Porto Seguro (3° lugar – até R$ 5 bilhões)

Sonho antigo de ser grande

As Melhores Companhias para os Acionistas 2006 / Especial / Relações com Investidores / Edições / Temas / Reportagem / 1 de dezembro de 2006
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Aos 27 anos, Jayme Brasil Garfinkel era um jovem cheio de ambições para a sua promissora carreira. Quando se tornou assistente de diretoria na empresa do pai — a Porto Seguro Seguros —, depois de acumular alguma experiência em outros empregos, estava disposto a usar a Porto como trampolim profissional para consolidar seu nome no mercado. Sabedor dos desejos do filho, Abrahão Garfinkel — ucraniano que chegou ao Brasil com 6 anos de idade, e aos 19 já começou a trabalhar no ramo de seguros — deu-lhe um conselho que ficou para a vida toda: “Você só será grande se a empresa for grande também”. Hoje, aos 61 anos, Jayme é o diretor-presidente da Porto, e não tem dúvidas de que honrou a recomendação paterna ao transformar a empresa paulista de 50 funcionários, em 1972, em um conglomerado que emprega quase 6 mil pessoas em todo o país, com 115 filiais e escritórios regionais, uma rede de 18 mil corretores e uma subsidiária no Uruguai.

Com receitas consolidadas de R$ 3,8 bilhões em 2005, a companhia foi a segunda maior seguradora do ramo de automóveis e a terceira maior em saúde, só perdendo para seguradoras vinculadas a grandes grupos financeiros de capital nacional (Bradesco Saúde) ou estrangeiro (Sul América ING). O seu lucro líquido atingiu R$ 248,7 milhões no ano passado, com aumento de 57% sobre o ano anterior, enquanto nos primeiros nove meses deste ano somou R$ 280,8 milhões, 67% superior ao do mesmo período de 2005. Em novembro de 2004, às vésperas da comemoração dos 60 anos da empresa, a Porto fez sua oferta pública de ações no Novo Mercado, tornando-se a primeira grande seguradora listada na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Este ano, é eleita pela Capital Aberto a terceira melhor empresa para o acionista, dentro da categoria com valor de mercado de até R$ 5 bilhões.

“Desde que nós assumimos a empresa, tínhamos a vontade de buscar recursos no mercado de capitais”, diz Garfinkel, referindo-se a si mesmo e ao pai, que comprou a Porto praticamente falida, em 1972, e a dirigiu até 1978, ano da sua morte. “Logo depois eu assumi, e não tive tempo de prepará-la para isso, mas a idéia de ter muitos sócios ficou guardada no meu subconsciente”, diz o empresário. Quem comprou ações da companhia entre janeiro e setembro deste ano obteve um lucro por ação 67,4% maior que o de 2005 na mesma época, chegando a R$ 3,65. Dentro da sua categoria no ranking, a Porto Seguro é dona do maior índice de criação de valor (variação EVA), mas apresenta o mais baixo indicador de liquidez entre as três líderes na categoria até R$ 5 bilhões de valor de mercado.

“O primeiro ano na bolsa apresentou baixa liquidez, mas aos poucos vamos aprendendo com o mercado”, reconhece o diretor de finanças e de Relações com Investidores da Porto, Mário Urbinati. Segundo ele, houve uma mudança de patamar de liquidez na metade deste ano, depois que a companhia realizou uma oferta secundária de ações que elevou o seu free float, hoje em 37,2% — e acima, portanto, do limite de 25% exigido pelo Novo Mercado. “Mas ainda existem vários pontos em que precisamos nos aperfeiçoar e diferenciar”, diz o executivo de RI, lembrando que a Porto teve que dedicar um tempo especial desde a sua estréia, para explicar ao mercado o funcionamento do setor de seguros. “Procuramos dar todo o apoio aos profissionais e até montamos um modelo para os analistas”, diz Urbinati, que conta com outras duas pessoas na sua área — um gerente e um assistente. “Justamente por termos uma equipe enxuta, uma das nossas metas para 2007 será otimizar a agenda e distribuir melhor as atividades”, afirma. O site de RI, porém, o executivo pretende melhorar ainda este ano, com vistas a facilitar a navegação e oferecer informações mais completas.

“A empresa como um todo está progredindo com as boas práticas de governança exigidas pelo Novo Mercado”

A mesma disposição de aprender é observada no alto comando da Porto. “A empresa como um todo está progredindo com as boas práticas de governança corporativa exigidas pelo Novo Mercado”, diz Garfinkel. “Eu, pessoalmente, sinto que aprendi bastante”, afirma o presidente. A companhia se tornou muito mais profissionalizada, o que vem contribuindo para o posicionamento estratégico da Porto, diz ele. Mas isso não significa que a seguradora era leiga no assunto. “Quando me diziam que havia exigências demais para entrar no Novo Mercado, eu respondia que a Porto já fazia tudo aquilo, mas não de maneira formal e controlada”, diz Garfinkel, para quem a entrada na bolsa serviu para aprimorar a qualidade da gestão e da governança. “Além do mais, é muito bom manter um canal de acesso ao capital, que poderá ser utilizado no futuro para apoiar a expansão da companhia”, afirma.

Apesar do entusiasmo com o mercado de capitais, a Porto (a exemplo do que acontece com a Localiza) não segue uma das recomendações básicas das boas práticas de governança: que o presidente-executivo e o presidente do conselho sejam pessoas distintas. Na seguradora, ambas as funções são exercidas por Garfinkel. A Porto também não pontuou nas questões envolvendo o detalhamento da remuneração do conselho e da diretoria e a divulgação de uma política de operações com partes relacionadas. Para Urbinati, a relevância do primeiro assunto é relativa no Brasil. “O detalhamento da remuneração pode se mostrar mais importante em mercados onde a maior parte das empresas seja dirigida por profissionais independentes — o que não se observa por aqui, onde a maioria tem membros da família no comando”, afirma o diretor de RI.

No que se refere à política de operações com partes relacionadas, Urbinati acredita que exista uma falha na comunicação da empresa, uma vez que o mercado de seguros tem uma rigidez semelhante à do setor financeiro nesse aspecto. “No nosso próximo balanço, vamos deixar tudo isso muito claro”, afirma.


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