Excêntricos como um porco-espinho

Em Hedgehogging, Barton Biggs aborda com bom humor os bastidores do mundo dos gestores de hedge funds

Prateleira/Edição 32 / 1 de abril de 2006
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ed32_p064-064_pag_1_img_001Quando um dos ícones da indústria de gestão de recursos se dispõe a relatar sua experiência de forma casual, instigante e instrutiva, só podemos aplaudir (e de pé!). Barton Biggs é uma dessas “figurinhas carimbadas” da gestão de recursos, e sua obra diverte não apenas por esclarecer seus princípios de investimento, mas também por explorar o lado das personalidades envolvidas nesta indústria, suas manias, depressões e êxtases. Após 30 anos dedicados à área de pesquisa e gestão de recursos do Morgan Stanley, ele decidiu montar seu próprio fundo hedge, transformando- se em um “hedgehog” (expressão que caracteriza os gestores destes fundos).

Os chamados fundos “hedge” podem ser caracterizados através de sua filosofia de investimento: obter retornos acima do índice de referência (S&P500, por exemplo) com volatilidade mais baixa. Para atingir o objetivo, operam com todas as classes de ativos (commodities, moedas, ações, derivativos), buscando explorar o que consideram “ineficiências nos preços”. Tipicamente, estes fundos são acessíveis apenas ao abundante dinheiro institucional (fundos de pensão, etc) ou às grandes fortunas.

De forma aparentemente inconsciente, o autor acaba formatando listas de comportamento adequado a um investidor de sucesso (os chamados “do’s and don’ts”), que servem à educação de investimento de qualquer pessoa, profissional do ramo ou não. A grande diferença desta obra em relação às centenas de livros de auto-ajuda sobre como transformar- se em um milionário instantaneamente reside exatamente na experiência do autor. Sua vivência mostra como o caminho para o sucesso de um investidor tem muitas dificuldades criadas pelos sentimentos de medo e avareza. E que só enxergamos os que chegaram lá, ignorando o enorme número dos que se perderam no caminho. Neste sentido, ele afirma que “investimento é mais arte que ciência” (para desespero dos mais quantitativos).

Dois outros temas que merecem destaque no livro são os retornos históricos das diferentes classes de ativos e os conflitos de interesse inerentes à indústria de fundos. Para colocar em perspectiva o que é desempenho superior de longo prazo para um fundo de investimentos, Biggs discute as várias classes de ativos e seus retornos ao longo da história, comentando até sobre investimentos alternativos como arte, jóias e ouro.

Hedgehogging
Barton Biggs Editora Wiley 320 páginas

No que se refere à indústria de fundos, ele se diz bastante descrente quanto à capacidade das grandes instituições de fornecer alternativas com retornos competitivos, devido aos conflitos de interesses envolvidos. Como a receita para as instituições é baseada em um percentual sobre o patrimônio dos fundos administrados, elas trabalham para aumentar esses fundos, e não necessariamente para oferecer o melhor retorno aos cotistas. Ao mesmo tempo, tornam-se mais burocratizadas e lentas à medida que crescem, afetando o processo de investimento. Isto é, os fundos passam a ser geridos por “gerentes corporativos” e não por verdadeiros investidores.

Finalmente, segundo o autor, o porco-espinho é um animal inseguro e estranho, mas sua excentricidade exerce certo fascínio sobre os homens. Devido ao enorme volume financeiro administrado por este clube de acesso exclusivíssimo e às remunerações estelares de seus membros, não é à toa que os porcos-espinho chamam a atenção. Mas, embora a entrada no clube seja difícil, sua permanência é ainda mais árdua, porque “você só é tão bom quanto seu desempenho recente”. E nesta busca frenética pelos retornos acima da média, nada melhor do que a estratégia de Jesse Livermore, um dos maiores investidores dos anos 20, descrita em Reminiscências de um Especulador financeiro, de Edwin Lefèvre, e recontada por Biggs: “Buy low, sell high!”.


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