O fim da primeira bolsa paulista

Bimestral/Edição 99 / 1 de novembro de 2011
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Em 1º de novembro de 1891, a Bolsa Livre de São Paulo, entidade pioneira do gênero no estado, amanheceu fechada. Foi o fim do sonho de Emílio Rangel Pestana (1836–1898), seu fundador. Ela nascera 14 meses antes, em 23 de agosto de 1890. O País vivia o clima do encilhamento, maior bolha especulativa de sua história, em que as sociedades anônimas lançadas ao público surgiam como cogumelos, e os preços explodiam no primeiro dia de negócios.

Até a inauguração da Bolsa Livre, Rangel Pestana era um corretor informal de grande credibilidade, que operava havia anos no mercado de balcão da capital paulista. Com a atmosfera de excitação do encilhamento que contaminara a cidade, surgiram diversos outros corretores e investidores interessados no mercado. Rangel Pestana e seu prestígio conseguiram unir 93 daqueles personagens em torno da ideia de formação de uma bolsa de valores.

A Bolsa Livre surgiu independente dos poderes do Estado. Quaisquer pessoas interessadas em operar como intermediários, ou mesmo em conta própria, podiam se inscrever, desde que aceitassem o regulamento e contribuíssem com a mensalidade de 5 mil réis. Não havia exclusividades nem nomeações pela Junta Comercial, ao contrário do que ocorria no Rio de Janeiro.

Seis meses após a fundação da Bolsa Livre, em fevereiro de 1891, iniciou–se a debacle no mercado de ações em função de medidas macroprudenciais tomadas pelo governo federal, no Rio de Janeiro. Os frequentadores escassearam, e cresceu a inadimplência das contribuições dos membros do pregão. Arcando com todas as despesas, Rangel Pestana não conseguiu resistir e expediu um comunicado que retratou suas frustrações:

“(…) Os destroços comerciais e a falta de patriotismo fizeram com que muitos dos nossos contribuintes (salvo honrosas exceções) faltassem com a contribuição para a sustentação dessa Bolsa, vindo recair todas as despesas sobre o seu presidente. Com bastante pesar comunico–vos que ficará, de hoje em diante, fechada a Bolsa, até que outros mais felizes do que eu tenham mais apoio para reabri–la. Abri a primeira Bolsa Livre e o acaso fez com que eu viesse fechá–la; peço desculpas a todos, fiz o que pude, se não fiz melhor não foi porque me faltasse boa vontade e dedicação. Está fechada a Bolsa Livre. São Paulo, 31 de outubro de 1891 – Emílio Rangel Pestana”.

Suportar financeiramente a Bolsa Livre levou à bancarrota Rangel Pestana, que morreria pobre e endividado. Mas seu sonho frutificou. Em fins de 1894, o coronel Antônio Proost Rodovalho conduziu a criação da Associação Comercial de São Paulo, dentro da qual foi fundada, em 24 de janeiro de 1895, a Bolsa de Fundos Públicos de São Paulo, antecessora da atual BM&FBovespa.


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