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Correção de rumo
Diante da concentração de liquidez nos Estados Unidos, Unibanco traçou um plano detalhado para reverter o cenário de poucos negócios no Brasil. Deu um trabalho danado, mas valeu a pena

, Correção de rumo, Capital AbertoNenhum banco brasileiro foi tão bem-sucedido em Wall Street como o Unibanco. Primeira instituição financeira do País a negociar suas ações na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), em 1997, aportou um lote inicial de US$ 1,2 bilhão em American Depositary Receipts, equivalente a cerca de 30% do seu valor de mercado na época. A aposta foi certeira: atualmente, seus papéis estão entre os dez ADRs mais negociados na bolsa norte-americana, com volume médio diário de R$ 362,5 milhões. Em comparação às empresas brasileiras listadas lá fora, é a principal instituição bancária, à frente de Itaú, Bradesco e Banco do Brasil. Na classificação geral das companhias brasileiras com ações em Nova York, ocupa o terceiro lugar.

Apesar de bem-sucedida, a estratégia do Unibanco acabou deixando de lado o mercado doméstico por um bom tempo. Em 2003, cerca de 95% da liquidez de seus papéis estava em Nova York. Com os sinais de aquecimento do mercado de capitais no Brasil, a área de RI do banco entrou em campo para tornar as ações da instituição atrativas por aqui também. A primeira meta era incluir o Unibanco nos principais índices de negociabilidade da Bolsa de Valores de São Paulo, o IBrX-50 e o Ibovespa.

Diante do desafio, a equipe montou um verdadeiro plano de combate à baixa liquidez. Nele, incluiu medidas táticas como mudança de lote padrão, aproximação de fundos de pensão e analistas locais, priorização para público de varejo e contratação de formador de mercado (market maker). Os resultados vieram rapidamente. Um ano depois, em setembro de 2004, o Unibanco entrou no IBrX-50, dando início a um círculo virtuoso. Mais investidores passaram a comprar a ação, aumentando a liquidez, e o banco conseguiu ingressar na seleta lista do Ibovespa, que contempla as ações mais líquidas da bolsa brasileira. Atualmente, a Nyse ainda leva certa vantagem, com cerca de 65% do volume negociado. Mas o objetivo de ressuscitar o mercado local foi atingido.

A superintendente de RI do Unibanco, Regina Sanchez, foi uma das líderes desse processo. Para ela, uma das decisões mais eficazes para aumentar a liquidez das ações no mercado doméstico foi a contratação do market maker. O papel desse especialista é garantir liquidez mínima e referência de preço para ativos previamente credenciados. “Fomos o primeiro banco e a sexta empresa a ter um formador de mercado para as ações na Bovespa”, lembra Regina. A Ágora, atual líder no ranking de home broker da bolsa paulista, foi a empresa escolhida para dar liquidez a suas units — títulos compostos de uma ação preferencial do Unibanco (UBBR4) e uma ação preferencial da Unibanco Holdings (UBHD6).

A decisão de contratar um especialista demandou a construção de um modelo de simulação das necessidades de aumento de liquidez. Fez-se também estudo da regulamentação e dos impactos para o Unibanco e seus acionistas, conta Regina. “Foi preciso elaborar um contrato diferenciado que assegurasse o objetivo de aumento de liquidez e alinhasse os interesses de ambas as partes”. Entre maio e agosto de 2004, o número de negócios diários com as units passou de 96 para 222, o que representou um crescimento de 49% do índice de negociabilidade no período.

Com esse desempenho, as units conquistaram, em 1º de setembro de 2004, ingresso para fazer parte do IBrX-50. Em maio de 2005, foi a vez de as ações apareceram listadas no Índice Bovespa. De lá para cá, o peso das units no Ibovespa quase triplicou, passando de 0,984% para 2,782%, em maio. O volume diário de negócios registrado é superior a 2.700. Só no primeiro trimestre de 2008, o volume financeiro médio negociado diariamente está em R$ 105,2 milhões, 23,6% superior à média de 2007. “O aumento da liquidez das ações contribui diretamente para os objetivos estratégicos do Unibanco de geração de valor econômico e preservação da imagem de solidez e competência”, afirma Regina.

Paralelamente aos trabalhos do market maker, os RIs do Unibanco trataram de se aproximar do mercado local. Iniciaram uma série de visitas a fundações, analistas de corretoras locais, gestores de recursos e outros investidores para declarar sua intenção de aumentar a liquidez dos papéis no Brasil. Além disso, alteraram o lote de negociação das units de 100.000 para 10.000 e reservaram 20% das ofertas públicas de ações para os investidores pessoa física. O Unibanco e a Unibanco Holdings realizaram, em agosto de 2004, o grupamento de suas ações ordinárias e preferenciais, inclusive das units, à proporção de 100 ações para cada 1 ação da mesma espécie e classe. As ações passaram a ser negociadas somente pela cotação unitária e com lote padrão de 100 unidades.

Aliada aos resultados financeiros da instituição, a estratégia de retomar os negócios com as ações no Brasil, sem reduzir a liquidez já conquistada em Nova York, proporcionou o alcance de números consideráveis para o banco fundado pelo comerciante João Moreira Salles, em 1924. Na última década, o valor de mercado multiplicou-se por dez, alcançando R$ 34,6 bilhões ao final de 2007. O lucro por ação aumentou 460% nesse mesmo período, para R$ 1,23 em dezembro do ano passado. Sorte dos investidores visionários: quem aplicou R$ 100 em units do Unibanco em 1997 levou para casa, dez anos depois, R$ 1.081.


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