Novos tempos

De forma pioneira, Bradesco une as áreas de responsabilidade socioambiental e de RI para atender ao novo olhar do investidor



Ao cair da tarde, quando costuma bater aquela fominha, as diferenças entre as duas equipes ficam evidentes. Uma avança nos chocolates e refrigerantes; a outra, do tipo “geração natureza”, vai de granola, frutas e sucos. Os primeiros lidam com números ao ritmo frenético do mercado de capitais. Os demais estão ali para proteger o planeta. Essa combinação inusitada de perfis compõe, no Bradesco, o departamento de Relações com o Mercado, que tem, sob o seu guarda-chuva, a área de RI e a de Responsabilidade Socioambiental (RSA). O formato, inédito no mercado brasileiro, foi criado pelo banco há dois anos, com objetivo de aproximar o tema sustentabilidade dos investidores e analistas. “No fundo, RI e responsabilidade socioambiental são faces diferentes de uma mesma moeda”, justifica o diretor departamental de Relações com o Mercado, Jean Philippe Leroy. “Ambos tratam de uma relação de longo prazo com os stakeholders”.

A união das áreas culminou em uma aproximação dos conceitos no dia-a-dia. Os profissionais de RI incluem a sustentabilidade entre os temas de suas apresentações ao mercado de capitais, enquanto a equipe de RSA fala da estratégia do banco nas exposições para grupos externos. “Os investidores, que antes olhavam apenas para o trimestre, estão mais preocupados em ter uma visão de médio e longo prazo do negócio. Isso inclui saber como a empresa trata questões de riscos socioambientais”, diz Leroy. Nesse cenário visualizado pelo executivo, não basta aos RIs saber as respostas sobre gestão, produtos e serviços do banco. Eles precisam conhecer também o que a empresa tem feito para ajudar a preservar a Amazônia, como ela neutraliza emissões de carbono e quais são seus principais projetos sociais.

O time de Relações com o Mercado é dividido em três: uma equipe específica de RI, outra de responsabilidade socioambiental e um pequeno grupo de comunicação que atende a ambos os temas na divulgação de materiais ao mercado e à imprensa, além de cuidar do abastecimento de informações na internet. O departamento conta, hoje, com 19 pessoas e, em breve, segundo o diretor, esse número deverá ser ampliado para 25. Na estrutura hierárquica do banco, Leroy responde para o diretor de riscos e compliance, Domingos Abreu, e para o vice-presidente financeiro e diretor de RI, Milton Vargas.

Para promover a integração entre as equipes, Leroy as coloca em parceria sempre que possível. Em uma espécie de roadshow interno, no qual o departamento de Relações com o Mercado explica suas atividades e objetivos para as demais áreas do banco (são mais de 30), os profissionais de RI e RSA se revezam na apresentação. Apesar de as demandas de Relações com Investidores e as de Responsabilidade Socioambiental serem diferentes no cotidiano, há pontos importantes de convergência, como a participação no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da Bovespa, e o Dow Jones Sustainability Index, da Bolsa de Nova York.

A DEMANDA É DO MERCADO — A necessidade de sinergia entre essas áreas, para atender aos indicadores de mercado, foi, a propósito, um dos fatores que culminou na união dos dois departamentos. Índices de sustentabilidade como ISE e Dow Jones avaliam não apenas aspectos econômico-financeiros, mas também vão a fundo em questões de governança corporativa, meio ambiente e responsabilidade social. Eles respondem a uma tendência mundial dos investidores, que procuram empresas com atuação sustentável no longo prazo, por acreditar que essas organizações estão mais preparadas para enfrentar riscos econômicos, sociais e ambientais.

Na visão de especialistas, a relação estreita entre os profissionais de RI e aqueles envolvidos com a responsabilidade socioambiental é fundamental. “Agora, com o grau de investimento, o País poderá atrair muitos fundos internacionais que seguem critérios de sustentabilidade atrelados às suas políticas de investimento. E os RIs devem estar preparados para atender a esses investidores”, diz Roberto Gonzalez, diretor da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) e professor de governança corporativa das faculdades Trevisan. Outra missão que os profissionais de RI devem assumir, na visão de Gonzalez, é aproximar a sustentabilidade da área contábil. “O forte vínculo entre esses dois departamentos permite que o RI oriente a área contábil a incluir, por exemplo, critérios socioambientais na contratação de fornecedores”, diz ele.

A nova formação proposta para a área de Relações com o Mercado reflete um posicionamento que o Bradesco, maior banco privado do País, com R$ 356 bilhões em ativos sob gestão, tem procurado consolidar perante seus públicos. Em novembro de 2007, foi anunciada a criação do Banco do Planeta, uma área dedicada a centralizar projetos e ações socioambientais da instituição, além de criar produtos e serviços que propiciem uma relação mais harmoniosa com os clientes, a sociedade e o meio ambiente. Uma forte campanha de mídia tratou de divulgar os empreendimentos realizados pelo banco nessa área, com objetivo de mostrar que a associação da marca Bradesco com a sustentabilidade não seria simples jogada de marketing. Em 2007, os investimentos em ações sociais diretas (em educação, meio ambiente, inclusão digital, cultura e esporte) foram de R$ 338,9 milhões. Os valores incluem os recursos aplicados pela Fundação Bradesco, que somam R$ 201 milhões.

As comunicações do banco, tanto para os funcionários como para o público externo, têm procurado destacar o elo entre a geração de valor para os investidores e a responsabilidade social e ambiental — posicionamento que já era adotado por concorrentes como ABN Real, Itaú e Banco do Brasil. “O Bradesco tem a preocupação permanente de valorizar o capital de seus mais de 1,4 milhão de acionistas e investidores, parceiros que enxergam a atividade empresarial como um dos mais eficientes instrumentos de fomento do desenvolvimento e da prosperidade, com conseqüente redução das desigualdades”, reforça um trecho descrito no site do Banco do Planeta. Aos poucos, e com discrição, o Bradesco leva as questões sociais e ambientais ao centro de suas atividades.


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