Um país de vantagens

O gestor de um family office norte-americano se lamentou ao perceber o frisson formado ao redor do Brasil durante o dia e meio do The Emerging Markets Private Equity Forum 2009, realizado em Londres em novembro. “É uma pena que todos estejam, agora, olhando para lá”, disse ele. Para sua tristeza — …

Especial/Relações com Investidores/Edições/Editorial/Temas/Cobertura EMPEA 2009 / 1 de dezembro de 2009
Por     /    Versão para impressão Versão para impressão


O gestor de um family office norte-americano se lamentou ao perceber o frisson formado ao redor do Brasil durante o dia e meio do The Emerging Markets Private Equity Forum 2009, realizado em Londres em novembro. “É uma pena que todos estejam, agora, olhando para lá”, disse ele. Para sua tristeza — na verdade apenas uma constatação de que a concorrência aumentou —, o País parece ter, fi nalmente, emergido aos olhos dos estrangeiros. Os investidores de private equity devotados aos mercados emergentes estão atrás de falhas na economia. Empresas com grande potencial de expansão, porém sem acesso ao capital necessário para crescer. Um terreno pedregoso, o qual somente mentes de longo prazo se dispõem a pisar.

São essas ineficiências que drenam recursos para a África, por exemplo. Uma região em que tudo está em estágio imberbe, onde a carência é tanta que ainda vai demorar para algum investidor reclamar do excesso de fluxo de capital. Na China e na Índia, o private equity está de olho nas populações gigantescas e no crescimento fabuloso dessas economias. O Brasil conseguiu reunir partes desses dois mundos. A heterogeneidade do ambiente nacional de negócios deixa brechas, melhor dizendo, verdadeiras janelas para o capital de risco adentrar. A ascensão do PIB, embora aquém do ritmo chinês, é o sufi ciente para aguçar o apetite de quem quase foi à bancarrota na recessão global.

O viés de queda da taxa de juros também colabora para ampliar as expectativas dos investidores em relação ao País. Esse desenho é favorável para o fortalecimento do empreendedorismo. Com a conjunção de fatores, fica praticamente irresistível concluir que a crise foi boa, sim, para o private equity brasileiro, salientando alguns de nossos diferenciais. Os fundos daqui não sofreram com a alavancagem, como ocorreu lá fora. “A crise reforçou o papel de pontos que já trabalhávamos, como uma boa comunicação com nossos clientes”, disse Sidney Chameh, sócio da gestora de recursos DGF Investimentos, sobre o pleito dos investidores mais comentado durante a conferência. Um dos poucos brasileiros presentes no evento de Londres, Chameh sabe da importância de vender a imagem do País. Esse ponto poderá ser mais bem trabalhado daqui para frente, com o convênio entre a ABVCAP e a Apex-Brasil. É apenas um passo, mas que vai se unir a outros, como iniciativas de autorregulação do setor.

Dos nove maiores fundos brasileiros que captaram recursos nos últimos anos, oito têm predomínio de capital estrangeiro, como lembrou Patrice Etlin, sócio-diretor da Advent International, no lançamento do programa da Apex, no mês passado. Trata-se de um público expressivo, que deverá continuar a depositar a sua poupança por aqui. Somemos a isso o incentivo que o Conselho Monetário Nacional deu aos fundos de pensão, permitindo que as fundações apliquem 10% de seu patrimônio em fundos de participações. Realmente, é fácil saber por que todos estão olhando para cá.




Participe da Capital Aberto:  Assine Anuncie


Tags:  Investimentos Captação de Recursos Private equity e venture capital Encontrou algum erro? Envie um e-mail



Matéria anterior
Recuperação à vista
Próxima matéria
Benchmark externo para o planejamento estratégico



Comentários

Escreva o seu comentário sobre este texto!

O seu endereço de e-mail não será publicado.



Recomendado para você





Leia também
Recuperação à vista
Houve um certo maniqueísmo ao se falar dos efeitos da crise financeira para a indústria de private equity, principalmente...