Dasa (2° lugar – até R$ 5 bilhões)

Prontos para a próxima rodada

As Melhores Companhias para os Acionistas 2006 / Especial / Relações com Investidores / Edições / Temas / Reportagem / 1 de dezembro de 2006
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Os investidores da Diagnósticos da América — Dasa — não ficam um trimestre sem encontrar no relatório parcial da companhia a indicação de pelo menos uma aquisição. Só este ano, foram quatro até outubro — LabPasteur, no Ceará; MedLabor, no Distrito Federal; Vita Medicina Diagnóstica, em Santa Catarina; e Laboratório Atalaia, em Goiás. Quem não sabe que a Dasa é a maior empresa privada de serviços de apoio à medicina diagnóstica da América Latina, que tem como especialidade exames clínicos e de diagnósticos por imagem, poderia imaginar que se trata de um banco ou de uma rede de varejo, dado o seu apetite por aquisições. A verdade é que a empresa — dona de uma receita líquida de R$ 528,3 milhões no ano passado, que já acumula R$ 495 milhões nos primeiros nove meses de 2006 — está mesmo tratando a saúde como um negócio rentável, que merece estratégias de mercado tão ousadas quanto as que se vêm nos setores mais dinâmicos da economia.

“É preciso ter uma estratégia clara, bem definida, e entender as peculiaridades deste mercado para poder explorá-lo com precisão”, diz Marcelo Marques Moreira Filho, diretor-presidente e de Relações com Investidores da Dasa. Uma das principais metas da companhia com esse posicionamento é se transformar em uma multinacional. Até chegar lá, porém, vem ocupando espaço no mercado interno de maneira rápida, mas muito bem planejada, o que se reflete nos resultados contabilizados pelo Ranking Capital Aberto, que a posiciona em segundo lugar entre as companhias com capitalização de mercado até R$ 5 bilhões.

Fundada, em 1961, pelos médicos Humberto Delboni Filho e Raul Dias Santos, que passaram em 1975 a ter um novo sócio, o colega Caio Auriemo (único a permanecer na empresa, ocupando hoje a presidência do conselho de administração), a Dasa nasceu como MAP — Médicos Associados em Patologia Clínica. Em 1985, passou a se chamar Delboni Auriemo, e em julho de 1999 deu novo rumo à sua história, associando-se ao Banco Pátria e se capitalizando para uma série de aquisições. A primeira foi ainda em 1999, três meses depois da chegada dos novos sócios, com a compra do Lavoisier, em São Paulo. Em 2000, foi a vez de alterar a razão social para Diagnósticos da América S.A. Os anos seguintes foram marcados por uma série de aquisições de redes de laboratórios. Em 2004, uma aquisição de fôlego: a rede paulista de laboratórios Elkis e Furlanetto, no mesmo ano da estréia da Dasa no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Com as outras quatro compras deste ano, a Dasa completa uma lista de 14 empresas adquiridas em oito anos, marcando presença em sete estados do país e no Distrito Federal. São ao todo dez marcas, que prestam desde um atendimento premium — como o Club DA, lançado em 2002 — até serviços a preços populares, como o teste de glicose a R$ 3,50 ou o exame de ultra-som para grávidas em dez prestações de R$ 6 cada uma, sob a chancela Lavoisier. “A proposta de atender clientes de todas as classes sociais faz parte da nossa visão corporativa”, diz Moreira Filho. Trata-se de uma boa estratégia, segundo analistas, tendo em vista que o atendimento na rede pública costuma deixar a desejar, com uma espera que pode durar meses.

Mas a principal promessa desse mercado — que teve a Dasa como sua primeira representante, em novembro de 2004, e só mais recentemente ganhou a segunda empresa, a Medial Saúde — diz respeito a um fenômeno mundial: o aumento da longevidade. Quem vive mais tende a investir em qualidade de vida, o que inclui serviços médicos. Segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população com mais de 65 anos deve somar 49 milhões em 2050, chegando a representar 19% dos brasileiros (hoje, 6% da população está na terceira idade).

“Com as aquisições e a expansão orgânica no Rio e em São Paulo, vamos ganhando escala, algo fundamental para o nosso negócio”, afirma Moreira Filho. Segundo ele, o objetivo da pulverização do capital promovida este ano, que deixou o grupo de controle com 37% das ações, foi dar continuidade aos planos de expansão. “Procuramos reunir recursos para uma nova rodada de compras”, diz. Para crescer com estabilidade e segurança, visando o longo prazo, o diretor- presidente destaca a importância de disseminar a cultura de governança corporativa para toda a empresa. “Ainda em 1999, quando quase ninguém falava disso, nós já tínhamos um código de gestão de monitoramento”, diz. A Dasa é a única das eleitas no ranking, dentro da categoria de valor de mercado até R$ 5 bilhões, a integrar o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa. No retorno econômico da ação, porém, ficou abaixo das outras duas líderes da categoria.

“Com as aquisições e a expansão orgânica, vamos ganhando a escala fundamental para o negócio”

Quanto a um detalhamento maior da remuneração dos conselheiros e da diretoria — questão em que não pontuou dentro do quesito governança corporativa do Ranking Capital Aberto —, Moreira Filho afirma que “a Dasa tem acompanhado a discussão do assunto, para fazer algo melhor”. Já em relação à inexistência de uma política de operações com partes relacionadas, o executivo diz que a empresa tem regras definidas para operações que superam o valor de R$ 500 mil ao ano. “Nestes casos, ela precisa ser aprovada pelo conselho”, diz.

Moreira Filho não descarta um novo acesso ao mercado de capitais para manter a expansão da Dasa. “O grupo majoritário está disposto a abrir mão da sua participação pelo futuro da empresa, que é para nós o mais importante”, diz o presidente, que acumula o comando da área de RI, onde trabalham mais um gerente — Henrique Bastos (foto) — e um estagiário. Uma das metas da área para o próximo ano, segundo Bastos, é intensificar o “processo de inteligência” na identificação do perfil dos diferentes acionistas. “Queremos obter o máximo de detalhes para prestar um atendimento mais ágil e preciso”, diz o gerente, que também pretende fazer algo semelhante para o atendimento à imprensa.


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