“Latino–americanas poderiam se listar no segmento”

JOSÉ ROBERTO MENDONÇA DE BARROS

Especial/Governança Corporativa/Reportagem/Edições/10 anos de Novo Mercado/Temas / 1 de abril de 2012
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Coordenador do estudo Desafios e Oportunidades para o Mercado de Capitais Brasileiro, que forneceu as bases para a criação do Novo Mercado, José Roberto Mendonça de Barros estava à frente da consultoria MB Associados quando recebeu da Bovespa a missão de encontrar soluções para revigorar o mercado de capitais. O primeiro passo foi chamar profissionais de peso para apoiá-lo. Dentre os escolhidos, estavam os economistas José Alexandre Scheinkman e Antonio Gledson de Carvalho, e o advogado Luiz Leonardo Cantidiano. A situação era crítica. Apesar de as privatizações terem ampliado o fluxo de dinheiro para o País e feito a Bolsa girar US$ 1,5 bilhão por dia, um dos dez maiores volumes de negociação diária no mundo na época, os números eram artificiais e escondiam uma dura realidade: o mercado de capitais brasileiro estava depauperado. A quantidade de companhias listadas na Bovespa não parava de cair; as aberturas de capital eram praticamente inexistentes. Entre 1994 e 1999, o pregão paulista abrigou apenas 29 ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês), a maioria de empresas e consórcios criados para participar dos leilões de privatização. Para piorar, grandes companhias estavam preferindo emitir American depositary receipts (ADRs) na Bolsa de Nova York (Nyse) a lançar ações no pregão paulista. Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda entre 1995 e 1998, Mendonça de Barros credita uma parte da ascensão econômica do País na década de 2000 ao Novo Mercado. Entre 2001 e 2010, o crescimento anual médio do produto interno bruto (PIB) brasileiro foi de 3,6%, acima do obtido na década anterior (1991–2000), quando esse percentual atingiu 2,6%. “O mercado de capitais se tornou uma opção de financiamento para a expansão das empresas, o que não vinha ocorrendo”, diz o economista. A internacionalização das multinacionais brasileiras, de acordo com Mendonça de Barros, é um fator de atração de companhias latino-americanas para o Novo Mercado — movimento que vai ao encontro das aspirações do Brasil de se tornar a maior economia da região. Essas multinacionais, observa, poderiam comprar companhias na América Latina e, posteriormente, abrir o capital dessas unidades na BM&FBovespa. “O Novo Mercado tem potencial de atrair essas empresas, mas para isso precisa haver uma maior integração com os países latino-americanos. O Mercosul, que atua apenas como uma união aduaneira, derrapa há dez anos”, afirma.


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