Promessas cumpridas

GVT Holding cresce rápido após o IPO, reverte a última linha do balanço e mata de inveja outras novatas com valorização de mais de 100%

Especial/Relações com Investidores/As Melhores Companhias para os Acionistas 2008/Reportagem/Edições/Temas / 1 de setembro de 2008
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Num ano em que boa parte das novatas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) frustrou o investidor com retornos abaixo do Ibovespa, a GVT Holding conseguiu um feito e tanto. Listada no Novo Mercado desde 16 de fevereiro de 2007, a empresa de telefonia fixa e internet banda larga desbancou nomes tradicionais do pregão e assegurou o terceiro lugar dentre as Melhores Companhias para os Acionistas, na categoria valor de mercado entre R$ 5 bilhões e R$ 15 bilhões. O segredo está em sua regularidade nos três aspectos mais relevantes do ranking: governança corporativa, criação de valor e retorno econômico.

Se não recebeu pontuação espetacular em nenhum deles, a GVT tampouco derrapou. Cravou 7,4 na nota absoluta de governança, seu EVA aumentou 4% em 2007 em relação a 2006 e o retorno econômico da ação (valorização somada aos dividendos distribuídos, menos o custo de capital próprio) foi de 19% nos 12 meses encerrados em 1º de julho de 2008. Única represente do setor de telecomunicações dentre as nove companhias premiadas, a GVT só não somou pontos no quesito sustentabilidade, por estar fora do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa.

Nas palavras de seu diretor-presidente, Amos Genish, a fórmula para esse desempenho exemplar soa banal. “Tínhamos um plano e o executamos”, diz ele. Mas, no caso da GVT, o clichê parece fazer todo o sentido. No próprio dia da estréia na bolsa, 16 de fevereiro, uma sexta-feira antes do carnaval, administradores da companhia se reuniram na Bovespa para desenhar a linha mestra que converteria o R$ 1,08 bilhão levantado na oferta pública inicial de ações (IPO) em projetos concretos. A idéia, anunciada no prospecto, era injetar cerca de 65% dos recursos líquidos em crescimento e capital de giro. O restante serviria para liquidar, sobretudo, dívidas contraídas com fornecedores estrangeiros, repassadas posteriormente a um grupo de mais de dez bancos. Essa pendência se resolveu na oferta primária, quando a GVT transformou o grosso desses compromissos financeiros em ações, subscritas por credores como o ABN Amro.

Nesse exercício inaugural como companhia aberta, os administradores da GVT cumpriram o que prometeram. No primeiro semestre de 2008, aportaram R$ 311,9 milhões em infra-estrutura para expansão, 97,3% a mais que no mesmo período do ano anterior. O quadro de funcionários se avolumou, passando de 2.670 profissionais no fim de 2006 para os atuais 3,7 mil. Todo esse investimento também se refletiu na expansão da companhia pelo Brasil. Antes, devido às normas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a área de cobertura da GVT estava restrita ao Distrito Federal e a nove estados distribuídos nas regiões Sul, Centro-Oeste e Norte. No fim de 2006, a companhia ganhou licença para atuar em nível nacional — que permitiu à rede da tele alcançar mais dez cidades do Sul e o maior mercado do País: o Sudeste. A GVT já começou a “beliscar” a região de Belo Horizonte e Contagem, em Minas Gerais.

“Tivemos um crescimento acelerado, mas com substância”, pondera Rosangela Sutil de Oliveira, gerente de Relações com Investidores (RI). Os números comprovam essa afirmação. A receita líquida atingiu R$ 607,16 milhões no primeiro semestre, ante os

R$ 449,3 milhões de igual período de 2007, enquanto o lucro líquido subiu de R$ 17,13 milhões negativos para R$ 89,29 milhões positivos. Do IPO até 30 de junho de 2008, as ações da tele se valorizaram excepcionais 116,67%, ante os 41,48% do Ibovespa.

A explosão do mercado de internet de alta velocidade deu uma ajuda de ouro ao caixa da companhia. No entanto, não dá para negar que a GVT tratou de aproveitar muito bem essa onda. Por volta de 80% de seu faturamento se apóia na venda de pacotes de serviços, que incluem acesso à internet banda larga e telefonia. Segundo dados da empresa, o mercado de banda larga cresceu 53% entre 2005 e 2007. A GVT, por sua vez, deu um salto de 99,5% no segmento. Ela vinha se preparando para o rápido desenvolvimento desde a sua fundação, em 1999. “Para sobreviver no setor de telecomunicações, sabíamos que teríamos de buscar financiamento no mercado aberto”, explica Genish. Por isso, muito antes do IPO, a companhia já realizava reuniões do conselho de administração e contava com balanços auditados e uma estrutura de controles internos.

Preocupação da GVT com governança foi herdada dos sócios-fundadores, que são investidores de empresas abertas lá fora

A preocupação com a governança, quesito em que a GVT também se saiu bem, não nasceu de uma hora para outra. Foi herdada de seus sócios-fundadores, investidores de companhias abertas no exterior e de seus executivos-chave, como Genish, ex-presidente de uma empresa de software listada na bolsa eletrônica Nasdaq. Apesar dessa bagagem, Rosangela reconhece alguns pontos passíveis de aperfeiçoamento, que impediram que a GVT obtivesse uma classificação melhor no ranking. A ausência no ISE, por exemplo, pesa contra. “Estamos trabalhando para fazer parte do índice”, garante a gerente de RI. A tele também sofreu desconto por não apresentar um manual de assembléia a seus acionistas. A expectativa é de que ele saia do forno em 2009. Representante de um mercado em mutação contínua, a GVT sabe bem que não pode parar no tempo.


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