TAM (1° lugar – entre R$ 5 e 15 bilhões)

No topo em apenas 12 meses

As Melhores Companhias para os Acionistas 2006 / Especial / Relações com Investidores / Edições / Temas / Reportagem / 1 de dezembro de 2006
Por 


A TAM diz que não, mas é difícil deixar de vincular o crescimento da empresa aérea este ano — assim como o da sua concorrente Gol — com o agravamento da crise da Varig. A companhia fundada pelo comandante Rolim Amaro disputava avidamente o mercado internacional, o mais lucrativo da aviação civil, com a empresa da Fundação Ruben Berta: em outubro de 2005, por exemplo, sua participação era de 20,1%, e a da Varig, 75,4%, o que fazia desta última uma liderança isolada nos vôos para fora do país. Apenas um ano depois, a TAM exibe 58,2% de market share, contra 18,5% da Varig. Quando o assunto é mercado doméstico, a TAM também sustenta a liderança: 51,1% de participação em outubro (41,9% um ano antes), contra apenas 5,1% da Varig — que no período anterior, já em dificuldades, registrava 24,3% do market share local.

A boa performance da companhia — a primeira colocada no Ranking Capital Aberto entre as empresas com valor de mercado de R$ 5 bilhões a R$ 15 bilhões — se refletiu no balanço deste ano, com lucro líquido de R$ 212,7 milhões no terceiro trimestre (mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano passado, R$ 93,3 milhões). A movimentação no mercado de aviação também mexeu com o valor das ações da TAM, que, desde o dia da sua segunda oferta pública, em 10 de março, até 30 de setembro, subiu aproximadamente 70%. Na primeira oferta, em junho de 2005, a empresa captou R$ 548 milhões. Já na segunda, em março, levantou R$ 1,56 bilhão. Presente no Nível 2 de governança corporativa, a TAM já atingiu 45% de free float e, neste ano, também passou a ter suas ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse).

“O mercado de capitais é um parceiro de longo prazo, com o qual podemos contar para captar recursos voltados a financiar a expansão, obter uma chancela externa para nossas decisões executivas e também encontrar acionistas que vibrem positivamente com o nosso crescimento”, diz o presidente da TAM, Marcos Bologna. Segundo ele, a decisão de abrir o capital foi “natural”, pois combinava com o perfil da empresa, dona de uma marca com “grande visibilidade” e “correlacionada ao consumo”. “Ao mesmo tempo, tanto controladores quanto executivos queriam implementar a gestão ética, equilibrada com alto disclosure, que é uma exigência desse mercado”, afirma.

Em setembro, a companhia voltou ao mercado de capitais para uma oferta de debêntures, não conversíveis, no valor de R$ 500 milhões, que servirão ao financiamento de peças de reposição e manutenção de motores das atuais e das novas aeronaves. Já o capital levantado com as ofertas primárias, segundo o presidente da TAM, foi aplicado predominantemente para financiar a renovação e a expansão da companhia aérea, seja com a aquisição ou com o arrendamento de aviões. Nesse sentido, segundo Bologna, a TAM tem muitas novidades a caminho: até o fim do ano, deve atingir sua meta de somar 96 aeronaves na frota (formada por modelos da Airbus e da Boeing).

Bologna tem também metas a cumprir no mercado de capitais: atrair novos investidores globais e aumentar ainda mais a base de acionistas. “Também vamos investir na melhora contínua do tratamento aos investidores, lançando mão de todos os canais: webcast de resultados trimestrais, website, conferências, reuniões da Associação de Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), non-deal road shows, reuniões one-on-one e também com o TAM Day, que tem a sua primeira versão este ano, no dia 8 de dezembro”, diz o presidente. Líbano Miranda Barroso, diretor financeiro e de Relações com Investidores, completa: “Vamos buscar maior pulverização de nossas ações, aumentar a cobertura de analistas (hoje são 17), participar de pelo menos duas reuniões ao ano voltadas ao investidor pessoa física, incrementar nosso site de RI e proporcionar maior disclosure nas demonstrações em US GAAP”.

“O mercado de capitais é um parceiro de longo prazo, com o qual podemos contar”

Desde setembro de 2005, a empresa conta com um market maker para fomentar a liquidez dos papéis. Dentro do seu grupo, onde estão também Gol e Natura, a TAM foi a que apresentou a maior alta de EVA e também o maior retorno econômico da ação. No item governança, a proposta da administração é continuar se aprimorando: “A TAM tem uma limitação regulatória, própria do setor de aviação, que lhe proíbe de ter investidores estrangeiros com mais de 20% do capital votante”, afirma. “Por isso, fomos além das regras do Nível 2, ao prover o tag along de 100% aos acionistas preferencialistas e conceder direito de votos diferenciados”, diz Bologna.

A empresa deixou de obter mais pontos no ranking por não estar listada no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa, lançado em dezembro do ano passado. A ausência, segundo Barroso, já está sendo corrigida. “Entregamos toda a documentação referente ao índice na penúltima semana de novembro”, diz o executivo, ressaltando que a TAM só não havia feito o mesmo no ano passado por ter acabado de chegar à bolsa. Ainda em relação à governança, o diretor informa que, em 2005, foram instituídos os comitês de estratégia, de auditoria, de finanças e de remuneração.

A estratégia de marketing da distribuição das ações nas duas ofertas priorizou a máxima dispersão, afirma Barroso, no comando de uma enxuta equipe de três pessoas que inclui a diretora de planejamento e controle, a gerente e o analista de RI. A agenda para cuidar da nova base acionária exige fôlego: são oito eventos da Apimec ao ano, no mínimo dois non-deal road shows (um no Brasil e outro no exterior), além de 150 conferências com investidores. “Também atendemos por telefone, e-mail e pessoalmente, o que soma uma média de sete contatos por dia”, contabiliza Barroso. Será que o interesse do mercado refletirá a insegurança no setor deixada pela queda do Boeing da Gol e as falhas de controle apontadas? “As companhias estão tendo perdas pontuais, mas nós acreditamos no empenho do governo em solucionar a situação”, diz o diretor.


Quer continuar lendo?

Você já leu {{limit_offline}} conteúdo(s). Gostaria de ler mais {{limit_online}} gratuitamente?
Faça um cadastro!

Tenha o melhor conteúdo do mercado de capitais sem limites ou interrupção.
Assine a partir de R$ 36/mês!
Você está lendo {{count_online}} de {{limit_online}} reportagens gratuitas

Seja um assinante!

Você atingiu o limite de reportagens gratuitas. Que tal se tornar nosso assinante? Além do acesso ao mais especializado conteúdo do mercado de capitais, você terá descontos de até 30% em nossos encontros e cursos. Aproveite!


Participe da Capital Aberto:  Assine Anuncie

Encontrou algum erro? Envie um e-mail



Matéria anterior
Unibanco (3° lugar - acima de R$ 15 bilhões)
Próxima matéria
Gol (2° lugar - entre R$ 5 e 15 bilhões)




Nenhum comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.



Leia também
Unibanco (3° lugar - acima de R$ 15 bilhões)
Ampliar a movimentação das ações negociadas em pregão é uma estratégia da área de Relações com Investidores do Unibanco...