Tomada de controle

Em uma tacada inédita, conselheiros da Ideiasnet fazem oferta de aquisição de ações não negociada com os administradores

Especial / Relações com Investidores / Edições / Temas / Conselhos de Administração - Coletânea de Casos / Reportagem / 1 de novembro de 2009
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Às 9 horas do dia 23 de outubro de 2009, o conselho de administração da Ideiasnet reunia-se no salão 401 do número 572 da rua Visconde de Pirajá, na capital carioca. Estavam lá apenas sete dos nove conselheiros eleitos. No dia anterior, o chairman Carlos Pedroza Aguinaga, o membro efetivo Luiz Arthur Andrade Correia, e seu suplente Lars Fuhrken-Batista haviam pedido licença do conselho para participar de uma oferta pública de aquisição (OPA) voluntária de ações da própria Ideiasnet, ao preço de R$ 5,23. Sim, isso mesmo. Os conselheiros resolveram assumir o controle da companhia.

Imediatamente, o vice-presidente George Eduardo Rheingantz Ellis assumiu a presidência do conselho para conduzir a pauta da reunião. Nada se discutiu oficialmente sobre a OPA, até então somente uma intenção anunciada à revelia da empresa, segundo Luis Alberto Monteiro Lobato Reátegui, CEO da Ideiasnet e secretário da mesa naquela reunião. “Continuamos trabalhando normalmente, independente de qualquer mudança no ‘modus operandi’ da companhia”, ressalta Reátegui, invocando a importância de se ter uma gestão completamente profissionalizada. O ápice dessa profissionalização, a seu ver, aconteceu em dezembro de 2008, quando dois fundadores deixaram de fazer parte da diretoria para integrar somente o conselho de administração.

Concebida como uma incubadora de start-ups de tecnologia, a Ideiasnet cresceu usando suas ações para investir em empresas e caracterizando-se, cada vez mais, como uma companhia de capital pulverizado. Desde então, até este mês de novembro, a Ideiasnet não teve um controlador definido. Após o edital publicado em 30 de outubro, com prazo de um mês, a companhia vive um momento único em sua história. O capital deverá concentrar-se em cinco fundos de investimentos, os quais pretendem celebrar um acordo de acionistas. A hipótese de fechar o capital está, no entanto, afastada.

O CONSELHO — Basicamente, o conselho acolhe representantes de acionistas que foram adquirindo participação na empresa, com a complementação de dois independentes e dois fundadores. Suas reuniões são bimensais, com duração mínima de duas horas. Nelas, estão presentes também o CEO e alguns diretores quando tratados temas específicos de suas respectivas áreas. Reserva-se ainda uma seção executiva somente aos conselheiros, para uma discussão independente da diretoria. A convocação é feita com pelo menos cinco dias úteis de antecedência, com o envio da pauta preparada pelo presidente do conselho em consulta à diretoria e aos conselheiros.

A relação de confiança e trabalho conjunto com a diretoria complementa as diretrizes do conselho da Ideiasnet. Reátegui observa o alinhamento antecipado da companhia com a discussão da nova regulamentação do Novo Mercado, de separação clara entre o presidente do conselho e o presidente da empresa. Para continuar evoluindo nas boas práticas, a Ideiasnet discute agora a criação de comitês, o que estará na pauta da próxima AGO, por volta de abril de 2010. “Alguns assuntos precisam ser analisados mais de perto”, admite o CEO. Hoje, existe um comitê para avaliação da remuneração da administração, mas que ainda não está constituído formalmente. Outro ponto em discussão, para aperfeiçoamento no futuro, são as práticas de avaliação do conselho de administração.

Com o aumento de capital realizado pela EBX, grupo do empresário Eike Batista, em 2008, o conselho recebeu Luiz Arthur Andrade Correia como membro efetivo, e Lars Fuhrken-Batista como seu suplente, em julho do ano passado. Pouco mais de um ano depois, o afastamento dos dois tem, por trás, o interesse da Centennial Asset Mining Fund LLC, controlada indiretamente por Eike Batista, em obter maior participação na Ideiasnet. Ao seu lado, na oferta, está a Gustavia Investors LLC, sociedade gerida pela DAS Trading, cujo administrador é Carlos Aguinaga. Completam o grupo de investidores interessados no controle da Ideiasnet outros três fundos, todos com participação e investimentos na companhia — Hankoe Fundo de Investimento em Participações, Fundos Mercatto, e Total Return Investment, gerido pela Opus.

A informação que se tem é a de que os conselheiros ficariam licenciados até a liquidação da oferta, que tem como prazo máximo o dia 30 de novembro para ocorrer. Reátegui acredita que, após o leilão, os conselheiros licenciados voltarão para seus postos no conselho, pelo menos até a próxima eleição. “O bom é que agora já não se tem mais conjectura”, observa. Para a companhia, o ineditismo soa tão alto quanto para o mercado.


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Tags:  Governança Corporativa conselho de administração Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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