Guardiã das boas práticas

Secretária de governança da CPFL tem o papel de zelar pelo equilíbrio nas relações entre acionistas, gestores e stakeholders

Especial/Governança Corporativa/Governança Corporativa - Coletânea de Casos 2008/Reportagem/Edições/Temas / 1 de novembro de 2008
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Não há desculpas para um conselheiro de administração chegar desinformado nas reuniões mensais da CPFL Energia. Com nove dias de antecedência, todos os integrantes recebem a pauta e podem se aprofundar nos temas que serão debatidos. Basta acessar um site exclusivo de divulgação de informações para o conselho de administração. A discussão, por sua vez, é bem dirigida e focada em estratégia. Não se perde tempo com assuntos do dia-a-dia das 20 companhias da holding CPFL –– controlada pela VBC (Votorantim e Camargo Corrêa), Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), Bonaire Participações (consórcio das fundações Cesp, Petros, Sistel e Sabesp de Seguridade Social), BNDES Participações e IFC (International Finance Corporation). Tudo é cuidadosamente planejado por Gisélia da Silva, que atua como assessora do conselho de administração.

Seu papel é garantir que os conceitos teóricos da governança corporativa tornem-se uma realidade no relacionamento entre o bloco de controle, os demais acionistas, os conselheiros, a diretoria, os fornecedores e os funcionários. A função é muito semelhante com o que se configurou nos Estados Unidos chamar de secretário de governança corporativa. “Lá, o executivo, muitas vezes, é um membro do conselho. Aqui, temos uma versão adaptada para a realidade do nosso mercado”, afirma Gisélia, conhecida pelos executivos da CPFL como a “guardiã da governança corporativa”. “Ela garante a execução das boas práticas dentro de casa, fazendo a ponte entre o conselho e a diretoria”, define o vice-presidente financeiro e de Relações com Investidores (RI) da CPFL, José Antonio Almeida Filippo.

Gisélia faz marcação cerrada com os conselheiros e a diretoria. “Verifico se uma decisão seguiu os caminhos previstos nas práticas de governança”, conta ela, que também acompanha o trabalho dos três comitês — Processos de Gestão, Gestão de Pessoas e Partes Relacionadas. Conforme o tema, a assessora parte para a convocação de uma reunião extra de determinado comitê. Quando são definidos os parceiros de uma obra da CPFL e dentre eles está, por exemplo, a Camargo Corrêa como construtora, é acionado o comitê de Partes Relacionadas. Ele irá fiscalizar se o procedimento de contratação da construtora seguiu os princípios comerciais previstos pela companhia. O comitê é responsável por todos os assuntos que envolvam algum dos controladores.

Gisélia usa vários recursos para disponibilizar informações e garantir transparência no relacionamento entre os conselheiros e a diretoria. Um deles é o site do conselho, em que se encontram os arquivos com todas as atas das assembléias e vários outros documentos relacionados ao andamento da gestão. Pelo site, todos têm acesso às mesmas informações, o que visa a garantir transparência e eqüidade. “Antigamente, as informações eram enviadas diretamente para cada um dos conselheiros”, conta.

O trabalho da assessora não pára por aí. Ela também gerencia a relação entre as 20 companhias da holding. Participa de cada uma das reuniões de conselho das empresas e acompanha e disseminação da informação no grupo. E mais: quando necessário, conforme o manual de governança, convoca a formação de comissões específicas para deliberar sobre temas como orçamento e compra de energia. “Não precisamos manter estruturas permanentes. Quando identificamos a necessidade, essas comissões são formadas e atuam até a conclusão de um trabalho”, explica.

Oficialmente no cargo desde 2006, a assessora do conselho passou a atuar junto com um novo modelo de práticas de governança corporativa da companhia. Todos os processos foram revistos. Um dos objetivos era tornar o conselho de administração um órgão realmente ativo. Até então, Marco Soligo ocupava a posição de assessor de governança corporativa da CPFL. Ele foi responsável pela adoção das regras para a chegada da companhia ao Novo Mercado da Bovespa. Depois, assumiu a nova diretoria de risco, e Gisélia assumiu o seu posto. A assessora também foi responsável por projetos inovadores, como o treinamento de nivelamento dos conhecimentos dos conselheiros. Os novos integrantes fazem uma imersão com os diretores para conhecerem os fatores-chave da gestão da CPFL.

O ingrediente que “dá a liga”

Saber o que é bom para a companhia em termos de governança corporativa é fácil. O difícil é levar essa necessidade a todas as outras esferas da organização de modo sistemático e fiscalizar a aplicação das práticas no dia-a-dia.É dessa necessidade que surge o secretário de governança corporativa. Ele “dá a liga” entre todos os processos decisórios da empresa, e circula livremente pelo RI, conselho de administração, diretoria e áreas de finanças, recursos humanos ou comunicação.Nos Estados Unidos, o cargo existe há, pelo menos, 60 anos. Em 1946, um ano após o fim da 2ª Guerra Mundial, os EUA iniciavam um novo boom industrial, que lhes permitiria conquistar a hegemonia global nas décadas seguintes.

No mesmo ano, foi inaugurada a principal entidade da classe, a Society of Corporate Secretaries and Governance Professionals — que hoje conta 3,8 mil membros, representando 2,6 mil empresas —, para garantir a consolidação da governança no país.


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