Banqueiro por acaso

Uma visão romanceada (mas nada romântica) da vida dos profissionais de banco de investimento na segunda metade dos anos 90

Prateleira/Edição 51 / 1 de novembro de 2007
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Entre o amplo rol de profissões em uma sociedade, poucas rivalizam com as oportunidades oferecidas pelos bancos de investimentthumb3333333333333333333333333333333333333o, tanto em termos de velocidade de desenvolvimento profissional quanto em alavancagem financeira. Tanto que, ano após ano, as estatísticas revelam q ue os principais recrutadores das melhores escolas de negócios no mundo são os bancos de investimento. No entanto, por trás da aura de projeção social e profissional, além das recompensas milionárias, existe uma realidade não tão glamourosa. Este é o pano de fundo da obra de Jonathan Knee, que, apesar de banqueiro “por acaso”, ainda segue atuando na indústria.

O tema da rotina profissional em um banco de investimento já foi abordado em outras obras: a pesada carga horária (tipicamente de 80 a 100 horas semanais), a forte pressão por resultados, a pressão dos colegas (“peer pressure”) e outros traços característicos. O que torna a obra de Knee diferenciada é seu grau de personalização: nenhum nome é fictício e, supostamente, nenhuma situação é romanceada. Mas, além de prover uma visão íntima da indústria entre 1994 e 2003, através de suas passagens por Goldman Sachs e Morgan Stanley, o autor avalia a transformação na cultura dos bancos de investimento provocada pelo fenômeno da internet e suas empresas de alto crescimento.

Segundo o slogan de J.P. Morgan, os bancos de investimento deveriam fazer apenas “negócios de 1ª classe com empresas de 1ª classe”. Nos tempos do sr. Morgan e até o início dos anos 80, os banqueiros se autodenominavam “gerentes de relacionamento”, e os principais bancos de investimento focavam somente as grandes companhias, através de relações de longo prazo. O aparecimento de uma nova classe de empresas, com crescimento explosivo, mas pequeno (ou nenhum) histórico, levou a uma mudança radical na natureza da relação com os clientes. A perspectiva migrou de uma orientação de relacionamento para uma transacional, exacerbando o conflito curto prazo versus longo prazo.

O efeito cumulativo desses excessos foi um severo golpe sobre a cultura de excelência e qualidade de serviços dos bancos de investimento. A indústria tornou-se alvo de ações judiciais, graves conf litos de interesse foram expostos e a credibilidade dos principais protagonistas foi abalada. No fim dos anos 90, não era incomum um banqueiro responder a outro com desdém quando questionado sobre o futuro da empresa cujo IPO seu banco estava estruturando (“IBG, YBG” — “I’ll be gone, you’ll be gone”, ou “eu estarei fora, você estará fora”). Quando a poeira baixou, após o “crash” de março de 2000, a reputação dos bancos de investimento estava seriamente abalada perante seus clientes, colaboradores e a sociedade como um todo.

A despeito do lado sombrio com que descreve algumas das situações e os protagonistas da obra, o autor conta sua história com uma certa ironia, quase humor negro. É impossível não estabelecer um paralelo com o clássico Liar’s Poker, de Michael Lewis, embora a obra de Knee não seja tão ácida e burlesca quanto a de Lewis. Em suma, trata-se de uma combinação interessante de testemunho pessoal com trama quase novelesca, contada por meio de uma prosa leve e divertida.

The Accidental Investment Banker: Inside the Decade that Transformed Wall Street


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