IPO do primeiro banco paulista

Bimestral/Edição 96 / 1 de agosto de 2011
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Em agosto de 1872, foi lançado ao mercado o primeiro banco comercial da Província de São Paulo: o Banco Mercantil de Santos.
Os dois estabelecimentos que funcionavam, até então, na capital e na cidade portuária, eram caixas filiais do Banco do Brasil e do English Bank of Rio de Janeiro. A edição de 3 de janeiro de 1873 do Jornal do Commercio, em uma retrospectiva do ano anterior, deu conta do lançamento das ações do banco na Praça do Rio:
“Banco Mercantil de Santos — Por iniciativa do Banco Industrial e Mercantil do Rio de Janeiro e de alguns negociantes de Santos foi apresentado na Praça no dia 1º de agosto o prospecto deste banco cujo capital é de 2.000 contos de réis representado por 10.000 ações de 200 mil réis. A sede do banco será em Santos. No último trimestre do ano apareceram na Praça algumas cautelas de ações, que foram negociadas de 2.000 réis de desconto ao par, a dinheiro.”

Apesar de lançado na metrópole, o novo banco tinha princípios nitidamente regionais. Seus estatutos rezavam que tinha como objetivo promover o progresso e aumentar o comércio na Província de São Paulo. No mesmo ano, foi inaugurada a primeira linha da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, unindo Jundiaí a Campinas. Não por acaso, a década de 1870 foi pródiga na expansão da fronteira ferroviária, com a criação das companhias Ituana, Sorocabana e Mogiana, implantadas com recursos eminentemente locais.

O Banco Mercantil de Santos tinha como política investir suas reservas em títulos do Império Brasileiro cotados em Londres, mas chegou a ter, em 1880, um terço de seus investimentos em debêntures da Sorocabana. O banco progrediu ao longo dos anos.
Em 1885, era dono de agências em São Paulo, na Travessa do Colégio (atual Rua Anchieta, no bairro da Casa Verde, zona norte da capital paulista); em Campinas; e no Rio. Possuía correspondentes em Portugal e em cidades europeias como Hamburgo, Londres e Paris. Seu prestígio era de tal ordem que, em 1889, apenas 11 dias após a Proclamação da República, foi autorizado a emitir moeda, pelo Decreto 13 assinado por Deodoro da Fonseca e Ruy Barbosa, privilégio concedido a uns poucos bancos. Em seguida, durante o delírio do Encilhamento, o Mercantil de Santos aumentou seu capital por subscrição pública
em 400%.

O primeiro banco paulista sobreviveu três décadas. Em 1902, não resistiu às políticas de controle e saneamento financeiro de Joaquim Murtinho, ministro da Fazenda de Campos Salles. Em meio a corridas bancárias e uma onda de quebra de instituições financeiras naquela ocasião, o Banco Mercantil de Santos teve sua falência decretada e foi liquidado dois anos depois.


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