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Poucos exemplos
Estudo identifica que são minoria os sites de RI que oferecem as informações esperadas pelos usuários

Para os que dependem da internet como fonte de informações das companhias abertas, aqui vai uma má notícia. Um estudo desenvolvido recentemente na Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, denominado Disclosure voluntário via internet no Brasil: uma verificação de seus determinantes a partir da relevância para o mercado — verificou que existe um certo desalinhamento entre o desejo dos usuários que recorrem aos sites de Relações com Investidores e o que, de fato, eles costumam encontrar quando precisam de algum dado sobre companhias abertas. Para realizar a pesquisa, o professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e doutorando Wesley Mendes da Silva, idealizador do estudo, considerou apenas as informações de 282 companhias não-financeiras, publicadas de forma voluntária nos seus portais no início de 2006, e as necessidades consideradas relevantes para os profissionais das agências de rating e de corretoras de valores mobiliários.

Ao estabelecer o conceito do que seria informação relevante, obrigatória em qualquer website de companhia aberta, o pesquisador buscou a opinião de 13 intermediários, sendo quatro de agências de rating e nove de corretoras de valores mobiliários. Eles ajudaram avaliar a relevância de um conjunto de 37 variáveis que foram subdivididas em dois grupos: categorias de natureza financeira e categorias relativas à governança. Em ambas, surgiram percentuais baixíssimos de companhias que informam, com precisão, os dados comumente solicitados pelos visitantes do site. É o caso do histórico dos preços das ações — informação que foi encontrada em apenas em 91 sites ou 32,3% do total de empresas.

Outros exemplos são: preços atualizados do papel nos mercados em que são negociados (31,9%); material das apresentações (road shows) com transcrição dos comentários feitos na ocasião (30,9%); calendário dos próximos eventos de interesse do investidor (24,5%); relatório de cobertura de analistas (17,45%); descrição das condições de independência dos diretores (7,4%); remuneração dos diretores e dos conselheiros (7,1%); participação dos diretores no capital da empresa (2,1%); e taxas pagas às firmas de auditoria (0,7% das companhias consultadas).

“Se a aplicação da governança corporativa é um aspecto crítico na gestão de qualquer empresa, a forma como ela divulga essas práticas não é menos importante”, lembra o professor. “Para aumentar a credibilidade de um negócio perante o mercado, além dos aspectos puramente financeiros, as companhias não devem medir esforços para fornecer sua mensagem de uma maneira rápida, clara e o mais transparente possível.” Mendes da Silva cita ainda os resultados de um estudo da McKinsey & Company, no qual 83% de investidores estrangeiros com recursos aplicados na América Latina estariam dispostos a pagar um prêmio por empresas que fossem “visivelmente” bem governadas.

Segundo o professor, as principais conclusões do levantamento sugerem que: a) quanto maior o retorno anual das ações da empresa, maior é a soma de informações disseminadas no website; b) apesar de não existir padronização quanto ao uso da internet para comunicação com investidores, as empresas de governança corporativa diferenciada (Novo Mercado, Níveis 1 e 2) apresentaram um volume de informações relevantes bastante superior às demais; c) as categorias de informação corporativa mais requeridas pelas agências de rating e corretoras são, ironicamente, as menos freqüentemente disponibilizadas pelas empresas; d) as companhias mais endividadas estão mais propensas a entregar informações de natureza financeira.

Para o especialista, é um paradoxo o fato de a tecnologia permitir a divulgação de informações, com uma facilidade e rapidez cada vez maiores e, ao mesmo tempo, termos companhias que não conseguem aproveitar essa oportunidade para melhorar sua interação com os investidores. Um dos motivos que justificariam esse fenômeno estaria na falta de um formato que padronizasse a disposição das informações corporativas na internet.

O estudo revelou ainda que, em alguns países, já existem tentativas de inserir orientações para disponibilizar os dados nos sites de RI. Recentemente, pode-se citar a linguagem XBRL (eXtensible Business Reporting Language) para uso na apresentação e intercâmbio de informações, principalmente as financeiras e contábeis. Contudo, as companhias resistem, afirmando que possuem diferentes políticas e práticas no uso da rede para as atividades de RI.


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