Unibanco (3° lugar – acima de R$ 15 bilhões)

Olhos fixos na liquidez das ações

As Melhores Companhias para os Acionistas 2006 / Especial / Relações com Investidores / Edições / Temas / Reportagem / 1 de dezembro de 2006
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Ampliar a movimentação das ações negociadas em pregão é uma estratégia da área de Relações com Investidores do Unibanco há quase dez anos. Em maio de 1997, eles foram os pioneiros a simplificar sua base acionária e transformar as ações do banco e da holding, antes negociadas separadamente, em único papel com mais força e apelo junto aos investidores: a unit — certificado de depósito de ações que representa uma ação preferencial do banco e outra da holding, que passou a ser negociado no mercado internacional e doméstico. Mas foi só mais recentemente, a partir de setembro de 2003, que o banco deu início a uma série de iniciativas para incrementar a liquidez das units na Bovespa.

Para começar, foi colocado no mercado local 30% do total de Units detidas pelos bancos estrangeiros Mizuho Corporate Bank e Commerzbank Aktiengesellschaft. Em seguida, houve a redução do lote de negociações do Unibanco e da Unibanco Holding na Bolsa paulista, de 100 mil para 10 mil ações. Em paralelo, foi feita a contratação de um formador de mercado para os papéis (corretora que coloca diariamente ofertas de compra e venda em todos os pregões da Bovespa), seguida de um grupamento das ações do Unibanco, da Unibanco Holding e das próprias units (em uma proporção de 100 para 1). Houve ainda a colocação, no mercado local, de 100% da oferta secundária de units em poder do Commerzbank e do BNL, que assim deixaram de ser sócios do banco. Resultado: em maio de 2005, as units ingressaram no principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa.

“A entrada no Ibovespa mudou o patamar de rentabilidade das ações do banco”, diz Osias Brito, diretor- executivo de planejamento, contabilidade e controle e também de Relações com Investidores do Unibanco. E isso explica o destaque da instituição no quesito retorno econômico da ação (TSR-Ke), um dos cinco aspectos avaliados pelo Ranking Capital Aberto e, certamente, aquele em que o banco obteve o melhor desempenho em relação aos outros dois bancos que com ele dividem a liderança na categoria acima de R$ 15 bilhões. Além de trabalhar a liquidez e, dessa forma, favorecer a valorização dos papéis, o Unibanco incorpora em sua gestão outros conceitos utilizados no ranking. “O EVA é aplicado como sistema de gestão e base para a remuneração de executivos, para garantir o alinhamento de interesses com os acionistas”, diz o diretor de RI. “É uma forma de preservar a criação de valor ao longo do tempo”, completa. Já em relação à governança, Brito afirma que o banco tem se esforçado para se mostrar cada vez mais transparente para os investidores.

O Unibanco está presente no Nível 1 do Novo Mercado desde 2001, ano em que passou a figurar também no norte-americano Índice de Sustentabilidade Dow Jones. Antes disso, ainda em 1997, foi o primeiro banco a ser listado na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse). Já em 2005, esteve na primeira leva de empresas que integram o Índice de Sustentabilidade Corporativa (ISE) da Bovespa. Também no ano passado, o Unibanco mudou a periodicidade do pagamento de juros sobre capital próprio para os acionistas, de semestral para trimestral. A política de remuneração determina a distribuição mínima de 35% do lucro líquido, após constituição de 5% de reserva legal.

O lançamento das units e a entrada no Ibovespa mudaram o patamar de rentabilidade das ações

No ano passado, o banco distribuiu R$ 617 milhões em juros sobre o capital próprio, o que significou um incremento de 37,7% em relação ao ano anterior. O lucro líquido subiu 43% em 2005, atingindo R$ 1,8 bilhão. Já no acumulado do terceiro trimestre deste ano, o Unibanco seguiu os grandes bancos privados e amortizou o ágio referente a aquisições passadas (no caso, Fininvest e Hipercard), a fim de não gerar distorções na comparação dos resultados com os de seus concorrentes. Com isso, o lucro líquido no período registrou queda de 12%, chegando a R$ 1,1 bilhão. Em setembro, o banco quebrou a barreira dos R$ 100 bilhões em ativos, conquistada, em parte, pelo maior conservadorismo na concessão de crédito, para evitar a deterioração da qualidade da carteira. Ainda assim, a carteira de crédito cresceu 17,5% no acumulado dos nove meses, especialmente em razão de operações com grandes empresas — um diferencial competitivo do Unibanco em relação às outras instituições.

Brito ressalta que a redução do risco-Brasil reforça o mercado de capitais, ao animar a captação de recursos para novos investimentos. “O banco, como responsável pela estruturação de projetos de empresas ou pela carteira de investimentos dos clientes pessoa física, pode se favorecer duplamente com o fortalecimento do mercado”, lembra.

No Unibanco, a área de RI é formada por Brito, uma superintendente (Regina Longo Sanchez), um gerente e analistas. “Há uma preocupação constante com a atualização do site, por ser uma ferramenta de comunicação mais ágil e eficiente, com as reuniões com investidores, tanto no Brasil quanto no exterior, palestras e conference calls trimestrais”, afirma o diretor de RI.

Brito descarta a possibilidade de o Unibanco vir a migrar para o Novo Mercado, pelo menos por enquanto. “Acreditamos que o valor de mercado do banco ainda não foi devidamente percebido no Nível 1”, diz. No ranking, sua pontuação em governança refletiu descontos atribuídos à ausência de direitos de voto especiais às ações preferenciais e de tag along superior ao que requer a Lei das S.As. No item transparência, o banco não pontuou na questão que se refere à existência de uma política de transações com partes relacionadas.


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