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Brasil sai da figuração para ocupar papel central entre mercados emergentes de private equity

Especial / Gestão de Recursos / Edições / Temas / Cobertura EMPEA 2009 / Reportagem / 1 de dezembro de 2009
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Nada como uma crise internacional para mudar o jogo de forças entre os países. Antes de a Economist ilustrar sua capa com o Cristo Redentor subindo como um foguete, na edição de 14 de novembro, já era possível ouvir comentários entusiasmados sobre o Brasil ali mesmo na cidade de Londres, onde fica a redação da bíblia do jornalismo econômico. No dia 6 de novembro, a BM&FBovespa havia aberto seu escritório na capital britânica, menos de 48 horas após o BNDES ter inaugurado o seu, também em Londres, com direito a pompas — o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva; o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles; e os ministros Guido Mantega e Dilma Rousseff estiveram lá. Mas foi nos dias 3 e 4, num evento na City, o coração financeiro de Londres, que o valor do País foi reconhecido de forma genuína. Espontaneamente, investidores e gestores de recursos estrangeiros resolveram jogar os holofotes sobre o Brasil.

Palestrantes e público da conferência anual The Emerging Markets Private Equity Forum enalteceram o momento brasileiro. Nem de longe remetiam ao evento do ano passado, quando o País mal foi mencionado como destino de recursos de capital de risco, ofuscado por seus pares da Ásia, do Leste Europeu, e até da África. Em 2009, a balança se voltou a nosso favor, e toda a indiferença dirigida ao Brasil se converteu em admiração. “O fato de a economia ter sobrevivido tão bem a essa crise financeira global e se recuperado rapidamente surpreendeu muita gente na comunidade internacional”, notou Roger Leeds, presidente do conselho de administração da Empea, fã assumido da nação (leia entrevista na página 14).

Quando questionada sobre qual mercado emergente superaria os demais em investimentos de private equity, a plateia, por meio de votação eletrônica, colocou o Brasil em primeiro lugar na ordem de preferência (com 28% dos votos), seguido por África (27%), Índia (11%), e China (8%). Os africanos, aliás, foram os únicos a baterem o Brasil em outras duas enquetes do tipo feitas ao longo da conferência — sobre os investimentos mais atraentes hoje e os dos próximos 12 meses.

Cabe lembrar que era forte a presença de gestores e investidores do continente africano no fórum — o banco sul-africano Standard era um dos principais patrocinadores. Além disso, a dinâmica de investimentos na região é totalmente diferente. “A África foi sempre tão ignorada que sobram oportunidades em quase todos os setores, a preços bons”, explicou Tom Gibian, CEO da Emerging Capital Partners, que gere fundos com patrimônio total de US$ 1,6 bilhão, aplicado em mais de 40 países africanos. “Quando se começa do zero, cresce-se muito mais rápido”, ressaltou Leeds. “Fora a África do Sul, nenhum outro mercado do continente oferece boas bases de investimento como o Brasil.”

Apresentação solo
Um dos sinais de que o Brasil foi promovido de categoria é o fato de ter comandado uma sessão própria na edição deste ano da conferência. Em 2008, tinha dividido uma sala com outros países latino-americanos. A mesa foi composta de um time bem diversificado, formado por Álvaro Gonçalves, sócio-fundador da Stratus; Fernando Borges, superintendente do grupo Carlyle no Brasil; Eduardo Sá, chefe do departamento de fundos de capital empreendedor do BNDES; e Erwin Russel, sócio-diretor da Artesia Gestão de Recursos.

Em torno de 45 pessoas estiveram na sala e responderam às perguntas lançadas pela mesa. Caso fossem investir no Brasil, 43% se concentrariam em oportunidades em médias empresas. O segundo maior interesse são os investimentos em imóveis, com 24% de adesão. Para 45% dos presentes, a maior razão para o otimismo quanto ao Brasil é o crescimento da economia; os fundamentos macroeconômicos estáveis e positivos foram citados por 39%. Não dá para separar esses dois fatores, na avaliação dos investidores. Charles Kaye, presidente da gestora de fundos Warburg Pincus, já havia comentado as boas perspectivas para o País. “Se a inflação for mantida sob controle, podemos esperar por cortes mais significativos na taxa de juros”, afirmou.

Erwin Russell defendeu a tese de que existe uma fonte de capital importante no Brasil, mas inexplorada: “95% dos proprietários de imóveis não têm hipotecas.” Na sua visão, esse capital potencial deverá ser empregado quanto maior for a redução da taxa de juros. “Quando o custo de oportunidade for menor, as pessoas físicas poderão se endividar mais e injetar recursos na economia”, espera. Álvaro Gonçalves engrandece a importância dos 25 milhões de indivíduos que ingressaram na classe média nos últimos cinco anos. “Em 2011, se chegarmos a 200 milhões, teremos uma classe média com um tamanho equivalente à da norte-americana no início dos anos 90”, calculou. Se as expectativas forem atendidas, estaremos prontos para o próximo salto.



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Tags:  Investimentos Gestão de Recursos Captação de Recursos Private equity e venture capital Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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