Executivos-anjo

Grupo de Discussão Venture Capital e Empreendedorismo, realizado no dia 25 de agosto de 2015

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Desde 2007, Denis Del Bianco é diretor da Totvs Consulting, unidade de consultoria de negócios de uma das maiores empresas de tecnologia do País. Mas foi há três anos que o executivo descobriu uma outra vocação. Nas horas vagas, Del Bianco é investidor-anjo. Formou um grupo com outros três colegas de longa data e juntos aportam recursos e expertise em novos projetos. “Nos últimos anos surgiu a vontade de fazer algo maior do que ser executivo”, explica. A ideia não é abandonar o ramo da consultoria, no qual trabalha há mais de 15 anos. Pelo contrário, o objetivo é conciliar o papel de anjo com o de executivo – e de pai. “Nem que seja para contribuir por uma ou duas horas ao mês com algo que dê frutos e gere emprego”.

Dos 7 mil investidores-anjos existentes no Brasil, 23,2% são executivos, aponta o último levantamento da Anjos do Brasil. “Existem executivos que não concluíram o ciclo de carreira e já pensam num próximo passo”, afirma Luiz Valente, diretor geral da Talenses, empresa de recrutamento de executivos. Mas por que seguir pelo caminho do investimento-anjo, num cenário de juros altos em que até ativos financeiros comuns podem ser mais atraentes em termos de rentabilidade? “Por juntar uma realização pessoal com a possibilidade de investir em um projeto que, no longo prazo, tem um retorno potencial maior do que o de uma mesa de operações”, responde Carlos Gamboa, ex-executivo do mercado de private equity que virou anjo e hoje é CEO do shopping on-line de lojas gourmet Onilé, uma das empresas na qual investiu.

A experiência prévia do executivo pode ser um diferencial para a companhia investida, porém, se não houver empatia com o empreendedor, o negócio, já bastante arriscado, pode desandar de vez. “O empreendedor não pode perder autonomia”, diz Cássio Spina, fundador da Anjos do Brasil. Ex-executivo do mercado financeiro, com passagens pelo Citibank e o family office do M.Safra, Mauricio de Chiaro delimitou bem o seu papel como investidor-anjo para evitar conflitos. “Não entro na parte de produto, de operação, mas me envolvo com estratégia e controle financeiro”, explica. De Chiaro investe atualmente em pelo menos cinco projetos, incluindo o Canal de Crédito, ferramenta online que permite comparar taxas de financiamento, e uma start-up de equipamentos de proteção bucal para atletas.

Em 2012, Arthur Ronzenblit montou a empresa de gestão de estoques e excedentes eStoks, com clientes no segmento de construção civil, indústria de eletrodomésticos e eletroeletrônicos. Um dos investidores-anjo que financiou a startup também é ex-executivo do mercado financeiro. “A relação com o investidor pode ser mais importante do que o investimento em si. Muitas startups começam com um produto, que pode mudar no meio de um processo”, diz.

Conseguir um aporte de um investidor-anjo, entretanto, não é tarefa fácil – e não só pela grande quantidade de projetos no mercado à procura desse tipo de auxílio. O investidor-anjo não conta com uma legislação própria, que o proteja. Essa é uma reivindicação antiga e que vem sendo discutida com o governo. “Estamos otimistas. O governo está sensível a esse pleito”, afirma Rodrigo Menezes, sócio do Derraik & Menezes Advogados.

Esses e outros tópicos foram debatidos no Grupo de Discussão de Venture Capital e Empreendedorismo da Capital Aberto realizado no último dia 25 de agosto.

• Confira os tuítes que publicamos durante o evento.

• Acompanhe a agenda completa dos próximos Grupos de Discussão.

Fotos: Régis Filho



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