O livro de cabeceira de Buffett

Um dos maiores clássicos sobre investimentos ganha versão em português e traz inúmeras idéias boas e simples para quem tiver inspiração e perseverança

Prateleira/Edição 48 / 1 de agosto de 2007
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ed48_74A teoria de investimentos é cantada em prosa e verso e, a cada ano, inúmeros gurus autoproclamados publicam obras com suas fórmulas mágicas para ganhar dinheiro fácil com o mercado de ações. O paradoxo é que, quanto mais fórmulas mágicas são publicadas, mais reconhecemos que o verdadeiro investimento em ações apóia-se em um conjunto simples de metodologias e princípios que, em tese, podem ser aplicados por todos.

Uma prova de que os clássicos resistem ao tempo chega ao Brasil em agosto. Trata-se da primeira versão em português do clássico de Benjamin Graham, adaptada a partir da 4ª edição da obra, lançada em 1973 (a original é de 1949) e atualizada com comentários de Jason Zweig, um jornalista especializado na área de investimentos. Na verdade, é como se fossem dois livros em um: um capítulo original de Graham, seguido por um de Zweig, onde ele aplica os conceitos aos tempos de hoje (Graham provavelmente teria enlouquecido caso testemunhasse a bolha da internet).

Apesar de simples, as idéias de Graham são elaboradas de forma elegante e sempre vêm acompanhadas de exemplos relevantes. Ele pode soar um pouco técnico em alguns momentos, mas se sai muito bem ao desmistificar a arte de investir. Quem acompanha Warren Buffett, ou já estudou a seu respeito, perceberá rapidamente a origem dos princípios de como investir para o longo prazo (aliás, uma redundância, segundo Graham: investimento pressupõe longo prazo; caso contrário, é especulação!). Alguns dos conceitos mais importantes de investimentos, como comprar “valor” e “margem de segurança”, estão disponíveis na obra a todos que quiserem se iniciar nesta arte.

De tão acessíveis, os conceitos provocam uma reflexão. Recentemente, assisti a um desenho animado sobre um ratinho que queria ser chefe de cozinha após inspirar-se na obra de um profissional respeitado cujo lema era ”qualquer um pode cozinhar”. A leitura de “O Investidor Inteligente induz a um paralelo com a história do ratinho, já que “qualquer um pode ser um investidor”. Isto é, as “receitas” estão ali, basta segui-las, certo?

Bom, a verdade é que, assim como a mera reprodução de receitas não faz um grande chefe de cozinha, a aplicação das ferramentas discutidas por Graham não é garantia de retornos superiores. A grande diferença está na disciplina e na aderência estrita aos princípios que norteiam a teoria de investimentos. Este traço de habilidade psicológica é bastante escasso, principalmente devido a vários desvios comportamentais que afetam nossa capacidade de evitar erros de julgamento relacionados a investimentos (aos interessados em aprofundar-se no assunto, vale uma pesquisa sobre Behavioral Finance na internet).

Enfim, qualquer um pode estudar a metodologia e munir-se das ferramentas adequadas. Mas isso não garante uma obra de arte. Ferramentas simples, como o martelo e o cinzel, nas mãos de um mero mortal servem apenas para quebrar pedras, mas nas de um Michelangelo produzem maravilhas. Pura inspiração? Creio que, se pudéssemos perguntar ao grande mestre, ele responderia com as palavras de Thomas Edison: “1% inspiração, 99% transpiração”.

As ferramentas de Graham têm produzido resultados impressionantes nas mãos de “mestres” bem inspirados como Warren Buffett, mas estão disponíveis para todos. A diferença está na perseverança em sua utilização: transpirar, neste caso, consiste em aplicar os princípios de investimento com disciplina monástica, ter paciência e ainda dispor de uma boa dose de autoconfiança para os momentos em que o mercado testar suas convicções.


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