O valor de uma empresa

Especial/Relações com Investidores/Reportagem/Edições/Temas / 1 de setembro de 2008
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Após eleger os setores mais atrativos, chega o momento em que surgem as maiores dúvidas: quais empresas escolher? Como saber se este é o melhor momento para comprar? Como descobrir se o preço de uma ação está caro ou barato? Não existem respostas exatas para essas perguntas, assim como não se devem utilizar indicadores isolados para determinar a sua decisão de investir. Mas algumas análises combinadas podem ajudá-lo a conhecer melhor as empresas antes de fazer a sua escolha.

Você já deve ter observado que o valor de mercado das organizações é bem diferente do seu valor contábil. Isso ocorre porque o preço de um ativo estabelecido pelos investidores também leva em consideração uma série de elementos que não constam em balanço, mas que podem dirigir ou influenciar essa avaliação, como as práticas de governança corporativa, o valor da marca, o perfil dos principais dirigentes, a carteira de clientes e o momento da economia e do setor.

Os especialistas e investidores utilizam basicamente dois tipos de metodologias para avaliar as empresas: a análise técnica e a análise fundamentalista.

A escola técnica, também chamada de grafista ou gráfica, apóia-se em estatísticas para determinar os movimentos futuros da cotação da ação. Ela parte do princípio de que os preços dos papéis negociados já refletem as informações disponíveis sobre uma empresa. Essa metodologia é mais focada no curto prazo e ajuda investidores a definir o momento de entrada e saída de uma sociedade listada em bolsa.

Neste guia, optamos por abordar a análise fundamentalista, cuja premissa básica é a de que há variáveis importantes de uma empresa que não são precificadas pelo mercado. Os adeptos dessa metodologia acreditam que a definição do valor justo de uma empresa se dá a partir de sua capacidade de gerar lucros no futuro. Essa abordagem é mais voltada para o longo prazo.

A escola fundamentalista leva em consideração uma combinação de fatores, como informações contábeis, indicadores da empresa, cenário macroeconômico, setor de atuação e até mesmo questões políticas que possam respingar em variáveis econômicas. As projeções futuras, nesse caso, são trazidas a valor presente e determinam o que se chama de preço justo da ação.

Esse preço é o ponto de equilíbrio que guia as decisões dos investidores. É um conceito simples: se a cotação do papel na bolsa está mais baixa do que o preço justo, é indicada a compra do ativo, já que existe a perspectiva de valorização da ação até alcançar o preço ideal. O mesmo acontece em situação oposta: quando o valor de mercado está acima do preço justo, ou seja, se a ação está supervalorizada, não é um bom momento para comprar — talvez, sim, para vender. Vale lembrar que o preço justo é um entendimento subjetivo e individual, que pode variar de investidor para investidor.

Especialistas dizem que o típico investidor que quer fazer ganhos no curto prazo, promovendo grandes giros em sua carteira, geralmente prefere a análise gráfica. Aqueles que se concentram no horizonte de longo prazo e dão mais valor a dividendos preferem a análise fundamentalista.

OS FUNDAMENTOS
O primeiro ponto que você deve avaliar na saúde financeira de qualquer empresa é a diferença entre suas receitas e despesas, isto é, o lucro. Quanto maior a margem de lucro, em tese melhor é a situação da companhia. É importante analisar a organização sob o ponto de vista histórico, para entender se o desempenho está melhorando ou piorando em termos de margens de lucro, receitas e dívidas. Então, depois de estudar o passado, é hora de tentar projetar o futuro.

O processo de análise fundamentalista de empresas é chamado de valuation e consiste em projetar o fluxo de caixa futuro da instituição para calcular o preço-alvo da ação. Há uma corrente de pessoas que defende que essa avaliação deve ser realizada apenas por profissionais especializados. De fato, fazer uma projeção de fluxo de caixa é tarefa complexa. Requer conhecimento sólido sobre uma empresa para prever a sua participação de mercado daqui a alguns anos, seus investimentos futuros, preços de venda dos produtos e as respectivas demandas, entre outros fatores.

Nas corretoras, os analistas fundamentalistas tendem a se especializar em apenas um grupo de ações (um ou dois setores) em razão das particularidades de cada empresa. Quem cobre o mercado de commodities, por exemplo, precisa enxergar qual o consumo esperado para uma determinada mercadoria, o estoque e a produção prevista para aquele ano, o comportamento dos concorrentes, o cenário internacional, etc.

Mas não se assuste. A prática mostra que qualquer investidor – desde que interessado e aplicado – é capaz de criar sua própria metodologia de análise de investimento: basta ter noções básicas de macroeconomia e matemática, capacidade de cruzar as informações, visão empresarial, disciplina e tempo para se dedicar ao estudo das empresas. Sem noção dos fundamentos, você pode se tornar refém das opiniões alheias e ficar à mercê das oscilações de preços no curto prazo.

Não tenha dúvidas de que você vai tropeçar no começo até aprender as “manhas” do mercado. Mas saiba que, mesmo os analistas mais experientes, que fazem isso o dia inteiro, também erram.

ESTUDE E INFORME-SE
A escola fundamentalista, como você já percebeu, exige atenção a informações internas, setoriais ou microeconômicas que envolvem cada empresa.

Mas como obter tantas informações? De várias maneiras:

1. Por meio da leitura atenta e constante de jornais e revistas você consegue fazer algumas interpretações em relação a cenário macroeconômico e também acompanhar notícias sobre as empresas. Esteja atento a mudanças relevantes nos quadros técnicos e de direção, programas de pesquisa e de desenvolvimento de recursos humanos, campanhas publicitárias e, no campo financeiro, alterações na estrutura do capital de giro da empresa. Nos campos setorial e macroeconômico, confira as informações sobre a concorrência e as políticas governamentais específicas para área de atuação de cada empresa, em particular as políticas de crédito, fiscal e cambial;

2. Aproveite ao máximo as informações que a sua corretora oferecer;

3. Entre nos sites das empresas, especialmente nas páginas de relações com investidores (RI). Veja se a empresa é transparente na divulgação das informações aos seus acionistas minoritários;

4. Converse com amigos, analistas de corretoras, diretores de RI, economistas e outros especialistas que possam ajudá-lo a formar opinião.

QUESTÃO DE TEMPO E PERFIL
Uma das características que diferenciam as análises técnica e fundamentalista é o tempo exigido para acompanhar o mercado. Por isso, conhecendo bem o seu próprio perfil, fica mais fácil descobrir com qual dos dois modelos você se identifica mais. Você é mais competitivo e passional ou mais analítico e planejado?

Justamente pela característica focada no curto prazo, a escola técnica exige que você tenha tempo disponível durante o horário comercial, porque terá de ficar grudado no home broker acompanhando o vaivém dos papéis no pregão.

Já para fazer a análise fundamentalista não é necessário ficar vidrado na tela do computador por horas a fio, mas isso não significa menos tempo devotado a ela. O que muda é o tipo de esforço. Além do conhecimento básico prévio de contabilidade, matemática financeira e análise de balanços, essa modalidade de avaliação requer o acompanhamento de demonstrativos contábeis a cada trimestre e a leitura regular de jornais e revistas especializados.


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