Bônus garantido

Com governança de ponta e dividendos infalíveis, CPFL assegura seu lugar no pódio

Especial/Relações com Investidores/Reportagem/As Melhores Companhias para os Acionistas 2010/Edições/Temas / 1 de setembro de 2010
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Em um evento para analistas, há cerca de um ano, o presidente da holding do setor elétrico CPFL, Wilson Ferreira Júnior, garantiu que a empresa não mudaria sua estratégia de pagamento de dividendos em 2008. Feita no auge da turbulência financeira mundial, com as bolsas em queda livre e o mercado mergulhado em incertezas, a promessa pareceu exagerada aos olhos de alguns profissionais de mercado. Um relatório do banco Santander chegou a projetar uma redução da distribuição de proventos. Afinal, entregar 95% do lucro líquido aos acionistas — uma prática constante desde a abertura de capital do grupo, em 2005 — poderia não ser tão fácil, tendo em vista os compromissos de curto prazo, como dívida e investimentos, no cenário de estresse.

Apesar do ceticismo do mercado, o compromisso assumido pelo executivo foi cumprido. No ano passado, a CPFL distribuiu R$ 1,2 bilhão em dividendos, preservando o percentual que tornou essa política um dos “orgulhos” da companhia nos últimos anos. A prática se manteve no primeiro semestre de 2009: R$ 572 milhões, correspondentes a 100% do lucro líquido do período, foram entregues. O vigor na distribuição dos dividendos foi um dos motivos que levaram a CPFL ao terceiro lugar no ranking As Melhores Companhias para os Acionistas 2009, dentre aquelas com valor de mercado acima de R$ 15 bilhões. Ela conquistou nota 7 no quesito total shareholder return (TSR), índice que mede a valorização da ação da companhia, acrescida dos dividendos. A cotação dos papéis da empresa encolheu 3,4% no ano passado, enquanto o Ibovespa caiu bem mais: 41,2%.

Aumento do consumo de energia pelas famílias compensou queda da demanda no segmento industrial

O forte potencial de geração de caixa, característica que está na natureza da CPFL, permitiu a continuidade da estratégia de dividendos, explica o diretor financeiro e de relações com investidores do grupo, José Antônio de Almeida Filippo. “Sempre pagamos mais que a política prevista em estatuto (de entrega de, no mínimo, 50% do lucro). No ano passado, com o mercado acionário sofrendo, isso foi mais um diferencial”, acredita o executivo.

A posição de endividamento confortável e a disciplina financeira são ingredientes da fórmula que explicam tanto a operação sem sobressaltos da companhia na crise quanto as boas notas obtidas nos critérios avaliados pelo ranking. A ausência de dívidas com exposição cambial contou a favor da empresa. As linhas de financiamento longas também. Com uma relação de dívida líquida sobre Ebitda razoável (de 2,01 vezes no fim de 2008), a holding não precisou fazer novas captações quando o crédito ficou mais escasso e caro no mundo inteiro. “Sabemos quanto custa nosso capital e temos sido disciplinados para respeitar esse limite”, diz Filippo.

Na avaliação do analista da Link Investimentos, Andres Kikuchi, o Ebitda elevado é, de fato, o maior trunfo da CPFL. “Sua relação com o volume de dívidas é confortável e não traz custos para a empresa.” Essa característica faz com que Kikuchi aposte em um aumento da alavancagem da companhia. “Ela tem condições de fazer isso mantendo a distribuição de dividendos e os investimentos.”

A CPFL registrou uma redução de 6,6% na margem Ebitda em 2008 em relação a 2007, provocada pela revisão das tarifas praticadas pelas distribuidoras de energia, o que incluiu as do grupo. O reajuste, previsto em contrato de concessão com o governo, ocorre a cada quatro ou cinco anos e era, portanto, aguardado pela empresa. Compensou esse recuo o fato de os principais mercados da vencedora serem, de forma geral, pouco afetados pela crise.

Graças à essencialidade do serviço, os contratos para distribuição de energia elétrica para consumidores cativos (pessoas físicas) sofreram pouco. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), no ano passado, as famílias consumiram 5,3% mais energia que em 2007. Com isso, o maior grupo privado do setor no País conseguiu aumentar em 4,4% as vendas para o mercado cativo. O único dado negativo ficou por conta do segmento industrial, que reduziu sua demanda no último trimestre de 2008. “Essa fatia de consumidores, porém, responde, em média, por apenas 20% das vendas da companhia”, estima Kikuchi, da Link Investimentos.

Toda a preocupação em preservar os bons números durante a crise não a fizeram se descuidar da governança corporativa. Listada no Novo Mercado da BM&FBovespa e na Bolsa de Valores de Nova York desde sua abertura de capital, a CPFL tradicionalmente zela pelos padrões mais elevados de governança. Em parte, até por causa do perfil dos controladores, que inclui fundações como Previ e Petros e a holding Camargo Corrêa, segundo Filippo. Isso fez com que a empresa fosse a única, ao lado de Embraer, a conquistar nota 10 no quesito governança corporativa, dentre as demais vencedoras do ranking 2009.


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