Luz sobre as trevas

Light sai de período obscuro para brilhar entre as distribuidoras de energia

Especial / Edições / Relações com Investidores / Temas / As Melhores Companhias para os Acionistas 2009 / Reportagem / 1 de outubro de 2009
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Poucos casos recentes se equiparam ao da Light em termos de recuperação operacional e de reputação. Depois de quase falir, a empresa trocou de mãos em 2006, e a nova administração precisou suar para aumentar a atratividade das ações. O retorno ao acionista passou a ser uma prioridade, ao lado da reorganização das operações. Juntos, esses dois focos resultaram em lucros maiores, dividendos mais significativos e valorização em bolsa. E foram esses critérios que levaram a Light à terceira posição no ranking As Melhores Companhias para os Acionistas 2009, na categoria de valor de mercado entre R$ 5 bilhões e R$ 15 bilhões.

A distribuidora de energia adota uma política de dividendos polpudos: no mínimo 50% do lucro líquido é repassado. Em 2009, apesar da crise, a companhia anunciou a distribuição de 52%. Na soma dos últimos três anos, a capacidade dos proventos de remunerar os acionistas da Light foi maior que a valorização das ações. Em função dessa prática, a companhia está dentre as quatro de sua faixa de valor de mercado, participantes da amostra, que atingiram um total shareholder return (TSR) positivo entre 2008 e 2009 (16,67%).

Na soma dos últimos três anos, os proventos remuneraram mais os acionistas do que a valorização das ações

Embora a criação de valor da companhia calculada pelo economic value added (EVA) continue negativa, a geração de caixa, medida pelo Ebitda, tem aumentado constantemente. O crescimento se acelerou depois que o controle da empresa passou das mãos de multinacionais estrangeiras e da CSN para sócios brasileiros, em 2006. Quando assumiu o negócio , a Rio Minas Energia Participações (que reúne, dentre outros, a Cemig e o grupo Andrade Gutierrez) tinha uma empresa com Ebitda de R$ 700 milhões anuais, cifra que se elevou para quase R$ 1,5 bilhão. “A chegada dos players brasileiros melhorou a gestão”, observa o analista do setor elétrico Ricardo Corrêa, da Ativa Corretora.

Como consequência, as ações da Light valorizaram bem acima das de suas pares. De agosto de 2006 até o último dia 31 de julho, os papéis da empresa subiram 108%, enquanto no mesmo período o Índice de Energia Elétrica (IEE) da Bovespa subiu 76%, e o Ibovespa, 42%. “Os resultados operacionais só fazem progredir desde que assumimos a companhia”, enfatiza o presidente José Luiz Alquéres. A principal fórmula para aumentar os resultados foi ganhar eficiência. Alquéres lembra que, nos últimos 12 anos, a inflação medida pelo índice de preços ao consumidor amplo (IPCA) foi de 134%, mas o reajuste da tarifa elétrica da Light, de 104%. Ainda há espaço para melhorias, como reconhece o vice-presidente executivo e de relações com investidores (RI), Ronnie Vaz Moreira: “Reduzimos nossos custos em 40% desde a entrada no negócio, e, até 2012, a meta é que eles cresçam abaixo da inflação”.

No longo prazo, Corrêa vê o processo de urbanização do Rio de Janeiro como potencial fonte de novos clientes para a Light. E a empresa está apostando alto na formalização das favelas para diminuir as perdas e aumentar as receitas. No morro Dona Marta, está testando um programa de formalização do consumo de energia, em parceria com os governos municipal e estadual. A companhia oferece energia com qualidade e segurança, e os moradores aproveitam a tarifa social de R$ 30 por mês, viabilizada com subsídios da Eletrobrás. “Começamos a ver sucesso no incentivo à legalização”, diz Moreira.

A área de geração de energia é outra frente da Light para acelerar seu crescimento e diversificar suas fontes de receita. A meta é ampliar em pelo menos 50% a capacidade de geração até 2010, para 1,3 mil megawatt. Cabe destacar o papel da Light Esco, divisão que presta serviços de eficiência energética para empresas, instala e opera subestações de energia para grandes clientes. “Hoje quase 90% do nosso Ebitda vem da distribuição de energia, mas em quatro a cinco anos esperamos que os outros setores respondam por 40% a 50%”, prevê o vice-presidente da Light.

Em todos esses projetos, a companhia tenta mostrar a marca da sustentabilidade integrada à sua atividade principal. Na área de geração, por exemplo, não investe em energia termelétrica e agora busca negócios em segmentos alternativos, como energia eólica e de biomassa. Moreira adianta que a Light está considerando participar do leilão de energia eólica que será realizado pelo governo em novembro.

Se ganhou pontos no quesito sustentabilidade, a empresa perdeu alguns poucos em governança corporativa. Ela sofreu descontos por não ter comitês de auditoria nem de remuneração com pelo menos um membro independente. “Nossos comitês são bastante atuantes no nosso conselho de administração”, ameniza o vice-presidente de RI. Já Corrêa resume sua impressão: “A Light não traz surpresas para o investidor, e isso é o principal indicativo da transparência da empresa”.



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