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Guidance: criação ou destruição de valor?

A prática de guidance é um tema de grande controvérsia, tanto entre os investidores como entre os acadêmicos. Warren Buffett e Michael Jensen (professor emérito da Harvard e um dos criadores da teoria dos agentes) são ferrenhos adversários; por outro lado, inúmeros participantes do mercado são favoráveis à prática.

Qual tem sido o comportamento das empresas perante este debate? Se, por um lado, o número de companhias no mercado americano que divulgam earnings guidance trimestral tem se reduzido, por outro, as que ainda o praticam é substancial. Embora essa prática seja recente no Brasil, pesquisas do IBRI mostram que 76% das companhias abertas com valor de mercado superior a R$ 1 bilhão fornecem ao mercado algum tipo de guidance sobre expectativas de resultados.

Para entender este debate, é necessário compreender os argumentos dos dois lados. Os defensores da prática dizem que quanto mais informação melhor. O guidance seria uma boa ferramenta para melhorar a comunicação com o mercado, diminuindo ruídos e assimetria de informações. Com isso, o intervalo de projeção dos analistas seria reduzido e se evitariam possíveis surpresas nos resultados da companhia. O reflexo dessas ações seria uma redução na volatilidade da ação e uma queda no custo de capital. Outro argumento a favor é o potencial aumento da cobertura de analistas devido à melhor comunicação, o que impactaria positivamente a liquidez da ação e seu preço.

Entre as críticas destaca-se o alto custo da prática, uma vez que demanda um tempo expressivo da alta gerência na análise de premissas e projeções, bem como a elaboração de relatórios. Outra questão é o excessivo foco no curto prazo, pois o principal número divulgado é o lucro trimestral. Como uma das grandes preocupações das empresas que fornecem guidance é entregar o dado estimado, há uma forte pressão para que os gestores alcancem esses resultados de curto prazo, mesmo em detrimento da criação de valor no longo prazo.

Será que estes argumentos se sustentam empiricamente? Pesquisas mostram que muitas empresas que cessam o guidance são afetadas negativamente, sugerindo que seus defensores estão com a razão. No entanto, é possível argumentar que muitas das que interrompem o guidance sob a alegação de livrar-se do foco excessivo de curto prazo, na verdade, o fazem por preverem resultados fracos ou ainda por possuírem um frágil histórico de alcançar os números divulgados. Nesta hipótese, o mercado interpretaria a descontinuidade da prática como um sinal de resultados futuros pobres, penalizando o preço das ações.

Se os resultados empíricos não são conclusivos, que outros elementos podem facilitar a decisão de uma empresa em praticar o guidance? Em primeiro lugar, as organizações brasileiras estão em um ambiente que amplifica os efeitos positivos da prática. A quantidade de analistas que acompanham as empresas e a liquidez são, em média, menores do que nos mercados internacionais, enquanto a volatilidade é maior. Conseqüentemente, o potencial ganho aqui é maior.

Caso a companhia decida praticar o guidance, quais elementos ou fatores são importantes para obter um bom resultado? Naturalmente é necessário precaução em relação aos pontos levantados pelos críticos. Um bom passo é priorizar o guidance dos drivers de valor e o resultado de longo prazo. Adicionalmente, é preciso que essa comunicação aumente o grau de informação e elimine os ruídos. Isso é obtido através do comprometimento do management para que o guidance seja sem viés e transparente. A comunicação com o mercado deve ser uma via de mão dupla, pois, para um resultado efetivo, a empresa deve não só informar, mas entender como suas informações estão sendo interpretadas. Por fim, é importante que exista um programa de incentivos ao management que conduza seus esforços para atingir as projeções de criação de valor no longo prazo. Dessa forma, com um management bem alinhado com os interesses dos acionistas e uma comunicação efetiva e transparente com o mercado, as vantagens do guidance são maximizadas e podem compensar os custos da prática.


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