Muito planejamento, pouca ação

Em Making Strategy Work, Larry Hrebiniak discute caminhos para evitar o grande mal das organizações modernas: a estratégia que não sai do papel

Prateleira/Edição 33 / 1 de maio de 2006
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ed33_p064-064_pag_1_img_001Por onde quer que encaremos o tema “estratégia”, uma conclusão sempre vem à tona: um dos maiores desafios das organizações modernas consiste em sua execução efetiva e eficaz. Acadêmicos e consultores têm coletado amplas evidências de que a dificuldade na implementação da estratégia representa o maior fator crítico de sucesso empresarial. A partir deste pano de fundo, o autor de “Making Strategy Work”, professor da Wharton School of Business, se propôs a investigar as raízes do problema.

Após comparar os resultados de duas pesquisas realizadas com executivos sobre implementação de estratégia, Larry Hrebiniak pôde identificar os pontos críticos dessa tarefa e estruturar um modelo para lidar com todas as variáveis de forma holística. E foi justamente aí que ele diferenciou a sua obra: a maior parte da literatura a respeito de estratégia lida com sua formulação, relegando ao “exercício da liderança” a sua execução. Segundo o autor, não é raro executivos dizerem coisas do tipo “nosso valor agregado é criar e planejar; eles (a base da organização) é que executam”. No entanto, a alta taxa de insucesso e frustração com os resultados tangíveis dos planos estratégicos sugere que boa parte do problema deve-se à debilidade das execuções.

Ao organizar todos os elementos da execução da estratégia de forma intuitiva, o autor estrutura um modelo simples e elegante para sistematizar sua avaliação, quase um “check list”. A espinha dorsal da obra, ou seu mapa de desenvolvimento, começa pela definição da estratégia corporativa, passa pela integração das estruturas e termina com as ações de incentivo e controle.

A partir de uma breve exposição do “caminho” para a implementação eficaz da estratégia, o autor dedica capítulos a cada um dos temas definidos na espinhadorsal, aprofundando a discussão. Ao mesmo tempo, confere destaque ao elemento humano, o chamado lado “soft” da gestão (finanças e produção são tipicamente rotulados como o lado técnico, ou “hard”). Questões como estrutura organizacional, incentivos, gestão da mudança, estrutura de poder e influência e, finalmente, a cultura da empresa são abordadas em capítulos individuais, perfazendo boa parte da obra. Aqui, chama a atenção a escolha aparentemente consciente do autor em não abordar o tema da liderança como fator-chave de sucesso, embora ele seja mencionado ao longo de todo o livro.

Making Strategy Work Leading Effective Execution and Change
Lawrence G. Hrebiniak Wharton School Publishing 408 páginas

Após aprofundar cada um dos temas pertinentes à execução da estratégia, Hrebiniak finaliza com um estudo de caso teórico: a aplicação do modelo à difícil arte de executar estratégias de fusões e aquisições. Dado o desafio de criar valor a partir de operações de M&A, amplamente documentado pela literatura de finanças, o autor ilustra a aplicação do modelo em casos reais, buscando relacionar as falhas identificadas nas “autópsias” das transações.

Finalmente, como diz o ditado, “prudência e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém”. As escolas de negócios e seus cursos de MBA desenvolveram amplo conhecimento sobre como planejar, mas continuam raríssimos os cursos com ênfase em como fazer, o que explica o viés natural dos executivos para o planejamento em detrimento da ação. Embora o modelo apresentado para buscar a excelência na execução da estratégia seja muito bem estruturado, o próprio autor reconhece que este processo depende, essencialmente, do elemento humano. Isto é, apesar da lógica do modelo, deve-se exercer senso crítico ao aplicá-lo, já que não se trata de um “elixir mágico”. Na ausência da estratégia certa ou da velha e boa liderança, nem mesmo um sólido processo de execução empresarial pode sustentar a criação de valor.


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