O genoma do sucesso

Por trás de grandes realizações, há muito mais do que mera competência

Bimestral/Prateleira/Edição 98 / 1 de outubro de 2011
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O sucesso, assim como a felicidade, é um conceito fugaz e depende das aspirações de cada um. Ainda assim, cabe perguntar por que algumas pessoas têm vidas produtivas e de alto impacto, enquanto a maioria da humanidade sente que não consegue atingir seu potencial? A sabedoria popular associa sucesso a talento e genialidade incomuns, que, em geral, são frutos do acaso. Em Outliers, Malcolm Gladwell desafia esse conceito explorando os fatores condicionantes de trajetórias de superestrelas como Bill Gates, Mozart e os Beatles.

Todos esses nomes tinham em comum talento e ambição, mas também desfrutaram oportunidades e condições únicas para cultivar intensamente habilidades que lhes possibilitaram superar seus pares. Os casos apresentados cobrem um amplo espectro, desde jogadores de hóquei da liga canadense até os filhos dos empreendedores judeus do Leste Europeu que se fixaram em Nova York após a Segunda Guerra (muitos se estabeleceram como fundadores dos principais escritórios de advocacia do mundo). Segundo Gladwell, o mérito exclusivamente individual é um mito. Legado familiar, momento do nascimento e — por que não? — sorte concorrem para explicar como alguns indivíduos têm ou tiveram vidas preenchidas por grandes realizações. Além dos fatores condicionantes para a construção de carreiras excepcionais, o autor investiga um indicador de perseverança e trabalho duro, especialmente durante a juventude dos considerados fenômenos: a regra das 10 mil horas. Segundo essa teoria, o verdadeiro domínio de uma habilidade é alcançado a partir das “10 mil horas de voo”, principalmente quando essa referência é alcançada ao redor dos 20 anos de idade. Quem se lembra da história de Warren Buffett? O oráculo de Omaha começou muito cedo, comprando e vendendo vários artigos, até instalar uma máquina de pinball em uma barbearia, quando estava ainda no colegial. Em poucos meses, tinha várias peças do jogo de bolinhas de metal em outras barbearias.

Apesar da narrativa agradável, convém ressaltar que Gladwell é um escritor profissional e não um acadêmico defendendo tese de doutorado. Suas referências a estudos e publicações são muito importantes para dar solidez ao fio condutor, mas seus argumentos não são definitivos.

Uma discussão que chama a atenção é o mito da vantagem do quociente de inteligência (QI). Até praticamente o fim do ensino superior, nossa referência de sucesso é associada aos feitos acadêmicos — afinal, as melhores oportunidades vão para os melhores alunos, certo? Surpresa: várias pesquisas citadas pelo autor apontam uma relação nula entre capacidade intelectual e êxito. Aparentemente, à medida que amadurecemos e assumimos mais responsabilidades, a inteligência prática torna–se mais importante que a analítica. O conceito de inteligência comprovada na prática inclui coisas como saber quando e o que dizer a alguém, de modo a produzir o maior impacto possível. Trata–se de uma habilidade que pode ser adquirida na vida profissional e sofre grande influência do legado cultural e familiar de cada um.

No fim, o livro nos convida, sutilmente, a avaliar nossas heranças, as oportunidades que recebemos e as chances de alcançarmos o chamado sucesso. No entanto, a dimensão do êxito a que o livro se refere é insuficiente para indicar se tivemos uma existência de realizações como seres humanos. Estamos no caminho certo como pais, maridos, mulheres, etc.? Os ingredientes para a realização plena nas dimensões não profissionais das nossas vidas ainda precisam de muita análise de DNA.


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