Tempo de “apostas” na bolsa

Editorial/Edição 43 / 1 de março de 2007
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Não é a primeira vez que a Capital Aberto dedica sua reportagem de capa à participação dos investidores pessoa física nos IPOs. Aliás, isso foi feito há exatamente um ano, na edição de março de 2006, quando chamamos a atenção para a reduzida parcela de ações reservada aos não-institucionais e, também, ao comportamento um tanto afoito desses mesmos investidores, que entravam nas ofertas, em sua maioria, apenas para aproveitar o ganho fácil do primeiro dia de negociação, sem qualquer interesse maior de poupança ou horizonte de longo prazo.

De lá para cá, há sempre uma discussão do tipo “o ovo ou a galinha” quando este assunto vem à tona. Há quem diga que a participação das pessoas físicas nas ofertas iniciais tem se resumido à ânsia especulativa dos “flippers” — como são chamados os que embarcam nos IPOs para fazer a venda poucos dias depois — porque, ao reservar tão poucos papéis para o varejo, as companhias acabam atraindo apenas investidores com este tipo de interesse, uma vez que os mais preocupados com as projeções de crescimento do negócio preferem esperar para comprar lotes maiores no mercado secundário. Já outros afirmam que a parcela da oferta dedicada às pessoas físicas não pode — e nem deve — ser mais farta, justamente porque esse tipo de investidor só “flipa” e, portanto, não merece mais do que os tradicionais 10% a ele dedicados.

Um ano depois, o que vemos é a triste constatação de que, por falta de cultura ou de papéis para comprar, a participação dos investidores individuais na comemorada retomada dos IPOs no Brasil não passa de pura jogatina. Impressiona saber que, das 10 a 12 mil pessoas físicas, em média, que vemos aparecer no quadro de alocação das ofertas públicas divulgado com os anúncios oficiais de encerramento (normalmente publicados um mês e meio depois), 80% a 90% já tenham desaparecido logo nos primeiros quinze dias, ou até antes disso.

Assim, quando do anúncio, as milhares de pessoas físicas que aparecem na lista dos compradores já perfazem um número tão distorcido quanto a expectativa que esses investidores estão formando do mercado de ações. Para eles, a bolsa continua com aquela aparência de cassino que por tantos anos eliminou qualquer tentativa de formação mais consistente de poupança no País, ou mesmo de criação de uma cultura corporativa que fosse voltada a acionistas de longo prazo, preocupados com coisas como gestão, governança e dividendos — e não a especuladores que querem apenas saber qual o “IPO do dia” com o mesmo espírito que fazem suas fezinhas nas cartelas de bingo, no pôquer com os amigos ou até nas máquinas caça-níqueis (com o detalhe de que estas últimas não têm a mesma chance de sucesso do IPO).

Porém, há sempre quem pergunte com certa sabedoria: será que tudo isso é mesmo tão ruim assim? Não seria o “IPO do dia” uma boa isca para que esse mesmo investidor, em algum momento, se interesse por investigar como se comportam os que realmente ganham dinheiro no mercado de ações? Talvez, é verdade, em algum desses dias de aposta ele decida pegar a calculadora para fazer algumas simulações. E conclua que quem preferiu aproveitar o IPO para fazer poupança ao invés de jogo hoje tem mais a comemorar, como mostramos em reportagem iniciada na página 26.


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