Hora de fazer escolhas

Especial / Relações com Investidores / Edições / Temas / Reportagem / 1 de setembro de 2009
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Para encontrar o seu fundo de investimento, o primeiro passo é conhecer o que existe dentro dele. Considerando a política e os objetivos de cada fundo, os gestores montam carteiras compostas de diversos ativos financeiros, que podem ser ações, CDBs, debêntures, títulos públicos ou derivativos.

Ações

São valores que representam a propriedade de uma fração do capital social de uma empresa. Ou seja, quando você compra ações de uma companhia, torna-se acionista dela, com direito a participação nos resultados. Há dois tipos de ações disponíveis no mercado: as ações ordinárias (ON), que dão direito a voto nas assembleias da empresa; e as preferenciais (PN), que não dão direito a voto. As boas práticas de governança corporativa recomendam que as empresas optem por ações do tipo ON, de forma a proteger os interesses dos acionistas minoritários. Mas, por uma questão cultural brasileira, as ações PN de algumas grandes companhias ainda possuem elevada liquidez no mercado — é uma forma de a empresa não colocar seu controle em risco.
As ações mais negociadas no mercado são chamadas de blue chips. Esses papéis, normalmente de grandes empresas, tendem a apresentar maior segurança e liquidez no mercado acionário.

Certificados de depósitos bancários (CDBS)

São títulos de crédito emitidos por bancos. É uma modalidade de investimento que rende uma taxa de juro prefixada ou pós-fixada, dependendo da forma como foi negociado. Quem compra CDB empresta dinheiro a um banco em troca de um rendimento negociado, num prazo mínimo de 30 dias.
São considerados títulos seguros, já que, assim como a poupança, contam com a garantia adicional do Fundo Garantidor de Créditos, para investimentos de até 60 mil reais, por CPF ou CNPJ.

Debêntures

São valores mobiliários emitidos por empresas e representam dívidas de médio e longo prazo, as quais asseguram aos detentores um direito de crédito. Essa modalidade de investimento é caracterizada como de renda fixa. Diferentemente das ações, o seu titular não é sócio da empresa, mas sim credor (exceto os casos de debêntures conversíveis em ações).
A emissão de debêntures é uma das formas de captação de recursos das companhias. Elas emitem esses papéis e os vendem a investidores com a promessa de pagar, nas condições contratadas, o montante equivalente ao valor dos títulos emitidos, acrescido de uma remuneração. Cada debênture representa uma fração da dívida total que foi negociada entre a empresa emissora e os investidores.

Derivativos

São instrumentos financeiros negociados nos mercados de bolsa ou balcão, cujos valores derivam de outros ativos que lhe servem de referência. O valor dos contratos ou transações deriva do comportamento do preço do ativo no presente. Nesses casos, o investidor pode negociar commodities ou ativos financeiros como ações, dólares, taxas de juros, índices de mercado, dentre outros. Em geral, quando um investidor faz uma operação com derivativos, ou ele busca proteção (hedge) ou está especulando.

Os quatro tipos de instrumentos derivativos mais utilizados no mercado são:
Contratos a termo são acordos de compra ou venda de um determinado ativo, em que as partes envolvidas estabelecem um preço para o bem negociado, para liquidação (financeira ou entrega física do bem) em uma determinada data futura. São contratos intransferíveis e podem ser negociados em mercado de balcão e de bolsa.
Contratos futuros são acordos de compra ou venda de um determinado ativo, a um preço preestabelecido, em determinada data futura. Diferentemente dos contratos a termo, os futuros são contratos padronizados em relação à quantidade, à qualidade do ativo negociado, às formas de liquidação, às garantias e aos prazos. São negociados apenas nos mercados de bolsa, podendo ser transferidos a outros ou liquidados antes do prazo de vencimento.
Opções são acordos em que uma das partes adquire o direito (e não a obrigação, como acontece nos contratos a termo e nos contratos futuros) de compra (call) ou venda (put) de ações, índices de ações, moedas ou títulos, em uma determinada data, a preços preestabelecidos.
Swaps (trocas) são acordos em que as partes trocam a variação nos preços de moedas, taxas de juros ou preços de commodities.

Passo a passo

Tendo claro em mente qual é o seu perfil e quais são os seus projetos de vida, é hora de selecionar os tipos de fundos que mais se adequam à sua realidade. Não é uma tarefa fácil, já que, segundo a Anbid, existem mais de 8 mil fundos em operação no Brasil, com diferentes políticas de investimento. Hoje, praticamente a metade do mercado está ancorada na renda fixa, mas as expectativas são de que a participação da renda variável nesse bolo cresça nos próximos anos se as taxas de juros se mantiverem na casa de um dígito.
Confira o gráfico com a participação dos fundos por categoria (ao lado)

A sua escolha deve ser baseada em um conjunto de fatores, dos quais passaremos a falar agora.

A instituição financeira

Você pode fazer suas aplicações por intermédio do banco em que é correntista, de uma asset (gestora de recursos) independente, ou de uma corretora autorizada. Ao escolher uma instituição para fazer suas aplicações, especialmente se for uma que você não conhece, investigue se ela teve problemas que comprometeram sua imagem. Essas informações podem ser obtidas pela imprensa ou no site da própria CVM (www.cvm.gov.br).

Partimos do princípio de que a qualidade do compliance (atuação de acordo com as regras legais) e do back office (departamentos administrativos) da gestora do fundo atende ao mínimo exigido pelo mercado, afinal esses quesitos não estão ao alcance do investidor comum. Mas há alguns detalhes que podem, e devem, ser observados.

• Expertise: é importante conhecer o expertise da instituição. Avalie o seu desempenho em diferentes segmentos de atuação para sentir onde ela navega com mais tranquilidade.
O mesmo vale para o gestor especificamente.

• Estratégia: a estratégia do fundo está clara no regulamento? O gestor tem mantido ela ao longo do tempo? É importante que os fundos mais agressivos possam ter sua estratégia alterada pelo gestor conforme a volatilidade do mercado, mas há um limite. Dois pés atrás em relação aos fundos que mudam a toda hora sua estratégia de investimento.

• Patrimônio do fundo e o número de cotistas: fundos com poucos cotistas ou volume muito baixo de investimento correm maiores riscos de perdas, já que a saída de um grande cotista pode ser determinante no resultado.

É interessante também que os ativos de uma carteira se comportem de maneira distinta em diferentes cenários. Se há uma queda do Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), por exemplo, vale esclarecer com o seu banco ou com a corretora como o fundo pode reduzir essas perdas.

Rentabilidade

É o ganho obtido em determinado investimento. Esse é certamente o atributo mais atraente em um fundo, mas fique atento: não se deixe seduzir por possibilidades de alta rentabilidade se o risco atrelado não estiver compatível com os seus objetivos e seu perfil.
Ciente disso, observe, naquelas classes de produto selecionadas, os fundos que apresentaram um bom retorno no passado. Alguns especialistas sugerem que a análise inicial seja de três a cinco anos, assim é possível ter alguns indicativos de qualidade da gestão, mesmo que isso não seja garantia de sucesso no futuro.

Se seu objetivo é obter rentabilidade maior que a média do mercado, não opte pelos fundos indexados, que prometem apenas acompanhar um determinado índice, como o Ibovespa. Escolha fundos que possuem uma estratégia de gestão ativa, já que alguns deles apresentam desempenho excepcional ao longo do tempo graças à atuação dos gestores.

É muito importante observar o histórico e verificar se o resultado é consistente ao longo do tempo ou se o bom rendimento resulta apenas de uma alta volatilidade. Por isso, não basta olhar o resultado acumulado, é preciso enxergar períodos específicos dentro desse horizonte de tempo e checar se o fundo esteve dentre os melhores da categoria nesses períodos também. Bons resultados acumulados ao final de um longo período podem mascarar fases muito ruins. Tempos de crise, por exemplo, devem ser observados com bastante atenção e podem ser um bom indicador. Afinal, é bem mais fácil acompanhar a maré de alta do que apresentar bons resultados em tempos de turbulência, certo?

Volatilidade

Fique atento à volatilidade, medida de risco que pode indicar uma inconsistência no comportamento do investimento. Contudo, ela deve ser analisada com cuidado, já que pequenas diferenças entre dois ou mais investimentos não devem ser o principal direcionador da decisão. Apenas distinções substanciais é que devem ser destacadas. Nesse caso, o prazo de análise também deve ser longo.

Fundos abertos x Fundos fechados

Os fundos de investimento podem ser organizados sob a forma de condomínios abertos ou fechados. Nos fundos abertos, que existem por tempo indeterminado, é permitida a entrada de novos cotistas ou aportes adicionais dos cotistas antigos, assim como é autorizada a saída de investidores por meio do resgates de cotas. Já nos fundos fechados, que podem ter tempo determinado para encerramento, não é possível a entrada e a saída de cotistas e nem novos investimentos ou resgates após a fase inicial de captação de recursos pelo fundo — a não ser que sejam abertas novas fases de investimento, conhecidas no mercado como “rodadas de investimento”.

Os fundos fechados, entretanto, podem ser registrados para negociação de cotas em mercados administrados pela BM&FBovespa. Assim, quando um cotista pretende comprar ou vender cotas de um fundo fechado, como os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) ou Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), por exemplo, pode enviar suas ordens por uma corretora para o sistema de negociação da Bolsa no qual a cota esteja registrada.

Gestão ativa x Gestão passiva

Os fundos podem adotar diferentes estratégias de investimento e esse é um fator muito importante para que você possa avaliar o resultado da gestão do seu fundo. Discuta esse ponto diretamente com o gerente do seu banco ou o profissional da instituição à qual irá confiar seus recursos.

Na estratégia de investimento passiva, o gestor investe no sentido de “replicar” um índice de referência (benchmark), visando a manter o desempenho do fundo próximo à sua variação. Os fundos de renda fixa costumam ter como ponto de referência o Certificado de Depósito Interbancário (CDI); os de renda variável, o Índice Bovespa (Ibovespa).

Nos Fundos de Ações Ibovespa Indexado, por exemplo, o papel do gestor é fazer com que o desempenho da carteira acompanhe a variação do Ibovespa. Para isso, ele monta a carteira do fundo com as mesmas ações que compõem o índice. Nesse caso, o gestor pode comprar todas as ações do Ibovespa e nos mesmos percentuais ou pode optar por adquirir apenas uma parte das ações, desde que a performance desse grupo acompanhe o desempenho do Ibovespa como um todo.

Já a estratégia de gestão ativa de um fundo tem como objetivo obter rentabilidade superior à de um determinado índice de referência. Nesses casos, a experiência do gestor é fundamental, já que, para alcançar esses resultados, ele procura no mercado as melhores alternativas de investimento. A essa estratégia, evidentemente, está atrelado um nível maior de risco do que o do investimento passivo.

Um exemplo de gestão ativa ocorre nos fundos multimercados. Eles mesclam investimentos em ativos de variados mercados (juros, câmbio, ações, derivativos, etc.) conforme uma estratégia determinada pelo gestor.



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