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Manobra acertada
Com uma estratégia focada em expansão do crédito e risco mais baixo, Unibanco se destaca em EVA e sobe ao pódio pelo segundo ano consecutivo

, Manobra acertada, Capital AbertoCostuma-se dizer, no jargão esportivo, que mais difícil que atingir o pódio em uma competição é voltar a ocupá-lo na disputa do ano seguinte. Isso porque o atleta — ou a equipe — premiado deixa de ser mais um no páreo para se tornar um referencial a ser superado por seus oponentes. De um ano para cá, o Unibanco conseguiu esse feito. No ranking Melhores Companhias para os Acionistas da CAPITAL ABERTO, foi o único premiado pela segunda vez. Sua primeira classificação foi no ano passado, também na categoria de companhias com mais de R$ 15 bilhões em valor de mercado.

Em 2007, o terceiro maior banco privado do País havia abocanhado o primeiro lugar. Desta vez, desceu um degrau, mas isso não desanimou Rogério Calderon, diretor executivo de planejamento, controle e Relações com Investidores (RI). “Nosso mercado de capitais possui empresas de alto nível, portanto é uma satisfação estar entre os primeiros novamente”, diz.

Ele tem razões para estar orgulhoso. O incremento no retorno econômico da companhia, medido pelo EVA, foi o mais alto entre os concorrentes do segmento, com uma variação de 6%. No ano anterior, essa variação havia sido de 3,8%. A melhora reflete uma estratégia focada em menores riscos e contenção de despesas. No fornecimento de crédito ao varejo, um dos pilares do Unibanco, houve uma mudança de carteiras de risco mais elevado para outras mais moderadas. E o resultado foi muito bom: a carteira de crédito do banco inflou 25% este ano. Mas como a companhia obteve margens financeiras mais polpudas com ativos com menor risco?

Para Calderon, tudo se resume em decisões acertadas. “Antecipamos bem aquele momento de instabilidade que se formou nos Estados Unidos e, em cima disso, precificamos bem nossos produtos e os administramos de maneira eficaz”, explica. Um dos produtos que mais cresceu na carteira de crédito é o financiamento de automóveis, responsável por um aumento de 10,4% no último trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado.

Se, no retorno financeiro, o investidor só tem a comemorar, a situação muda, quando a questão é o retorno econômico da ação nos 12 meses anteriores, medido pelo Total Shareholder Return (TSR) e subtraído do custo do capital próprio. Em 2 de junho de 2007, a variação do TSR estava em 35,7%; um ano depois, o número havia desabado para 4%. Na visão de Calderon, a instabilidade internacional provocada pela crise imobiliária norte-americana pode responder por boa parte dessa queda. O resultado, no entanto, foi superior ao registrado por 75% da categoria acima de R$ 15 bilhões em valor de mercado, o que possibilitou ao Unibanco a classificação.

Calderon conta que, em meio à turbulência por que passou o mercado, as ações do banco foram as grandes prejudicadas, já que a remuneração com dividendos segue de vento em popa. “Com a crise, a conseqüente demanda pela realização das ações acabou castigando o preço”, conta. Segundo dados da Economática, as ações ON do Unibanco passaram por uma oscilação negativa de 22,8% de um ano para cá. Em 4 de junho de 2007, o papel fechou o pregão cotado a R$ 25,06, contra R$ 19,50 em 2 de junho deste ano. Para o diretor, a situação é transitória e os bons ventos devem voltar aos papéis do banco, assim que a tormenta passar.

No quesito governança corporativa, a companhia manteve o mesmo desempenho do ano anterior, com a nota 7,1. Está listada no Nível 1 da Bovespa desde 26 de junho de 2001. Por negociar papéis há muito tempo em Nova York — foi o primeiro banco privado brasileiro a listar ADRs na bolsa norte-americana, em 1997 — e estar submetido às pesadas lupas da rigorosa Lei Sarbanes-Oxley, o banco possui, segundo Calderon, bases de boas práticas já entranhadas. “O banco publica demonstrações financeiras em US Gaap, o padrão contábil norte-americano, desde 1997, além de possuir comitês de auditoria, de ética e de prevenção a fraudes e a lavagem de dinheiro”, conta o executivo.

Veterano na listagem de ADRs, Unibanco está habituado às pesadas exigências de governança
da SOX

Na última revisão do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), o Unibanco foi excluído da nova carteira. Calderon não quis comentar os critérios do índice que o levaram a ficar de fora do principal benchmark nacional em sustentabilidade, mas deu o recado: “Pretendemos voltar”. Iniciativas para isso não faltam. Em maio, o banco aderiu ao Pacto Global, iniciativa da Organização das Nações Unidas de promoção ao crescimento sustentável e à cidadania. “No pacto, firmamos um compromisso público de alinhamento entre negócios e princípios para direitos humanos, meio ambiente, relações de trabalho e luta contra a corrupção”, explica. Em agosto, a companhia ganhou o prêmio Brasil Ambiental na categoria Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) pelo projeto da Termoelétrica Bandeirantes, que gera eletricidade a partir do gás metano liberado de um aterro sanitário.

Para o próximo ano, o Unibanco pretende se manter focado no crédito, correndo riscos mais baixos. E, com uma eventual melhora no cenário externo, voltar a valorizar seus papéis.


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