Telecom, mídia e TI

Convergência tecnológica

Especial/Relações com Investidores/Reportagem/Edições/Temas / 1 de setembro de 2006
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A Associação Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou em setembro de 2006: a cada dois brasileiros, um tem celular. Ao todo, são 94,9 milhões de aparelhos ativos. Mas, dependendo de quando você ler esse texto, a informação pode estar defasada. A indústria da telefonia móvel vem crescendo em proporções avassaladoras, até mesmo para as estatísticas. Seja qual for a idade, classe social, escolaridade ou poder de renda do usuário, o celular foi incorporado de maneira definitiva à sociedade deste início de século. E é exatamente aí, no auge do sucesso, que começam as preocupações para as operadoras de telefonia móvel: elas não querem repetir a história das fixas.

Depois de atender às metas de universalização da Anatel, impostas logo após a privatização, as concessionárias de telefonia fixa viram sua receita estagnar. Nos últimos anos, elas levaram a comodidade do telefone à boa parte da população, que estava desatendida, e até agregaram serviços para engordar suas receitas, como secretária eletrônica e identificador de chamadas. Mas isso, infelizmente, não se mostrou suficiente para tirar das empresas a perspectiva de patinar sobre o mesmo nível de faturamento, ano após ano. Foi o que aconteceu entre 2001 e 2005, quando o número de telefones instalados cresceu apenas 5,6%, chegando aos 50,5 milhões.

O maior desafio das fixas é vencer a canabalização do seu serviço pelo celular. O que é uma ironia, porque se as fixas não tiveram que enfrentar a concorrência real das empresas-espelhos (suas pretensas concorrentes, cuja atuação ficou muito limitada), agora enfrentam a das celulares que, em alguns casos, fazem parte do mesmo grupo.

Para as fixas, a válvula de escape tem sido o mundo digital: as maiores passaram a oferecer o acesso à internet via banda larga, ou ADSL, no jargão técnico. Trata-se de um serviço de alto valor agregado, que abre espaço para a convergência (quando concessionárias passam a trabalhar em sintonia com as empresas de mídia e TI). Foi assim para a Telefônica, com o Speedy, para a Telemar, com o Velox, e a Brasil Telecom, com o Turbo. Já a Embratel, que não tem acesso direto à casa do cliente, se uniu à NET (empresa de TV por assinatura das Organizações Globo) para oferecer em um mesmo pacote TV a cabo, banda larga e o NET Fone — este último operado pela Embratel.

Para as operadoras de TV por assinatura, os serviços de conexão rápida à internet também têm sido a salvação. Este segmento da mídia permaneceu estacionado, na iminência de uma queda mais forte, durante um bom tempo. Entre 2001 e 2003, o número de assinantes permaneceu exatamente o mesmo: 3,6 milhões. Subiu para 3,9 milhões em 2004 e, no ano seguinte, chegou a 4,2 milhões de assinaturas, com incremento de 325 mil novos clientes. Segundo a Anatel, o fato pode ser atribuído à retomada do crescimento da economia, além da oferta de pacotes de programação a preços mais acessíveis. Conta também, segundo a agência, a entrada em operação de mais 11 prestadoras em 2005, perfazendo o total de 319 operações de TV por assinatura licenciadas no País.

Para o varejo eletrônico — que no Brasil é liderado por Lojas Americanas e Submarino —, a banda larga é um ótimo negócio. Pesquisas já apontaram que o usuário de banda larga é mais propenso a comprar pela internet do que aquele que usa a ligação discada para se conectar. Antes, porém, é preciso enfrentar a restrição ao baixo índice de acesso à internet nos domicílios brasileiros. Para isso, é fundamental o incentivo à venda de computadores, como os subsidiados pelo governo (programa PC Conectado), que tende a contribuir para aumentar a base de usuários. A partir daí, a receita via ADSL pode ser conquistada com o aumento do poder aquisitivo das famílias.

Ao permitir novas interações com o conteúdo, a banda larga também é extremamente positiva para os provedores, que não têm vivido seus melhores dias: de maneira geral, os grandes competidores, como o UOL, enfrentam a oferta de bons serviços gratuitos na rede, de e-mail, mensagens instantâneas e comunidade virtual, que atraem milhões de usuários todos os dias.

Provavelmente tenha sido essa possibilidade de interação contínua que seduziu tanto os jovens, principal público da telefonia celular. Hoje, até crianças têm recebido celulares de presente, como forma de “monitoração” por parte dos pais. Neste caso, invariavelmente é escolhido o telefone móvel pré-pago, que desde 1998 já deu um grande salto de crescimento. Naquele ano, representava 0,6% da planta de acessos móveis, índice que evoluiu para 38,3% já no ano seguinte, até chegar, ao final de 2005, a 80,8% do total de celulares. Trata-se de um produto atrativo, especialmente, para a população de baixa renda, que pode contar com um número móvel pessoal, sem se importar com uma conta fixa, como a assinatura. As operadoras, que no início subsidiavam o preço do aparelho, a fim de ganhar clientes, já estão deixando de fazê-lo, para não comprometer suas margens de rentabilidade. Por isso, no pré-pago, estão se concentrando na venda do chip.

A portabilidade numérica é uma das medidas aguardadas em breve pelo mercado. O cliente terá um único número pessoal e poderá mudar de operadora, levando consigo o seu número. Hoje, a obrigação de permanecer em determinada base de clientes por conta da familiaridade com o número de telefone impede a maior competição entre as teles móveis, na visão da Anatel.

Mas as novidades no setor de telecom não param. Há também a expectativa de que a algumas empresas troquem de controle, o que pode configurar um novo desenho no mercado da telefonia móvel. Os eventos societários das teles são os maiores responsáveis pela oscilação no preço das ações. As brigas entre os principais acionistas já desfavoreceram em alguns momentos empresas como Brasil Telecom e Telemig Celular. Fora isso, há certa instabilidade também na atuação do Ministério das Comunicações e Anatel, que às vezes não se entendem acerca da regulamentação.

l Talvez a principal palavra de ordem para estes três setores que vêm se fundindo cada vez mais operacionalmente seja acompanhar a velocidade das inovações tecnológicas. Assim, não correm o risco de serem atropelados pelas novidades, como aconteceu com as gravadoras no final dos anos 90, pegas de surpresa pela livre troca de arquivos de música digital (MP3) por parte dos internautas. Até hoje, não se recuperaram do susto.


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