Pesquisar
Pesquisar
Close this search box.
Encontre sua turma

, Encontre sua turma, Capital Aberto

1. Portas abertas

Qualquer um pode se tornar sócio de um clube de investimento. Pela regulação da Bovespa, não há nenhuma restrição para pertencer a um clube — nem por volume de dinheiro nem por idade. Há muitas crianças e até recém-nascidos que já são membros dessas associações, e isso é possível a partir do momento que eles tiram seu Cadastro de Pessoa Física (CPF), emitido pela Receita Federal. Mas é importante frisar que a entrada para um determinado clube vai depender das condições previstas no seu respectivo regulamento. Pode existir, por exemplo, uma norma aceitando apenas participantes de uma faixa etária específica, um aporte mínimo em dinheiro ou até mesmo um determinado vínculo com o restante do grupo — ser da mesma família ou empresa, ter a mesma profissão, freqüentar a mesma faculdade, etc.

, Encontre sua turma, Capital AbertoNa maioria dos casos, a Bovespa impõe um limite de três sócios até, no máximo, 150 participantes para a constituição de um clube. As exceções para esse teto ocorrem quando os integrantes são funcionários de uma mesma empresa e pessoas ligadas a uma mesma sociedade ou organização. É o caso de um clube de investimento dos funcionários da Companhia Vale do Rio Doce, o AIVale, com cerca de 430 membros (Leia mais sobre ele na página 28). Contudo, nessas situações, é preciso pedir uma autorização à CVM, justificando ao órgão regulador o motivo de aquele clube precisar abrigar mais de 150 pessoas.

A Bovespa e a CVM fazem questão de examinar com cuidado os casos em que o limite de integrantes é ultrapassado para evitar que alguma instituição crie um fundo de investimento tradicional disfarçado de clube. É comum corretoras lançarem dezenas de clubes até o limite permitido de 150 membros, sem que haja nenhuma integração entre os participantes, só para aproveitar alguns incentivos garantidos por lei para a manutenção dessas associações.

2. O papel de cada membro

, Encontre sua turma, Capital AbertoNovamente, vamos usar o exemplo de uma associação de lazer para explicar melhor a função de cada um dentro de um clube de investimento. Imagine que uma entidade recreativa tenha um diretor, um zelador e um comitê de associados, formado pelos próprios sócios, para defender seus interesses. Seguindo essa alusão, nos clubes de investimentos haverá, respectivamente, um administrador, um gestor e um conselho de representantes — além dos cotistas, é claro. Basicamente, o administrador do clube cuida da parte burocrática das operações (abertura de conta, registro na Bovespa, cálculo diário do valor das cotas, retenção do Imposto de Renda, preparação de balanços, etc.). O gestor decide que ações ou títulos devem ser negociados na carteira, enquanto o representante acompanha essas decisões a fim de repassá-las aos demais sócios. Conheça a seguir mais detalhes sobre o papel de cada um deles.

3. O administrador

O administrador do clube será sempre uma corretora, um banco ou qualquer outra empresa distribuidora de títulos e valores mobiliários. A regulação exige que exista uma instituição financeira responsável por cada clube. É o nome dessa instituição (assim como o de seu diretor responsável) que vai aparecer na ficha a ser preenchida durante o processo para cadastramento na Receita Federal. De um modo bem simplista, pode-se dizer que a função do administrador é cuidar de toda a parte burocrática do clube, desde sua constituição até o seu dia-a-dia.

São tarefas de um administrador: elaborar e manter sob sua guarda os registros administrativos, contábeis e operacionais do clube; providenciar documentos necessários para o recolhimento de tributos; verificar se as aplicações realizadas pelo gestor estão de acordo com as regras previstas no regulamento; acompanhar adesões e saídas de sócios; prestar contas à Bovespa sobre o andamento dos negócios; informar mensalmente a todos os participantes o desempenho do clube e a posição patrimonial de cada um; convocar assembléias.

4. O gestor

, Encontre sua turma, Capital AbertoO gestor é aquele que vai tomar as decisões de investimento. Ou seja, estará encarregado da compra e venda das ações ou de outros valores mobiliários que vão fazer parte da chamada carteira de investimentos do clube. Essa pessoa não precisa ser, necessariamente, um profissional com qualificação específica em economia ou finanças para exercer a atividade. Pode ser qualquer um dos membros, com ou sem curso superior, desde que seja maior de idade e seu nome conste no estatuto como o responsável por essa tarefa.

É comum encontrar corretoras que oferecem seus próprios analistas para se encarregar da gestão dos investimentos do clube, sem nenhum custo adicional. Muitos clubes aceitam essa opção por acreditarem que, entre seus membros, não haverá alguém com conhecimento suficiente para definir as melhores apostas no mercado de capitais. Entretanto, aventurar-se sozinho também pode ser uma excelente experiência.

Os participantes precisam levar em consideração que as corretoras sempre estarão ao lado de seus clubes, orientando-os nessa tarefa, seja a partir da emissão de boletins com a análise das melhores opções de investimento, seja por meio de uma central de dúvidas e outros serviços.

Como a remuneração das administradoras vem de um percentual sobre o patrimônio líquido do clube (total do dinheiro aplicado, descontados os impostos), elas vão ter todo o interesse no sucesso de seus clubes. Ter coragem para assumir a gestão é um grande passo para o clube que quer aprender a investir de verdade. Aos que pensam assim, vai uma dica: por mais que só uma pessoa seja nomeada como gestor oficial do clube, nada impede que todos os membros trabalhem juntos nessa empreitada.

5. O representante

Por fim, o representante do clube é um membro escolhido pelos demais sócios para atuar como porta-voz do clube na defesa dos interesses de cotistas perante o administrador. É ele, por exemplo, a pessoa que vai assinar o contrato de prestação de serviços com a corretora, o banco ou a distribuidora de valores mobiliários escolhidos pelos membros para cuidar da administração. Cabe ao representante ainda a tarefa de assinar a ficha cadastral no processo de abertura do clube e zelar para que as informações fornecidas ao administrador e à Bovespa sejam mantidas permanentemente atualizadas.

Há clubes que, em vez de escolher uma só pessoa para representá-los, preferem criar um Conselho de Representantes, isto é, um comitê que reúne, pelo menos, três membros dispostos a assumir essa tarefa. Diferentemente do que acontece com os gestores, que podem ser remunerados desde que obedeçam a uma série de exigências curriculares da CVM, as atividades do representante ou dos integrantes do Conselho de Representantes não podem ser remuneradas.

Futebol, churrasco e ações

Quem nunca ouviu o relato de um bom negócio que surgiu na mesa de um bar? No caso do Clube de Investimento Valle du Lions, a idéia de formar um grupo para aplicar em ações apareceu durante um churrasco. Cesar Haiachi, o atual gestor e representante do clube, conta que ele e seus amigos já operavam na Bovespa individualmente. Mas foi durante um encontro informal que essa turma se deu conta de que tinha muito a ganhar se todos unissem esforços para pesquisar as empresas com maior potencial de valorização no mercado e menor risco. “Naquela tarde, quando o churrasco acabou, cada um voltou para casa com a tarefa de levantar todas as informações sobre como montar um clube, qual a melhor corretora para o nosso perfil e quem gostaria de participar”, lembra Haiachi, 37 anos, funcionário público federal.

O primeiro passo do grupo foi escolher a instituição para cuidar da administração do clube. Os dez amigos colaboraram para fazer uma planilha com os dados mais importantes das corretoras — valor das taxas cobradas, serviços oferecidos, tempo no mercado, etc. —, de modo que pudessem comparar as vantagens de cada uma. Também definiram que os sócios deveriam entrar com R$ 1.000 para compor a carteira de investimentos. Pensaram, inclusive, em criar uma cláusula para tornar obrigatório um aporte mensal dos integrantes fixado em determinado valor. “Depois desistimos dessa proposta, com medo de que essa condição desestimulasse o pessoal”, explica.

Por fim, ficou estabelecido que o Valle du Lions teria uma gestão própria, coordenada não por um, mas por três membros que também estariam no conselho de representantes do clube. Por que três pessoas? “Se fosse um só responsável, seria difícil encontrar um voluntário para assumir esse papel. Já em três, parece que as decisões se tornam mais fáceis.” Para poder dar conta da gestão, o grupo preferiu comprar ações de apenas três companhias no início. Era um número razoável para começar, já que os sócios tinham somente as horas de folga para estudar os fundamentos das empresas candidatas a receber um aporte do clube. Agora que a associação já completa seu quarto mês, sentem-se mais seguros para diversificar os investimentos e ampliar as opções da carteira. E a escolha dos ativos começa na hora do churrasco. A diferença é que, além do trabalho e do futebol, hoje eles se divertem falando de cotações na bolsa, índices de mercado e notícias econômicas.


Para continuar lendo, cadastre-se!
E ganhe acesso gratuito
a 3 conteúdos mensalmente.


Ou assine a partir de R$ 34,40/mês!
Você terá acesso permanente
e ilimitado ao portal, além de descontos
especiais em cursos e webinars.


Você está lendo {{count_online}} de {{limit_online}} matérias gratuitas por mês

Você atingiu o limite de {{limit_online}} matérias gratuitas por mês.

Faça agora uma assinatura e tenha acesso ao melhor conteúdo sobre mercado de capitais


Ja é assinante? Clique aqui

mais
conteúdos