Por dentro dos setores

Ao descer mais um degrau, você entra na análise dos setores. E aí começa efetivamente o desenho da sua estratégia de investimento. Antes de definir as ações que pretende comprar, você deve escolher os setores nos quais quer investir. Nessa avaliação, você deve considerar dois aspectos. Um deles é o …

Especial/Relações com Investidores/Reportagem/Edições/Temas / 1 de setembro de 2008
Por 


Ao descer mais um degrau, você entra na análise dos setores. E aí começa efetivamente o desenho da sua estratégia de investimento. Antes de definir as ações que pretende comprar, você deve escolher os setores nos quais quer investir.

Nessa avaliação, você deve considerar dois aspectos. Um deles é o desempenho do setor em si, que você pode acompanhar tanto por meio de leitura de jornais, revistas e publicações especializadas, como também nos sites das próprias empresas e das entidades que representam o setor. O segundo ponto importante é o modo como as variáveis macroeconômicas podem afetar cada segmento da indústria. Freqüentemente, uma variável causa impactos opostos em diferentes segmentos. A inflação alta, por exemplo, é ruim para o varejo, que depende fortemente do consumo da população, mas é positiva para os bancos.

CÂMBIO
O valor relativo entre as moedas traz conseqüências para vários setores e de formas distintas. Os setores expostos ao comércio exterior são mais diretamente impactados. Com a queda do dólar, importadores se beneficiam (por terem custo mais baixo) e exportadores sofrem (receitas mais baixas). O dólar alto também abala negativamente as empresas que têm dívidas atreladas à moeda norte-americana.

Setores beneficiados quando o real se valoriza: varejo, energia (boa parte da energia brasileira provem de Itaipu, e os preços são dolarizados), importação de veículos.

Setores prejudicados quando o real se valoriza: mineração, química/petroquímica, papel e celulose, exportação de veículos, siderurgia.

Setores neutros: Todos os setores de serviços, em geral, sofrem baixo impacto decorrente das oscilações do dólar. Por exemplo, o mercado imobiliário, logístico, telefonia e serviços de saúde.

INFLAÇÃO
A inflação afeta principalmente a renda dos consumidores e, conseqüentemente, todos os setores que lidam diretamente com esse público.

Setores beneficiados quando a inflação se eleva: financeiro — a inflação sugere alta nos juros, o que é bom para os bancos, que são beneficiados com o aumento da receita do “float” (permanência de recursos transitórios do cliente no banco).

Setores prejudicados quando a inflação se eleva: varejo, imobiliário.

TAXA DE JUROS
O vaivém da taxa de juros atinge todos os setores da economia, uma vez que orienta o custo do dinheiro ou a remuneração esperada pelos investidores. Quando a taxa de juros básica se eleva, o custo de oportunidade vai junto. Como o valor das empresas reflete sua capacidade de gerar fluxos de caixa no futuro, trazido a valor presente pelo custo de oportunidade, uma elevação no denominador reduz o valor das empresas. Além disso, uma alta na taxa de juros tem um efeito marginal sobre todo o consumo que depende de financiamento, seja ele de automóveis, imóveis ou bens de consumo duráveis.

PIB
O crescimento do País é positivo para todos os setores. O aumento da procura por crédito, uma das conseqüências da prosperidade econômica, beneficia os bancos, enquanto a alta no consumo é boa para o varejo. O aumento da compra de imóveis, por exemplo, ajuda a elevar as vendas na siderurgia e mineração, e por aí vai.

Caso 01: Cenário externo derruba blue chipsUma questão intrigou o mercado entre os meses de maio e julho deste ano. Grandes vedetes da Bovespa como Petrobras e Vale sofreram enormes quedas no valor de suas ações, o que acabou puxando para baixo todo o mercado.

A ação preferencial (PN) da Petrobras, por exemplo, acumulava queda de 35,99% entre o dia 20 de maio de 2008, quando a Bovespa atingiu seu pico, de 73.516 pontos, e o dia 12 de agosto; a PN da Vale perdeu 40,95%. Ambas ficaram bem abaixo do Ibovespa, que se desvalorizou no período 25,86%. Muitos investidores pessoa física que apostaram na solidez e nas perspectivas dessas grandes empresas se viram completamente perdidos.

Aí está justamente o “xis” da questão. Quando se olhava para essas blue chips sob a ótica fundamentalista, tudo apontava para um cenário oposto. Seus valores em bolsa, nesses meses, estavam muito abaixo dos preços justos previstos, o que tornaria essas ações altamente recomendadas para compra.

Ainda assim, as ações continuaram caindo. Segundo analistas, essa é uma típica situação em que o cenário externo tem impacto direto no valor das empresas, conforme falamos neste guia. A piora no ambiente internacional ocasionada pela crise imobiliária enfrentada nos Estados Unidos impactou a Bovespa e, em particular, suas ações mais negociadas. Outro movimento externo que colaborou para o tombo da cotação da Petrobras foi o recuo dos preços do petróleo e os rumores a respeito das indefinições em relação à exploração dos campos encontrados na região do pré-sal. Já no caso da Vale, somaram-se a desaceleração da economia chinesa e a queda nos preços do níquel (o produto passou a ter efeito no resultado da empresa a partir da aquisição da canadense Inco). Analistas também creditaram a desvalorização à oferta pública de ações anunciada pela Vale em junho, no montante de US$ 15 bilhões, que teria sido interpretada como um sinal de endividamento da companhia em um momento desfavorável.

Está suando frio? Pois é assim que funciona o mercado de capitais. Apesar da alta volatilidade no curto prazo, fundamentos e analistas indicam que as ações brasileiras estão subavaliadas e que haverá uma recuperação no médio e no longo prazos. Eis aí uma boa questão para quem está aprendendo a analisar investimentos: qual seria a sua decisão neste momento? Compraria Vale e Petrobras?


Quer continuar lendo?

Faça um cadastro rápido e tenha acesso gratuito a três reportagens mensalmente.
Tenha o melhor conteúdo do mercado de capitais sem limites ou interrupção.
Assine a partir de R$ 36/mês!
Você está lendo {{count_online}} de {{limit_online}} matérias gratuitas por mês

Você atingiu o seu limite de {{limit_online}} matérias por mês. X

Ja é assinante? Entre aqui >

ou

Aproveite e tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo sobre mercado de capitais!

Básica

R$ 4, 90*

Nos três primeiros meses

01 Acesso Digital
-
10% de Desconto em grupos de discussão e workshops
10% de Desconto em cursos
Acervo Digital
sem áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$36,00

Completa

R$ 9, 90

Nos três primeiros meses

01 Acesso Digital
01 Edição Impressa
10% de Desconto em grupos de discussão e workshops
10% de Desconto em cursos
Acervo Digital
sem áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$42,00

Corporativa

R$ 14, 90

Nos três primeiros meses

05 Acessos Digitais
01 Edição Impressa
15% de Desconto em grupos de discussão e workshops
15% de Desconto em cursos
Acervo Digital
sem áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$69,00

Clube de conhecimento

R$ 19, 90

Nos três primeiros meses

05 Acessos Digitais
01 Edição Impressa
20% de Desconto em grupos de discussão e workshops
20% de Desconto em cursos
Acervo Digital
com áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$89,00

**Áudios de todos os grupos de discussão e workshops.




Participe da Capital Aberto:  Assine Anuncie


Tags:  Valuation Encontrou algum erro? Envie um e-mail



Matéria anterior
Calculando o futuro
Próxima matéria
O mundo ao seu redor



Comentários

Escreva o seu comentário sobre este texto!

O seu endereço de e-mail não será publicado.



Recomendado para você





Leia também
Calculando o futuro
As demonstrações financeiras são muito importantes para a análise de investimentos sob a ótica fundamentalista. São...