Bradesco (1° lugar – acima de R$ 15 bilhões)

Visão de Longo Prazo

As Melhores Companhias para os Acionistas 2006 / Especial / Relações com Investidores / Edições / Temas / Reportagem / 1 de dezembro de 2006
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Primeiro lugar na categoria de companhias com valor de mercado superior a R$ 15 bilhões no Ranking Capital Aberto, o Bradesco tem uma história longa com o mercado de capitais. Com sua extensa base acionária, conquistada ao longo do tempo por meio de vários aumentos de capital, o maior banco privado nacional guarda a lembrança de ter sido o primeiro a pagar, ainda em 1970, dividendos mensais aos acionistas, enquanto a maioria das empresas — como ocorre até hoje — opta pela distribuição trimestral ou anual. No seu estatuto social, a distribuição mínima de lucros é fixada em 30%, acima dos 25% exigidos pela Lei das S.As. “Queremos ver nosso acionista satisfeito”, afirma o diretor-presidente do Bradesco, Márcio Cypriano. Hoje, seu desafio é fazer com que o investidor associe o nome do banco às idéias de sustentabilidade, transparência, melhor governança e responsabilidade socioambiental.

Presente desde junho de 2001 no Nível 1 de Governança da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o banco concede 100% de tag along para ações ON e 80% para PN. A governança corporativa, levada a sério, é objeto, inclusive, de uma política específica. Listado na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse) e na Bolsa de Valores de Madri (Latibex), o Bradesco está sujeito às regras de transparência e controles internos da lei norteamericana Sarbanes-Oxley. Há um ano, integra também o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa e, em setembro, entrou para a carteira do Dow Jones Sustainability Index, composta por um grupo de 318 empresas em todo o mundo que se comprometem a aplicar o conceito de sustentabilidade à gestão empresarial.

Para dar conta do recado, foi agregada ao departamento de RI uma nova área, a de Responsabilidade Socioambiental (RSA). Nela foram implantados requisitos da norma SA 8000, sobre responsabilidade social, que buscam aperfeiçoar as condições de trabalho, combatendo o emprego de mão-de-obra forçada e infantil. O banco prepara ainda um inventário da emissão de dióxido de carbono (CO2), a fim de compensar a poluição a partir do plantio de árvores, por exemplo.

Nos cinco aspectos considerados para o Ranking Capital Aberto, o ponto mais forte do Bradesco foi a variação do EVA, a maior na categoria de companhias com valor de mercado acima de R$ 15 bilhões: na comparação 2004 e 2005, o resultado do banco medido por esse indicador cresceu 19%, contra 12,5% do segundo colocado, o Banco do Brasil. Por sua dispersão acionária, o Bradesco também se saiu muito bem no item liquidez, atrás apenas de Petrobras e Vale do Rio Doce nesta categoria. Em governança, levou 7,1, beneficiando-se de um bom desempenho na seção A (transparência) e levando algum desconto na seção B, por não ter seu capital composto apenas por ações com direito a voto e por não haver, no estatuto, disposição expressa que dispense a apresentação de documentação prévia nas assembléias.

Para Cypriano, o ótimo resultado de EVA é fruto de uma gestão com visão de longo prazo. “Nós inovamos em segmentos como Bradesco Prime (para clientes de alta renda) e Bradesco Private (para clientes com patrimônio elevado), que se tornaram um nicho para o setor bancário, sem deixar de oferecer nossos serviços a pouco mais da metade da população brasileira economicamente ativa que não tem acesso a bancos”, afirma Cypriano, referindo-se ao Banco Postal, rede instalada nas agências dos Correios.

Junto com a estratégia de expansão — nos últimos dez anos, foram incorporadas as instituições BCN, Credireal, Banco do Estado da Bahia (Baneb), Boavista, Mercantil, Banco do Estado do Amazonas (BEA), Cidade, Bilbao Vizcaya, Finasa, Zogbi, Banco do Estado do Maranhão (BEM) e Banco do Estado do Ceará (BEC), para falar apenas das principais —, o Bradesco se preocupou em manter a rentabilidade para o acionista. “Durante nove trimestres consecutivos, tivemos uma melhora no índice de eficiência operacional, que hoje está em 42,4%, refletindo o rígido controle de despesas aliado ao esforço para aumento das receitas”, afirma o principal executivo, lembrando ainda do índice de rentabilidade do banco, superior a 30%.

“Inovamos em segmentos de alta renda sem deixar de oferecer nossos serviços a pouco mais da metade da população”

O Bradesco teve lucro líquido recorde de R$ 5,5 bilhões no ano passado, quando seu valor de mercado atingiu R$ 64,7 bilhões e a instituição distribuiu R$ 1,88 bilhão aos acionistas em dividendos e juros sobre o capital próprio. A boa performance lhe encorajou a amortizar, de uma só vez nos primeiros nove meses deste ano, o ágio referente às aquisições do BEC e da carteira da American Express (Amex) no Brasil — operação que seria, a princípio, feita até 2016. Com a antecipação, os números do banco ganham em transparência.

Levar informações sobre esses resultados ao maior número possível de investidores esteve entre as prioridades do Bradesco este ano. O número de praças em que o banco promove reuniões para analistas, em parceria com a Associação de Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), dobrou em 2006, para 14 cidades. Tudo indica que essa disposição deve continuar no próximo ano. A intenção é aumentar a quantidade de apresentações, e também aprimorar o atendimento on-line, com a segmentação do site de RI entre pessoa física e institucional. Hoje, das 14 pessoas que trabalham na área de RI e de serviços ao acionista, dez estão voltadas para o relacionamento com investidores e quatro ao foco em investidores institucionais e pessoa física. Para estes últimos, a página de RI deve ser incrementada com o serviço de conversa em tempo real (chat), e também com softwares de relacionamento com o cliente, para que se tenha mais informações sobre o seu perfil.

Embora esteja animado com as mudanças, o Bradesco sinaliza que elas não serão radicais. Ao ser questionado sobre a possibilidade de migrar para o Nível 2, por exemplo, Cypriano diz que o banco está “constantemente avaliando essa possibilidade”, mas não existe nada de concreto atualmente. E quanto à possibilidade de transformar todas as ações em ordinárias, com direito a voto? “Não pensamos nisso no momento, nem acreditamos que haja uma tendência nesse sentido”, afirma.


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