Lisura a toda a prova

Renner adota um guidance honesto, paga gordos dividendos e acumula alta de mais de 300% após a oferta que pulverizou o seu capital

Especial/Relações com Investidores/As Melhores Companhias para os Acionistas 2008/Reportagens/Edições/Temas / 1 de setembro de 2008
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Era véspera de Natal. Logo, revisar para baixo a expectativa de vendas e anunciá-la ao mercado seria como dar um tiro no próprio pé. E foi. Mas a Lojas Renner não titubeou: no meio da tarde do dia 11 de dezembro do ano passado, soltou um comunicado informando que os resultados do quarto trimestre poderiam ficar abaixo do esperado. A varejista gaúcha fez um mea-culpa. Justificou que o mau humor do cenário macroeconômico tinha afugentado sua fiel freguesia das lojas. Os clientes passaram a pôr dinheiro no pagamento de bens duráveis, alimentação e moradia em vez de desembolsar com artigos para encher, renovar ou simplesmente complementar o guarda-roupas.

“Claro que as ações caíram imediatamente”, recorda, como num clique rápido, José Galló, presidente da cadeia de lojas. Os papéis escorregaram em torno de 15%. “Mas se uma empresa se propôs a estar no Novo Mercado, precisa revelar a verdade, mesmo sob pena de perder num primeiro momento”, diz, em seguida. “Ganhamos a confiança do mercado.” Apostar firme no relacionamento com o investidor, aliás, foi um dos fatores que levaram a Lojas Renner ao topo do ranking Melhores Companhias para os Acionistas, na categoria de empresas com valor de mercado até R$ 5 bilhões.

A varejista sediada em Porto Alegre destacou-se na maior parte dos quesitos avaliados no ranking. Em governança corporativa, obteve um regular 7,7, mas essa nota representou 9,09 na escala de zero a dez da categoria. Brilhou no TSR, sigla que batiza o Total Shareholder Return e serve para medir o desempenho do preço das ações, acrescido dos dividendos e demais proventos em um determinado período. Enquanto as 31 empresas listadas em bolsa e com valor de mercado até R$ 5 bilhões registram média zero, a Lojas Renner obteve nota 3,77. O mimo aos acionistas vem sendo feito desde 2005, quando a companhia passou a distribuir dividendos sedutores. Naquele ano, 85% do lucro foi para o bolso dos acionistas. Em 2006, o percentual somou 75% e, no ano passado, também.

Pagar mais dividendos só foi possível porque, em 2005, a Lojas Renner passou a ser uma empresa de muitos donos. A JC Penney, sua antiga controladora, pulverizou o capital da varejista gaúcha na bolsa de valores e deixou o Brasil. Aproveitou também a oferta secundária para fazer um aumento de capital. “Os recursos adquiridos com a operação serviram para pagar dívida e ainda garantiram uma posição confortável de caixa”, diz Paula Picinini, gerente de Relações com Investidores (RI).

O caixa reforçado sustentou o plano de investimentos da empresa, agora com 101 lojas Brasil afora, e garantiu que a Renner se mantivesse sem dívida. Ao produzir bons resultados a partir de uma base de capital modesta — sem recursos de terceiros —, a Renner favoreceu o seu Economic Value Added (EVA). O indicador mede se a empresa criou, ou não, valor para o acionista, considerando o risco do negócio e a eficiência do capital empregado. No quesito EVA, a Renner obteve nota 3,14, enquanto a média da categoria ficou em 0,02.

A companhia, no entanto, está revendo a sua posição de endividamento. Segundo Paula, há a necessidade de melhorar a estrutura de capital, usando algum instrumento de dívida. Um passo nessa direção poderá ser dado em breve, quando a companhia finalizar a aquisição da varejista carioca Leader, cuja operação ainda está em fase de due dilligence. “É possível que a empresa use algum tipo de financiamento em vez de equity.”

A intenção de comprar a concorrente Leader, uma rede com 38 lojas espalhadas pelo Sudeste e três estados do Nordeste, foi anunciada em março, mas o preço ainda segue guardado bem mais que a sete chaves. Com o negócio, avançará na corrida pela liderança do varejo têxtil, embora permaneça atrás da multinacional holandesa C&A. Para a executiva, um endividamento na proporção de uma vez e meia o Ebitda representa um patamar confortável.

Ainda que prime pela transparência, a Renner deixou o mercado chateado na divulgação do resultado do segundo trimestre deste ano. As ações apresentaram queda, mas Paula ressalta que, mesmo assim, os papéis acumulam uma valorização de 315% em relação à oferta que pulverizou o seu capital. De R$ 7,40, em 2005, o papel foi a R$ 30,70 em meados de agosto.

Na busca por uma melhor estrutura de capital, Renner pretende recorrer a instrumentos de dívida

Se a Renner foi bem em praticamente todos os quesitos usados na avaliação desse ranking, perdeu pontos no quesito sustentabilidade. Não que não adote a causa em questão. Mas simplesmente — e por enquanto — não está listada no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da Bovespa. O presidente da Renner diz que isso ainda é temporário. A gerente de RI faz coro e afirm a que, desde 2004, a varejista tem feito, aqui e ali, algumas ações. Em junho, por exemplo, criou o Instituto Lojas Renner, que trata da inserção da mulher no mercado de trabalho. Em breve, acreditam, uma listagem no ISE não será surpresa.


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