Com jeito de multinacional

Em sua quarta geração, Ancar enxergou na união com o canadense Ivanhoe uma valiosa soma de experiências

Especial/Governança Corporativa/Edições/Temas/Governança em empresa familiar/Reportagem / 1 de maio de 2010
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O objetivo era encontrar um sócio estratégico. Essa seria a única forma de o grupo de shopping centers Ancar sobreviver em um setor de forte expansão. “Vimos que o mercado estava mudando e que precisávamos aumentar o nosso potencial”, afirma Marcos Carvalho, copresidente. Algumas empresas do segmento — BR Malls, Multiplan, Iguatemi e, mais recentemente, Aliansce — abriram o capital. Outras, como a Ancar, buscaram um sócio estratégico. Em 2006, o plano foi concretizado. Em uma associação com o canadense Ivanhoe Cambridge, nasceu a Ancar Ivanhoe.

O novo sócio, segundo Carvalho, não aportou apenas capital para viabilizar os planos de expansão. Trouxe também conhecimento de seus mais de 65 shoppings no Canadá, Europa, Estados Unidos e Ásia. “Fomos procurados para abrir o capital, mas essa nunca foi a nossa prioridade. É uma forma de crescer, mas não é a única”, observa Carvalho. A Ancar Ivanhoe especializou-se em abrir shopping centers em novas praças, e hoje atua em todas as regiões do País. Fazem parte de seu portfólio 16 centros de compras, aí incluídos tanto os próprios quanto aqueles que apenas administra.

A experiência dos Andrade de Carvalho no ramo de shopping centers data de 1972, quando a família adquiriu uma participação no Conjunto Nacional de Brasília, o segundo shopping do País e o primeiro da região Centro-Oeste. Antes, o grupo formado pela família atuava no setor bancário, com a Casa Bancária Andrade Arnaud, fundada em 1929. Após entrar em Brasília, a Ancar abriu shoppings em dois novos mercados, Recife e Porto Alegre, e foi paulatinamente expandindo o número de empreendimentos.

Quem estava à frente dos negócios era Sergio Carvalho. Em 2004, aos 65 anos, ele saiu do dia a dia e passou a ocupar a presidência do conselho de administração. No mesmo ano, assumiram seus filhos Marcos e Marcelo, atualmente copresidentes do grupo. Enquanto Marcos é o responsável pelas atividades de incorporação, Marcelo gere os negócios relativos à administração dos shoppings.

Antes de entrarem na Ancar, os dois passaram por temporadas de estudo no exterior e experiências profissionais em outras companhias. Marcos trabalhou cinco anos no extinto Banco Garantia e depois abriu uma consultoria para varejistas. Marcelo trabalhou na Lojas Americanas e em duas empresas de shopping center, uma no Canadá e outra nos Estados Unidos. “Na nossa geração, ainda havia uma forte expectativa de que trabalharíamos no grupo. Isso já não existe mais atualmente. A ideia é que nossos filhos sigam carreiras fora daqui”, afirma Marcos Carvalho.

Com o passar do tempo, os familiares entenderam que a Ancar não era garantia de trabalho para todos. O grupo foi se profissionalizando. Hoje, para que um parente entre na empresa, é necessário antes ter experiência em outras companhias e alcançar uma posição de destaque profissional. “Somos uma empresa de origem familiar, mas com uma governança de multinacional, até em razão do sócio estrangeiro”, justifica Carvalho.

Atualmente, é a quarta geração que está no comando dos negócios, se considerada como data de início da empresa familiar o ano de 1929, quando fundaram o banco. Para tratar da formação profissional dos familiares da quinta geração — que tem 12 membros, com idades entre 3 e 25 anos —, foi criado um conselho de família. Além do foco na formação dos jovens, o conselho tem a função de informar os acionistas que não trabalham na empresa sobre as condições dos negócios. Há alguns anos, contrataram a consultoria de Renato Bernhoeft para estipular regras de comportamento e relacionamento entre os familiares e a empresa: “Seguimos toda a cartilha”, assegura Carvalho.

A Ancar tem dois conselhos de administração, sendo um deles para deliberar sobre o rumo dos negócios familiares. Composto de três membros da família e três conselheiros externos, o colegiado reúne-se mensalmente para discutir os investimentos e embasar a posição da família nas reuniões do outro conselho de administração — o da associação com a Ivanhoe Cambridge. Este reuni-se trimestralmente e é formado por quatro canadenses e quatro brasileiros da família Carvalho.




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Tags:  Governança Corporativa conselho de administração Sucessão Controle familiar Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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