“Os fundos de pensão não estão trabalhando bem”

Colin Melvin

Especial / Gestão de Recursos / Edições / Temas / Cobertura ICGN 2009 / Reportagem / 1 de agosto de 2009
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Há 15 anos o britânico Hermes exerce o que Colin Melvin chama de “ownership work”: gerencia as participações acionárias detidas por fundos de pensão de modo a influenciar os rumos das companhias investidas. Hoje, 11 fundos delegam essa tarefa de governança para o Hermes. Veja os principais trechos da entrevista com Melvin, CEO da Hermes da área de Equity Ownership.

Por que os investidores não vigiam a governança das companhias?
Nós temos uma contradição hoje: os fundos de pensão, que deveriam estar focados no longo prazo, entregam seus recursos para gestores de recursos que pertencem ao setor financeiro e olham para o curto prazo. Para esses gestores, não faz sentido trabalhar com o longo prazo, se é o curto que gera transações e, portanto, mais receitas. Precisamos encorajar os dirigentes das fundações a pensar mais no longo prazo ou a insistir para que os gestores contratados façam isso.

Como fazer isso?
As fundações precisam se envolver mais no processo de investimento, participar mais da parceria com os gestores que lhes prestam serviços. Afinal, eles são a parte interessada. Precisamos reconectar aqueles que detêm o dinheiro com os que usam o dinheiro.

Vocês conseguiram enxergar as falhas de governança nos bancos antes do colapso de setembro?
Sim. Um ponto claro era que, apesar de a gestão de riscos ser um elemento fundamental no trabalho dos banqueiros de investimento, eles pareciam estar muito mais preocupados em operar os ativos do que em olhar para os riscos. Outro problema era ter pessoas incentivadas a vender com base em metas de receita e não de lucratividade. Isso os levou a vender produtos para pessoas que nunca poderiam pagar os seus empréstimos. E, como se não bastasse, ainda empacotar esse crédito e multiplicar o risco pelo mercado.

De que forma os investidores podem evitar essas falhas?
Tornando-se mais participativos. Essa era a parte da cadeia que estava faltando. As regras de governança, no que diz respeito às estruturas a serem criadas, já são muito boas em vários países do mundo. Agora cabe aos acionistas fazer a sua parte

E o que exatamente esses investidores precisam fazer?
Precisam conversar olho no olho com os administradores e fazer perguntas sobre estratégia, estrutura de capital e gestão de riscos, de forma rotineira. Não basta confiar em quem diz ter boas práticas.

Quais os principais pontos de governança que vocês estão observando hoje nas companhias?
Depende bastante do país e também da indústria em que a companhia está inserida. Indústrias de mineração, por exemplo, têm problemas específicos em relação a suborno e corrupção. Olhamos também para as práticas trabalhistas e para as emissões de carbono. Sabemos que, no futuro, as regulamentações vão mudar e que companhias emissoras de carbono em quantidades superiores às de seus concorrentes serão prejudicadas. Em resumo, olhamos para tudo que possa afetar a rentabilidade da companhia no longo prazo.


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