Uma nova contabilidade de custos

Thomas Corbett questiona os métodos tradicionais de custeio e propõe o uso da bússola financeira para a tomada de decisões

Prateleira/Edição 30 / 1 de fevereiro de 2006
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ed30_p060-060_pag_1_img_001O ditado popular já dizia que “se você não sabe aonde quer chegar, qualquer lugar serve”. Em Bússola Financeira — O processo decisório da Teoria das Restrições, o consultor e professor Thomas Corbett faz jus ao título. Seu objetivo é apontar uma alternativa melhor para os que navegam pelos mares turbulentos das decisões gerenciais.

Recheado de exemplos práticos, acessíveis até àqueles sem perfil ligado à área, o livro propõe um modelo revolucionário para a tomada de decisões na área de produção. No lugar do tradicional sistema de custeio por absorção (ou sua versão mais moderna, o Activity Based Costing — ABC), caracterizado pela alocação do custo fixo ao produto, Corbett apresenta a alternativa apelidada de Bússola Financeira. A teoria aborda o problema de forma diferenciada por considerar a operação como um todo — e não produto a produto — no cálculo da margem de contribuição. Desta forma, sugere uma maneira mais transparente de programação da produção, baseada no gerenciamento inteligente dos gargalos e na otimização dos resultados da companhia.

O livro aborda diversas possibilidades de tomada de decisões, como a escolha de mix de produtos, investimentos, descontinuação de produtos, etc. Mas o que torna a sua leitura obrigatória é justamente a diferença entre seu ponto de vista e o de centenas de obras no campo da administração da produção e contabilidade de custos.

O autor desafia de forma clara e objetiva os pressupostos dos sistemas tradicionais, demonstrando sua ineficácia como guia de boas decisões de negócio. Segundo o autor, “o objetivo da contabilidade gerencial é fornecer informações para a tomada de decisão, fazer o elo entre as ações locais dos gerentes e a lucratividade da empresa. “Neste sentido, somos levados a refletir que o paradigma atual de administração da produção nos conduz, muitas vezes, à busca de ótimos locais, em detrimento da otimização do sistema-empresa como um todo.

Outra constatação interessante: estabelece-se um paralelo transparente entre a avaliação proposta pela bússola financeira e a tradicional análise de fluxo de caixa incremental. Esta última consiste na ferramenta consagrada para avaliação de investimentos de longo prazo. Logo, vem o questionamento: por que não utilizar um conceito equivalente na tomada de decisões operacionais? Neste tópico, o livro poderia abordar mais profundamente a questão da tomada de decisões de longo prazo.

Bússola Financeira O processo decisório da Teoria das Restrições
Thomas Corbett Editora Nobel 208 páginas

A Bússola Financeira consiste em uma aplicação moderna da Teoria das Restrições — a TOC (do inglês Theory of Constraints) —, mundialmente conhecida por meio do livro “A Meta”, que faz parte da caixa de ferramentas dos gerentes de produção desde a década de 80. Seu divulgador, o físico israelense Elyahu Goldratt, vem continuamente expandindo os horizontes de aplicação desta teoria ao campo da administração.

De tempos em tempos, surgem novos modelos para explicar a realidade e promover melhorias em nossa forma de gerir os negócios. Eles surgem como propostas visionárias, e são prontamente repelidos pelos defensores dos modelos correntes. Assim como a prática do Beyond Budgeting, que soa revolucionária e advoga o fim dos orçamentos como os conhecemos por espremerem as organizações em camisas de força, a bússola financeira também propala a quebra de um paradigma forte no campo da administração. Sendo assim, podemos dizer que seu entendimento e adoção estão em estágio embrionário nas organizações, devido à inércia criada pelos processos gerenciais e o status quo. No entanto, a lógica e simplicidade do modelo sugerem que sua adoção será incrementada rapidamente no futuro próximo.


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