O valor da sinceridade

Bimestral / Editorial / Edição 99 / 1 de novembro de 2011
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A matéria de capa desta edição trata de um tema especialmente delicado da governança corporativa: a independência dos conselheiros de administração. Mas pode ser também entendida como uma discussão sobre a ética, o conceito de verdade ou simplesmente sobre aquilo que é certo e errado. Qual o significado de independência? Como vocês verão na reportagem de Yuki Yokoi, a partir da página 30, a definição desse atributo ainda é um tanto imprecisa entre as companhias abertas brasileiras.

Para alguns, independente é o conselheiro que segue à risca os preceitos estabelecidos pela Bolsa ou pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). Após uma análise um pouco mais apurada, contudo, logo se percebe que essas regras não são suficientes para esgotar o assunto. Como dizia Aristóteles, verdade é aquilo que tem correspondência com o real estado de espírito das coisas. E a experiência mostra que, quando o assunto é governança, disciplinar o estado de espírito a partir de normas é algo que os reguladores e os formuladores de códigos de conduta não conseguiram e, provavelmente, nunca conseguirão fazer. Suas tentativas de resolver a questão sob um arcabouço de regras continuarão levando a engenhosas descobertas de como atender ao exigido apenas na forma, sem se preocupar com a essência.

Investidores com tempo e interesse de analisar as companhias a fundo terão inúmeras oportunidades de conferir se o que elas dizem ser a verdade corresponde ao que, de fato, o é. Independência é um desses valores que só podem ser comprovados a posteriori, depois de uma observação atenta dos comportamentos. Assim, os rótulos atribuídos pelas companhias aos seus conselheiros se tornam mais do que uma referência para quem deseja conhecer as suas práticas de governança. Eles também sugerem uma informação valiosa para os que querem diferenciar as empresas que optam por fazer — e dizer — o que é certo daquelas que, aparentemente, não dão a menor bola para isso.


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Tags:  Governança Corporativa IBGC Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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