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Risco sim, retorno também
Gestores de private equity brasileiros ganham experiência, ampliam rentabilidade das carteiras e conquistam a confiança dos investidores

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O dinheiro investido por gestores de fundos de participação atende por muitos nomes. Um dos mais famosos e controversos é capital de risco — apelido que escancara os perigos de adquirir participações em empresas esperando retornos elevados. Um levantamento feito pela recém-criada consultoria e gestora de investimentos Ocroma mostra que esse risco, até agora, tem valido a pena. A média da Taxa Interna de Retorno (TIR) dos fundos de private equity brasileiros saltou de 10% ao ano, em 1997, para patamar superior a 60%, uma década depois, de acordo com a pesquisa.

, Risco sim, retorno também, Capital AbertoOs números foram levantados com as 19 gestoras responsáveis pelos 24 fundos brasileiros abertos a captação entre junho e outubro de 2008. Durante a comercialização das cotas, dez veteranas revelaram o histórico de suas carteiras no material de divulgação. De lá foi tirada a taxa interna de retorno de 16 fundos com atuação no período entre 1997 e 2007. Leonardo Ribeiro, sócio da Ocroma, conversou diretamente com a maioria das gestoras e recebeu informações detalhadas sobre os investimentos. Embora não possa contá-las em respeito a acordos de confidencialidade, ele revela que algumas carteiras tiveram uma TIR superior a 100%. “Sem citar casos específicos, posso afirmar que a curva durante esse período foi ascendente e se intensificou após 2004”, diz.

A pesquisa foi divida em dois períodos: de 1997 a 2004, e dali até 2007. Na primeira parte, a taxa variou entre 10% e 60%. Na segunda, entre 60% e pouco acima de 100%. Na avaliação de Ribeiro, existem duas razões fundamentais para a evolução no retorno. Uma tem a ver com os vários momentos de turbulência que marcaram os primeiros sete anos da amostragem. Crise asiática, russa, cambial e o risco eleitoral são alguns exemplos dos abalos que impediram desempenhos melhores da economia em geral e, em especial, do private equity.“O retorno de um investimento acontece, principalmente, na abertura de capital, e as crises desse período afetaram muito a , Risco sim, retorno também, Capital Abertobolsa”, observa Luiz Eugenio Figueiredo, presidente da Associação Brasileira de Venture Capital e Private Equity (ABVCAP).

A segunda razão está relacionada com o ganho de expertise dos gestores. Entre o fim da última década e o começo da atual, alguns fundos de private equity se aventuraram no setor de tecnologia, que perdeu muito valor com a chamada bolha da internet, mas também trouxe importantes ensinamentos. “Além da recuperação econômica, houve uma seleção natural na indústria. Quem tinha histórico positivo para apresentar continua aí até hoje.” Decisões erradas também foram revistas. O aprendizado fez com que, por exemplo, os gestores internacionais procurassem parcerias com profissionais locais para atuar no Brasil. Ficou claro que a atuação a distância não funciona, visto que ganho de gestão é um dos grandes ativos do private equity e que, para atingir esse resultado, é necessário estar presente fisicamente.

O estudo não menospreza a importância do arcabouço regulatório para o desenvolvimento da indústria, que tornou os fundos de private equity mais atraentes para o investidor institucional local, principalmente os fundos de pensão. Os números comprovam. Na primeira fase, a maior parcela dos private equity era estruturada no exterior, mas, a partir de 2003, a relação começou a se inverter. Os méritos são da Instrução 391, editada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regulamentou os Fundos de Investimento em Participações (FIP). Segundo a pesquisa, a estrutura é usada por quase 70% das 24 carteiras em captação analisadas. O restante é formado por fundos offshore. A relação se inverte quando o indicador analisado é a expectativa de captação dos fundos. As oito carteiras estabelecidas no exterior concentram quase 70% do volume de cotas ofertado pelos gestores.

CAPITAL DE “MENOS RISCO” — Somados os 24 fundos analisados, são US$ 7,5 bilhões em cotas. Para Ribeiro, esse é o ponto mais impressionante do levantamento. Em 2005, segundo o estudo Private Equity and Venture Capital in an Emerging Economy: Evidence from Brazil, os 71 fundos em atuação no País administravam US$ 5 bilhões, volume aproximadamente 30% menor do que o registrado pela amostra analisada entre junho e outubro de 2008. “O dado serve para medir a confiança transmitida pela economia brasileira aos gestores e, também, aos investidores. Sem demanda, a oferta não seria tão grande”, explica.

Em 2008, segundo o Guia GVCepe Endeavor da FGV, divulgado no início de novembro, o total do capital comprometido com a indústria ficou em US$ 26,6 bilhões. Sidney Chameh, sócio da gestora DGF Investimentos, acredita que o momento é resultado da maior familiaridade dos investidores com a atuação do capital de risco. “O investidor parece ter entendido que um investimento de longo prazo, como o private equity, é uma forma mais segura de atravessar momentos turbulentos.” Os fundos de pensão, tidos como conservadores, são os maiores financiadores do private equity — respondem por 27% do capital comprometido. Desse total, 24% referem-se a fundações nacionais e 3% a estrangeiras.

Chama a atenção na pesquisa da Ocroma a predominância de setores em que os fundos pretendem atuar. Quase a metade deles é voltada para o agronegócio ou energia renovável. “Era esperado que isso acontecesse. O Brasil tem know-how e tecnologia na área, sem contar que a fragmentação na produção cria as condições para um movimento de consolidação”, esclarece Ribeiro.

Se a expectativa de captação for atingida, os dois setores receberão aportes de US$ 2,25 bilhões nos próximos anos. Mas, para garantir o retorno dos investimentos, é preciso se especializar. Lidar com áreas como essas requer conhecimento aprofundado por parte dos gestores dos fundos. Segundo Ribeiro, esse é um dos fatores que explica a predominância de players independentes na indústria de private equity. Dos 24 fundos analisados, 20 são geridos por profissionais sem ligação com instituições financeiras.

Chameh destaca outra razão para tal fenômeno. Devido ao tempo de maturação, os bancos de investimento pouco se interessam pela gestão do capital de risco, abrindo espaço para os independentes. “A forma de remuneração dessas instituições, com bônus anuais, privilegia operações de curto prazo.” Dos fundos em captação, 16 têm prazos estipulados entre oito e dez anos.

TAXAS EM QUEDA — A remuneração dos profissionais do private equity é garantida pela taxa de administração, além de uma bonificação por sucesso. “O estudo mostra uma tendência de que a taxa de administração se padronize em torno de 2% ao ano.” Dentre as carteiras pesquisadas, apenas três cobram taxa maior que esse percentual. São fundos de venture capital que, por serem menores, exigem mais remuneração para garantir a eficiência da gestão.

O tamanho cada vez maior dos fundos pode, em contrapartida, diminuir a taxa cobrada pelos gestores. Afinal, 2% de um fundo de US$ 2 bilhões significam US$ 40 milhões ao ano. Há ainda outro fator que reforça a tendência de queda da remuneração: “Nos Estados Unidos, a discussão em torno da taxa de administração cresce junto com a crise. O poder de barganha dos investidores aumentou depois que a liquidez diminuiu”, conta Ribeiro. Ele projeta um novo patamar de taxas para os próximos anos, perto de 1,5%.

Antes de se preocupar com o médio prazo, os gestores têm uma crise pela frente. Embora o mercado acreditasse que o private equity seria o maior beneficiado pela falta de crédito no setor produtivo, os fundos que ainda não haviam concluído a captação até setembro encontraram dificuldades para negociar as cotas. Ribeiro percebeu a mudança nas entrevistas feitas durante a parte final da pesquisa, concluída em outubro. “No começo do levantamento, havia um clima de esperança entre os gestores, mas a quebra do Lehman Brothers, em setembro, acabou com a euforia.” Os investidores institucionais entraram em compasso de espera. Provavelmente eles estão avaliando o tal “risco” que caracteriza um dos apelidos do private equity.


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