Tecnologia vitoriosa

Vendendo computadores para a classe C, Positivo agrega valor às suas ações

Especial / Edições / Relações com Investidores / Temas / As Melhores Companhias para os Acionistas 2009 / Reportagem / 1 de outubro de 2009
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Antes do estouro da crise financeira, a fabricante de computadores paranaense Positivo Informática esbanjava otimismo. Não era para menos. Após a abertura de seu capital no fim de 2006, a companhia experimentou um crescimento vertiginoso — impulsionado pela queda do dólar e pelo corte de impostos no setor de informática — e avançou em novas áreas, como o segmento corporativo e de netbooks, os badalados computadores ultraportáteis. “Prevíamos um 2008 espetacular, com vendas crescendo num ritmo de dois dígitos”, conta Ariel Szwarc, vice-presidente financeiro e diretor de relações com investidores da Positivo.

O cenário revelado em setembro do ano passado, porém, esfriou os ânimos. A valorização da moeda norte-americana provocada pela fuga do capital estrangeiro atingiu em cheio a empresa, uma vez que seus produtos têm 90% dos componentes importados. E a deterioração do crédito, no qual se baseia boa parte de suas vendas, também preocupava. “Vendo tudo isso, a prioridade absoluta passou a ser proteger o caixa”, diz Szwarc. Assim, compras foram reduzidas, investimentos postergados, e despesas em projetos sem retorno imediato, cortadas. Um empréstimo de R$ 25 milhões, feito com os próprios controladores, no último trimestre de 2008, completou a estratégia de guerra.

Além de ajudar a Positivo a enfrentar a turbulência mundial, o esforço de caixa também a levou à terceira posição no ranking das Melhores Companhias para os Acionistas da CAPITAL ABERTO, dentre as empresas com valor de mercado de até R$ 5 bilhões. Um dos fatores que contribuíram para a conquista da medalha de bronze foi o valor econômico adicionado (EVA, em inglês) de R$ 50,06 milhões em 2008, uma espécie de lucro que leva em conta o custo do capital empregado. A Positivo obteve nota 9 nesse quesito, enquanto a mediana da categoria foi de 6,0.

Alta do dólar no ano passado chegou a reduzir as margens de lucro e pressionar a cotação em bolsa

Em 2008, a Positivo teve vendas recordes — 1,6 milhão de unidades —, cravou um faturamento de R$ 2,3 bilhões (aumento de 9,4% em relação ao ano anterior) e consolidou-se como a maior fabricante de computadores do País e quarta da América Latina. Para chegar a essas marcas invejáveis, a estratégia da companhia incluiu estreitar o relacionamento com varejistas, conta Szwarc. A ideia era manter livre o acesso à população de baixa renda, um mercado fomentado por financiamentos longos, oferecidos principalmente pelas grandes redes de varejo.

“A Positivo cresceu, nos últimos anos, explorando o potencial de consumo da nova classe C”, observa o analista da Liquidez Corretora, Leonardo Bardanese. Ele avalia que o achatamento temporário das margens, diante da valorização de 40% no dólar, também foi uma decisão acertada, e um dos motivos para a companhia ter conseguido manter o volume de vendas estável no primeiro trimestre de 2009.

Em outro critério, que mede o retorno financeiro da ação, ou total shareholder return (TSR), a Positivo não foi tão bem. Recebeu 6 de 10 pontos possíveis, ou seja, ficou no limite de corte para as empresas de sua categoria. Parte desse resultado se deve ao impacto do câmbio nos custos de produção, fato que forçou a companhia a reduzir as margens de lucro, prejudicando seu resultado final. O lucro líquido despencou 39,3% em 2008 na comparação com 2007, o que reduziu o montante disponível para a distribuição de dividendos.

Relatar ao acionista todo o caminho trilhado pela companhia durante o período nebuloso foi uma meta perseguida por seus executivos. “Queríamos mostrar o racional do que estávamos fazendo”, conta o vice-presidente. Desde o acirramento da turbulência, os controladores não pouparam na divulgação de comunicados, e até um road show foi feito para tranquilizar os stakeholders. A política de transparência mostrou-se efetiva, com a companhia conquistando 7,9 no critério de governança corporativa, avaliado pelo ranking. Desde sua oferta pública inicial de ações, a Positivo está listada no segmento do Novo Mercado da BM&FBovespa, aderindo às práticas mais sofisticadas de governança.

Para Szwarc, a busca constante por aperfeiçoamento em áreas como as de sustentabilidade — único aspecto em que a Positivo não pontuou no Melhores Companhias — é um dos grandes desafios para a empresa; além, é claro, da corrida pelo crescimento no mercado nacional e internacional de computadores. “Isso é o que nos move e nos dá adrenalina todos os dias.”



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