não me engano, foram 15 emissores que nós trouxemos. Não foram quaisquer emissores. São bons emissores em que a gente acredita que, apesar da indústria de fundos não estar tendo um bom desempenho em 2024, esses emissores são ótimos e a gente acredita realmente como sendo uma boa opção para o investidor. Hoje, quem observa a CM Capital, ela está muito bem-posicionada no que diz respeito ao fornecimento de plataformas para o investidor. Nós trouxemos diversos analistas para dentro de casa e a gente começou a lançar muitas carteiras recomendadas para pegar esse investidor. A gente já colhe frutos disso hoje em que o nosso segmento de ações dentro do business de renda variável cresceu muito.

Alexandre Jahnecke, “A gente tem no nosso DNA ser a Interdealer Broker e continuar independente sem conflito de interesse com empresa bancária.”, Capital Aberto

A CM Capital foca em algum segmento específico?

De produto, nós temos uma mesa de crédito espetacular. Ela já é bastante reconhecida no mercado institucional. Quem ouve falar da mesa institucional da CM fala com orgulho do desempenho dela e dos preços que nós conseguimos dar para os ativos. Não é à toa que ela é bastante assediada no mercado. Isso também queremos oferecer para o varejo digital, trazer todo esse reconhecimento do institucional. A gente está entrando também no business educacional.

Alexandre Jahnecke, “A gente tem no nosso DNA ser a Interdealer Broker e continuar independente sem conflito de interesse com empresa bancária.”, Capital Aberto

Me fala um pouco mais sobre o educacional. Qual é o objetivo da CM ao entrar nesse business?

Até então, a gente estava meio tímido com relação a oferta de cursos, treinamentos e conteúdo. A gente vitaminou a área para que mais cursos sejam disponibilizados gratuitamente para os nossos investidores. Esses cursos vão ficar disponíveis para qualquer um que acessar a nossa plataforma. A gente acredita que infoprodutos têm um excelente valor. A gente acredita que tem alguns produtos digitais que não são voltados para todo tipo de investidor. Seria um desperdício simplesmente deixar determinado curso, determinado conteúdo disponível jogado ali como se fosse um curso para iniciantes. Não é à toa que a gente vê diversas casas vendendo conteúdo. É isso que a gente pensa em fazer no longo prazo. No curto e médio prazo, porém, a gente vai manter a nossa estratégia de usar o educacional como uma ferramenta de capacitação do investidor, seja ele cliente ou não.

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Como é que vocês estão vendo o mercado de crédito, debênture. Qual a importância desses segmentos para a CM Capital?

A nossa mesa de renda fixa e de crédito privado, principalmente, foi muito bem no ano passado e nos primeiros meses do ano. A gente tem contatos com muitos emissores, muitos clientes vindos até nós. Então, a gente acredita que o mercado vai continuar aquecido por um tempo. Realmente, o dinheiro ainda está caro. Eu acredito que uma mesa que realmente consiga trazer um bom mercado secundário, uma boa liquidez para os ativos, ela precisa ser cada vez mais vitaminada. A nossa área de renda fixa tem bastante relevância aqui dentro da casa.

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Como vocês estão trabalhando a digitalização, o processo de inteligência artificial?

A gente acredita muito. Os nossos investidores, onde a gente está realmente focando, eles utilizam as plataformas da Nelogica, que é o nosso principal parceiro. Mensalmente, a gente conversa muito com a Nelogica a respeito do desempenho dos nossos investidores. A gente vê que o desempenho dos investidores que utilizam as plataformas da Nelogica pela CM Capital tem um desempenho melhor que a média do mercado. Isso não quer dizer que a plataforma da Nelogica é diferente, mas o que a CM dá junto com a plataforma é o que faz a diferença.

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Quantos clientes vocês possuem hoje na plataforma? E como é que vocês trabalham, por exemplo, o rebalanceamento de carteira?

Temos mais de 200 mil clientes na nossa plataforma. Esse número nunca caiu. A gente vê no ano passado em que houve a primeira vez em anos uma queda do número de investidores. Tudo bem que teve um evento extraordinário relativo a uma empresa que tinha ofertado ações para os investidores aqui, mas o nosso número de investidores nunca caiu. Desde janeiro, a gente conseguiu dobrar o número de investidores que a gente tem diariamente. Com relação ao balanceamento de carteiras, a gente segmenta os tipos de clientes que nós temos. Nem todo cliente que chega aqui tem um perfil igual do outro. Eu não estou falando simplesmente aquele perfil moderado, conservador. Não é isso que eu estou falando. Estou falando que mesmo dentro de um perfil agressivo, moderado, conservador, a gente tem diferentes tipos de clientes. Tem clientes que têm uma propensão maior, uma propensão ao risco maior do que o outro. Não adianta colocar um monte de debêntures ali na frente do investidor, ele não vai saber o que é aquela sopa de letrinhas.

Alexandre Jahnecke, “A gente tem no nosso DNA ser a Interdealer Broker e continuar independente sem conflito de interesse com empresa bancária.”, Capital Aberto

Como você vê essa subida de régua da B3 no Novo Mercado?

Eu trabalhei 13 anos na B3. A régua da B3 é alta e sempre será. Estamos falando de algo muito sério, eu acho que a nossa regulação brasileira é melhor do que muitas praças internacionais mais rígidas. Agora, é óbvio que num momento que a gente está precisando de mais dinâmica no mercado de capitais subir muito a régua pode deixar o mercado um pouco mais inibido na hora de acelerar o investimento para abertura de capitais. Não vejo com maus olhos subir a régua. Acho que essa regulação séria traz a segurança, não é para ser malvista, não. Pelo contrário, eu acho que quando a gente adota determinada mudança em plataformas ou solicitação de mais informações para o investidor final, às vezes, inclusive, pode parecer um pouco de burocracia, mas eu não acredito nisso.

Alexandre Jahnecke, “A gente tem no nosso DNA ser a Interdealer Broker e continuar independente sem conflito de interesse com empresa bancária.”, Capital Aberto

Como é que você está vendo esse cenário econômico interno um pouco mais apertado. Isso impacta os negócios por aqui?

A CM Capital aprova a estabilidade, ela suporta a estabilidade, suporta a previsibilidade. Eu não acho que o mercado de capitais está ligando para perturbações pontuais ou algum tipo de problema muito localizado somente nesse ano. Tivemos um crescimento no primeiro semestre que talvez reduza no segundo por causa da taxa de juros. Assim como qualquer agente de mercado, nós torcemos pelo Brasil. Eu acredito e prezo muito pela estabilidade. Aqui é uma casa realmente que preza pela estabilidade e não toma nenhum lado político.

Alexandre Jahnecke, “A gente tem no nosso DNA ser a Interdealer Broker e continuar independente sem conflito de interesse com empresa bancária.”, Capital Aberto

Parece que a partir de agora o mercado deve começar a precificar as eleições nos EUA. Como você vê cenário?

As eleições americanas trazem um impacto político realmente. Eu não acredito que se o Biden [Joe] ganhar ou se o Trump [Donald] ganhar, a diferença para o mercado brasileiro vai ser grande. A gente já viu essa troca ocorrer. Mas é óbvio que isso traz alguma volatilidade para os mercados, mas momentâneo. Eu não acredito que do ponto de vista de médio a longo prazo isso vai trazer uma mudança estrutural para o mercado brasileiro. A gente sabe que há uma diferença, sim, entre Biden e Trump, mas não se trata de uma diferença gigantesca. Nós não acreditamos que haja uma mudança do capitalismo para o socialismo lá nos Estados Unidos ou do socialismo para o capitalismo.

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